Operação decorre até 15 de novembro em todo o país e procura identificar idosos em situação de vulnerabilidade, prevenir crimes e reforçar os mecanismos de proteção. No distrito de Coimbra foram sinalizados 1 196 idosos pela GNR em 2025.

A Guarda Nacional Republicana (GNR) iniciou hoje, 1 de outubro, a Operação “Censos Sénior 2026”, que decorre até 15 de novembro em todo o território nacional, com o objetivo de atualizar o registo de pessoas idosas que vivem sozinhas, isoladas ou em situação de vulnerabilidade e reforçar, através do policiamento de proximidade, a sua segurança e capacidade de autoproteção. A iniciativa envolve também a sensibilização para riscos como burlas, furtos, violência e utilização insegura da internet, numa ação que assume particular relevância em territórios envelhecidos como o concelho de Penacova, no distrito de Coimbra.
Proximidade para prevenir o isolamento e a criminalidade
A operação integra-se no trabalho de policiamento comunitário desenvolvido pela GNR junto da população sénior e está enquadrada no programa “Apoio 65 – Idosos em Segurança”, promovido pelo Ministério da Administração Interna.
Durante as visitas e contactos com a população, os militares procuram atualizar a informação existente sobre os idosos em situação de maior vulnerabilidade e transmitir recomendações práticas de segurança.
Entre as preocupações identificadas pela GNR estão situações de violência, burlas — incluindo o chamado “conto do vigário” —, furtos em residências e outros comportamentos que possam colocar em risco pessoas particularmente vulneráveis.
A intervenção inclui ainda a prevenção de comportamentos de risco associados ao consumo de álcool, o combate ao isolamento social, a identificação de cuidadores informais e a sensibilização para uma utilização mais segura da internet.
Mais de 43 mil idosos sinalizados em 2025
A dimensão deste trabalho é evidenciada pelos resultados da operação anterior. Em 2025, a GNR sinalizou 43 074 idosos em todo o território sob a sua responsabilidade, por viverem sozinhos e/ou isolados ou por se encontrarem numa situação de vulnerabilidade suscetível de colocar em causa a sua segurança.
No distrito de Coimbra, foram sinalizados 1 196 idosos, número que coloca o território entre os distritos com menor número absoluto de sinalizações da GNR. Estes valores dizem respeito ao distrito e não permitem determinar quantos dos casos identificados pertencem especificamente ao concelho de Penacova.
A distribuição nacional evidencia realidades muito diferentes entre os territórios: a GNR registou 5 852 idosos sinalizados no distrito da Guarda, 5 167 em Vila Real, 4 191 em Bragança, 3 414 em Faro e 3 304 em Viseu, enquanto no distrito de Coimbra foram contabilizados os referidos 1 196 casos.
Mais de 35 mil idosos abrangidos por ações de sensibilização
Na operação de 2025, a Guarda realizou 328 ações em sala e 2 338 ações porta a porta, abrangendo 35 143 idosos.
A estratégia de proximidade não termina com o levantamento efetuado durante os Censos Sénior. A GNR refere que continua a acompanhar os idosos sinalizados através de visitas regulares às suas residências, avaliando as condições de segurança e articulando com outras entidades locais sempre que necessário.
A operação realiza-se desde 2011, ano em que foi lançada a primeira edição dos Censos Sénior. Desde então, a GNR tem vindo a atualizar a sua sinalização geográfica da população idosa, procurando melhorar a capacidade de resposta e reforçar a relação de confiança entre os militares e as comunidades.
Penacova mantém respostas de proximidade à população sénior
No concelho de Penacova, o tema do envelhecimento e do isolamento social tem vindo a merecer respostas específicas por parte do Município e das instituições locais.
Entre as respostas atualmente desenvolvidas encontra-se o projeto “Estou CãoTigo”, promovido pela Associação Beira Aguieira de Apoio ao Deficiente Visual (ABAADV) em parceria com o Município de Penacova. A iniciativa acompanha mais de uma centena de idosos do concelho, incluindo pessoas sinalizadas em situação de isolamento nos seus próprios domicílios.
O projeto envolve as diferentes respostas sociais existentes no concelho, nomeadamente instituições de Figueira de Lorvão, Lorvão, Miro e Penacova, e inclui visitas domiciliárias a idosos identificados como estando em situação de isolamento. Das 110 pessoas abrangidas pelo projeto, dez são acompanhadas diretamente nas suas habitações.
O Município mantém igualmente respostas no âmbito do envelhecimento ativo e da intervenção social, entre as quais o Clube Sénior, a Teleassistência Sénior, a Rede Social e o Radar Social.
O próprio diagnóstico social municipal tem identificado o isolamento e a vulnerabilidade da população idosa como áreas que exigem acompanhamento continuado. Um diagnóstico anterior do concelho registava, com base nos Censos Sénior de 2018, quatro pessoas isoladas e 56 em situação de vulnerabilidade sinalizadas pela GNR em Penacova, embora estes números sejam históricos e não possam ser usados como retrato da situação atual.
Burlas e furtos continuam entre os principais riscos
A necessidade de manter este trabalho de prevenção é reforçada pelos dados mais recentes relativos à criminalidade.
Na área de responsabilidade da GNR, entre janeiro e agosto de 2026, foram registados 2 720 crimes de burla contra idosos, 4 545 crimes de furto e 417 crimes de roubo.
No mesmo período, a atuação da Guarda resultou na detenção de uma pessoa por burla, 48 por crimes de furto e 20 suspeitos por crimes de roubo, segundo os dados divulgados no âmbito da Operação Censos Sénior 2026.
A operação que agora começa pretende, assim, ir além da simples atualização de uma base de dados: o contacto direto com os idosos permite identificar situações de risco, transmitir conhecimentos de autoproteção e, quando necessário, aproximar a pessoa vulnerável das respostas sociais e das restantes entidades que podem contribuir para a sua proteção.
Para um concelho como Penacova, onde existem comunidades envelhecidas e localidades dispersas pelas oito freguesias e uniões de freguesias, este trabalho de proximidade assume particular importância na identificação de situações que podem permanecer pouco visíveis no quotidiano.












