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No poema XVI da sua série para o Penacova Actual, Daniel Gomes desconstrói com humor e ironia a lenda da moura encantada do Castelo de Penacova, confrontando o mito secular com a rotina prosaica dos dias de hoje.

XVI
O Castelo

Dizem que à noite, no castelo,
uma moura penteia os cabelos
à espera de um cristão que a desencante.
Espera há séculos.
Já devia ter percebido.
Os cristãos passam lá em baixo,
vão ao tasco, vêem o futebol, não sobem.
Ela continua a pentear.
A guerra acabou.
A moura é que ainda não sabe.

Daniel Gomes Alves

Na imagem, pormenor do Castelo de Penacova obtido a partir pintura de Thomas Staunton St. Clair, na qual retratava a o exército de Wellington atravessando o rio Mondego antes da Batalha de Bussaco, em 27 de setembro de 1810, durante a Guerra Peninsular.

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