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As palavras de António José Seguro sobre o futuro do interior encontram em Penacova exemplos concretos de investimento, mas também o desafio de transformar obras em respostas efetivas para a população.

Créditos: Miguel Figueiredo Lopes / Presidência da República

O Presidente da República, António José Seguro, defendeu em Penamacor que o investimento público no interior deve abranger habitação, saúde, educação, transportes e respostas sociais. As palavras ganham particular significado em Penacova, onde o PRR representa milhões de euros de investimento e onde projetos como os apartamentos BNAUT de Chelo e Travasso mostram que, depois da obra, permanece o desafio de garantir a utilização e o acompanhamento social das respostas criadas.

O debate sobre o futuro do interior voltou a ganhar expressão esta sexta-feira, 3 de outubro, durante a inauguração da Creche de Nossa Senhora da Conceição, em Penamacor. Na intervenção, António José Seguro sublinhou que a fixação de população não depende de uma única medida, defendendo a conjugação de emprego, habitação, saúde, escola, transportes, ligações digitais e respostas sociais de proximidade.

A intervenção do Presidente da República assume particular interesse quando confrontada com a realidade de Penacova, onde o Plano de Recuperação e Resiliência tem financiado um conjunto diversificado de investimentos. Segundo o Portal Mais Transparência, atualizado em 9 de setembro de 2026, o Município de Penacova tem 27 projetos PRR, correspondentes a 10,59 milhões de euros de financiamento, tendo recebido até essa data 4,8 milhões de euros, ou 45,4% do financiamento atribuído. O indicador refere-se aos valores recebidos e não à execução física das obras.

Educação, saúde e habitação entre os principais investimentos

Entre os projetos de maior dimensão encontra-se a requalificação da Escola Básica e Secundária de Penacova, com 7,17 milhões de euros de financiamento atribuído. O mesmo levantamento inclui a requalificação do Centro de Saúde de Penacova, com 988 mil euros, intervenções nas unidades de saúde de Lorvão, Figueira de Lorvão e São Pedro de Alva, bem como diversos projetos ligados à habitação e à resposta a situações de vulnerabilidade.

É precisamente na área da habitação e das respostas sociais que a realidade local permite estabelecer uma ligação mais direta às palavras proferidas em Penamacor.

Em Penacova, a antiga escola primária de Chelo, na freguesia de Lorvão, foi reabilitada e adaptada para integrar a Bolsa Nacional de Alojamento Urgente e Temporário (BNAUT), criando duas unidades habitacionais de tipologia T2 destinadas a situações de alojamento urgente. A documentação municipal confirma que a intervenção estava concluída, faturada e paga em 2024.

Também a antiga Escola do Travasso, na freguesia de Penacova, está a ser transformada no âmbito da BNAUT. A empreitada foi adjudicada em junho de 2025 por 248.063,75 euros, acrescidos de IVA, prevendo a adaptação e ampliação do edifício para duas unidades de alojamento urgente e temporário, igualmente de tipologia T2.

A obra é apenas uma parte da resposta

Foi neste contexto que, na quarta-feira, 30 de setembro, o novo diretor do Centro Regional da Segurança Social, Ramiro Miranda, visitou os espaços de Chelo e Travasso.

Durante a visita, o presidente da Câmara Municipal de Penacova, Álvaro Coimbra, transmitiu a necessidade de encontrar rapidamente uma solução para a gestão das duas unidades, nomeadamente através de protocolos com instituições particulares de solidariedade social. A questão prende-se com a natureza da própria resposta BNAUT: não basta disponibilizar alojamento. As pessoas ou famílias que venham a ser encaminhadas para estas unidades poderão necessitar de acompanhamento e de equipas especializadas.

É uma questão que coloca em evidência uma das ideias centrais deixadas por António José Seguro em Penamacor: as respostas sociais de proximidade dependem não apenas da construção ou reabilitação de equipamentos, mas também das condições para os colocar efetivamente ao serviço das populações.

Um debate que ultrapassa o PRR

Na sua intervenção, António José Seguro afirmou que emprego, habitação, saúde, escola, transportes e ligações digitais são condições necessárias para contrariar o despovoamento e o envelhecimento do interior. Defendeu também que o setor social deve continuar a desempenhar um papel de proximidade, sem substituir a responsabilidade do Estado.

Em Penacova, parte destas áreas encontra correspondência nos investimentos realizados ou apoiados pelo PRR. Mas a fase que agora se abre é igualmente relevante: perceber de que forma os equipamentos e habitações construídos ou requalificados serão efetivamente utilizados e integrados numa rede de respostas capaz de chegar às pessoas.

O caso de Chelo e Travasso é, neste sentido, particularmente ilustrativo. O investimento permitiu recuperar edifícios que estavam sem a função original e transformá-los numa resposta habitacional destinada a situações de emergência. A concretização plena dessa resposta dependerá, porém, da articulação entre Município, Segurança Social e instituições sociais.

O debate sobre o interior, assim, não termina com a execução de uma empreitada. Passa também pela capacidade de transformar o investimento público em respostas permanentes, acessíveis e próximas das populações.

Penacova perante o desafio

Os dados do PRR mostram uma parte significativa do esforço de investimento realizado no concelho nos últimos anos, sobretudo nas áreas da educação, saúde, habitação, mobilidade e proteção do território.

Mas as palavras proferidas em Penamacor colocam uma questão que também diz respeito a Penacova: como transformar o investimento em condições concretas para viver, trabalhar, criar uma família e permanecer no interior?

É uma questão que ultrapassa os números do PRR e que continuará a marcar o futuro dos municípios de baixa densidade, incluindo Penacova.

 

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