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As ocorrências envolvendo jovens até aos 16 anos aumentaram 11,6% no primeiro semestre, mas a criminalidade violenta e grave caiu 44%. Em Penacova, a prevenção passa também pela comunidade escolar e pela CPCJ.

A Guarda Nacional Republicana (GNR) registou 797 ocorrências de criminalidade juvenil no primeiro semestre de 2026, em todo o território da sua responsabilidade, mais 11,6% do que no mesmo período de 2025, com particular destaque para o crescimento dos ilícitos praticados ou difundidos através de meios digitais. O balanço, divulgado este domingo, 4 de outubro, mostra, contudo, uma redução de 44% na criminalidade violenta e grave entre jovens até aos 16 anos, enquanto a GNR reforça a prevenção através do Programa Escola Segura, da sensibilização para a segurança digital e da articulação com escolas, famílias e Comissões de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ).

Mais ocorrências, mas menos criminalidade violenta

Os dados da GNR mostram uma evolução contrastante. Entre janeiro e junho de 2025 tinham sido registadas 714 participações relacionadas com criminalidade juvenil, número que subiu para 797 no primeiro semestre deste ano, correspondendo a mais 83 ocorrências.

Ao mesmo tempo, os crimes classificados como violentos e graves passaram de 25 para 14 casos, uma redução de 44%. A diminuição foi particularmente expressiva nos roubos cometidos na via pública, que passaram de 10 para cinco ocorrências, e nas ofensas graves à integridade física, reduzidas de quatro para uma.

No conjunto das ocorrências analisadas pela GNR foram identificados 1 398 suspeitos.

O conflito juvenil está também a passar para o digital

Apesar da redução dos crimes violentos, a Guarda identifica uma alteração no perfil da conflitualidade entre os mais jovens. As ofensas à integridade física simples continuam a ser a ocorrência mais numerosa, com 212 casos, mas representam uma descida de 19,7% face às 264 registadas no primeiro semestre de 2025.

Também as ameaças e coação diminuíram, de 83 para 76 ocorrências, menos 8,4%.

Em sentido contrário, destaca-se a subida dos crimes de devassa por meio digital, através da internet, redes sociais ou outros canais de difusão, que passaram de cinco para 13 casos. É uma subida de 160% e constitui, segundo a GNR, um sinal da crescente transferência de comportamentos de conflito e exposição de terceiros para o ambiente digital, onde podem assumir formas associadas ao ciberbullying.

A condução sem habilitação legal também aumentou, passando de 18 para 27 ocorrências, enquanto o furto em estabelecimentos comerciais sem arrombamento subiu de 23 para 29 casos. O tráfico de estupefacientes passou de sete para 10 ocorrências.

Os períodos de saída da escola concentram ocorrências

A análise temporal realizada pela GNR indica uma maior concentração das ocorrências durante os dias úteis, sobretudo entre as 13h00 e as 18h00. Este período coincide, em particular, com as saídas dos estabelecimentos de ensino, deslocações de regresso a casa e momentos de convívio nas proximidades das escolas.

Em termos territoriais, os distritos com maior número de ocorrências são também aqueles que apresentam maior concentração populacional e escolar. Setúbal registou 142 casos, seguido de Faro, com 98, Lisboa, com 96, e Porto, com 79.

Sem dados específicos divulgados para Penacova

A informação agora divulgada pela GNR apresenta os dados de forma global e por alguns indicadores territoriais, não disponibilizando neste balanço público uma distribuição específica da criminalidade juvenil pelo concelho de Penacova ou pelo distrito de Coimbra.

Assim, não é possível concluir, a partir destes dados, se a tendência nacional se reproduz no concelho de Penacova. O dado nacional deve, por isso, ser entendido como um enquadramento geral e não como um retrato estatístico da realidade juvenil penacovense.

Penacova dispõe, contudo, de uma estrutura local de prevenção e acompanhamento de crianças e jovens que envolve diferentes entidades. A Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Penacova integra representantes do Município, Segurança Social, Educação, Saúde, instituições particulares de solidariedade social, GNR, associação de pais, associações juvenis e outras entidades da comunidade. A CPCJ tem precisamente entre as suas competências a prevenção de situações suscetíveis de afetar a segurança, saúde, formação, educação ou desenvolvimento das crianças e jovens.

O concelho conta ainda com uma rede de estabelecimentos de ensino que inclui a Escola Básica e Secundária de Penacova, escolas básicas de São Pedro de Alva, Aveleira, Joaquim de Oliveira Marques, Lorvão, Penacova e Seixo, entre outros equipamentos de educação pré-escolar.

Prevenção passa pela escola, famílias e comunidade

É precisamente nesta lógica de proximidade que a GNR enquadra o Programa Escola Segura. Para o ano letivo 2026/2027, a Guarda iniciou em setembro uma nova campanha de sensibilização dirigida a alunos, professores e encarregados de educação, abrangendo mais de 4 400 estabelecimentos escolares e cerca de 670 mil alunos na sua área de responsabilidade.

O programa combina policiamento de proximidade, acompanhamento das escolas e ações de sensibilização destinadas a prevenir comportamentos de risco e situações que possam comprometer a segurança da comunidade escolar.

A própria GNR mantém recomendações dirigidas especificamente a estudantes e pais, apelando, entre outros aspetos, à comunicação de situações de ameaça ou maus-tratos e à procura de ajuda junto dos pais, professores ou forças de segurança.

Em Penacova, a dimensão preventiva tem também tido expressão através de iniciativas promovidas pela CPCJ. Em maio deste ano, por exemplo, 28 entidades do concelho participaram no Concurso do Laço Azul, iniciativa integrada no Mês da Prevenção dos Maus-Tratos na Infância e destinada a mobilizar a comunidade para a proteção das crianças e jovens.

A evolução agora identificada pela GNR reforça, assim, a importância de manter a prevenção não apenas no espaço físico da escola, mas também nos ambientes digitais onde os jovens comunicam, partilham conteúdos e estabelecem relações.

A Guarda anuncia a continuidade das ações de sensibilização sobre segurança digital, ciberbullying, consumos aditivos e responsabilidade cívica e legal, em articulação com as escolas, famílias e CPCJ.

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