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Um ano depois do acordo celebrado com o Exército Português, os três municípios avançam para uma estratégia comum que integra património militar, natureza, cultura, gastronomia e turismo. Penacova assume um papel relevante através de vários locais ligados à presença e ao comando das forças anglo-lusas.

Os Municípios de Penacova, Mealhada e Mortágua apresentaram este domingo, 27 de setembro, a Rota da Batalha do Bussaco, um projeto conjunto desenvolvido com o Exército Português para valorizar e ligar os principais locais e vestígios associados à batalha travada em 1810. A apresentação, integrada nas comemorações dos 216 anos da Batalha do Bussaco, assinala uma nova etapa de um acordo firmado há um ano e pretende transformar o património histórico dos três concelhos num produto turístico comum, cruzando História, natureza, cultura, gastronomia e Turismo Militar.

Penacova com três pontos de intervenção

O concelho de Penacova assume uma presença concreta na nova Rota, com intervenções previstas no Posto de Comando de Wellington, no Museu do Moinho e em Santo António do Cântaro.

Estes locais integram um território que conserva importantes marcas da campanha militar de 1810 e ajudam a compreender a dimensão da Batalha do Bussaco para além do seu núcleo mais conhecido, situado na Mata Nacional do Bussaco.

O Posto de Comando de Wellington, em Cerquedo, na freguesia de Penacova, constitui uma das referências patrimoniais mais diretamente relacionadas com o comando das forças luso-britânicas. Já Santo António do Cântaro, na freguesia de Carvalho, está associado ao território onde se desenrolaram importantes movimentos militares durante a Terceira Invasão Francesa.

A inclusão destes lugares na estratégia conjunta pretende contribuir para uma maior valorização de um património que, em Penacova, se encontra disperso pelo território e que ganha uma nova dimensão quando integrado numa leitura histórica comum aos três municípios.

Uma nova Rota que se cruza com uma estrutura já existente

A apresentação da nova Rota da Batalha do Bussaco surge num território onde já existe uma importante infraestrutura de visitação: a Grande Rota do Bussaco.

Segundo o Município da Mealhada, a Grande Rota é um percurso linear com 56 quilómetros, tendo a Mata Nacional do Bussaco como epicentro e estabelecendo ligações aos três concelhos limítrofes — Mealhada, Mortágua e Penacova. A rede inclui um percurso de 21 quilómetros entre Mortágua e o Bussaco e outro de 23 quilómetros entre Penacova e o Bussaco, aproveitando a paisagem, a biodiversidade, as aldeias e o património associado às invasões napoleónicas.

A existência desta estrutura permite enquadrar a nova Rota num território que já dispõe de uma lógica de ligação entre os três municípios. A diferença está no foco: enquanto a Grande Rota assume uma componente mais abrangente de percurso pedestre e de descoberta da paisagem e do património, a Rota da Batalha do Bussaco pretende organizar e valorizar especificamente a memória e os lugares relacionados com a batalha de 1810, associando-lhes uma estratégia comum de promoção turística.

Da história à experiência turística

O projeto pretende, por isso, ir além da simples recuperação ou sinalização de monumentos e lugares históricos. A intenção é criar uma experiência que permita ao visitante compreender os acontecimentos de 1810 enquanto percorre um território que conserva paisagem, património, tradições, gastronomia e atividades turísticas.

A própria Grande Rota do Bussaco evidencia essa diversidade. O percurso parte de diferentes ambientes da região, atravessando áreas de vinhedos da Bairrada, passando por Luso e chegando à Mata Nacional do Bussaco, onde se concentram elementos como o Convento de Santa Cruz, o Museu Militar, o monumento comemorativo da batalha e os miradouros da serra. A ligação a Penacova e Mortágua prolonga essa experiência para outros territórios e para as aldeias e paisagens relacionadas com a história das invasões napoleónicas.

É precisamente esta capacidade de juntar património histórico e património natural que os três municípios pretendem agora reforçar, associando a nova Rota ao Turismo Militar e ao Turismo de Natureza.

Património distribuído pelos três concelhos

O projeto prevê a valorização de vários locais diretamente relacionados com a Batalha do Bussaco.

Na Mealhada, estão identificados o Museu Militar do Bussaco e áreas adjacentes, a Capela de Nossa Senhora da Vitória, o Obelisco e Mural, as Portas de Sula e o Convento de Santa Cruz.

No concelho de Mortágua, estão previstas intervenções nos Moinhos da Moura, de Sula e do Meligioso.

Em Penacova, a intervenção incidirá no Posto de Comando de Wellington, no Museu do Moinho e em Santo António do Cântaro.

A lógica é, assim, territorialmente integrada: cada município conserva diferentes elementos da mesma história e todos passam a ser apresentados como partes de um património comum.

Uma estratégia para todo o ano

A valorização turística da Batalha do Bussaco pretende também contribuir para aumentar a permanência dos visitantes na região e reduzir a sazonalidade turística.

Ao ligar os locais históricos à natureza, gastronomia, artesanato e restante oferta turística, os municípios procuram criar motivos para que a visita não se limite a um único monumento ou a uma deslocação pontual à Mata Nacional do Bussaco.

Para Penacova, esta estratégia poderá reforçar a ligação entre o património histórico da batalha e outros recursos do concelho, integrando-os numa oferta regional mais ampla e potenciando a circulação de visitantes entre a Região de Coimbra, a Serra do Bussaco e os territórios de Mortágua e Mealhada.

Uma memória comum com 216 anos

A Batalha do Bussaco ocorreu a 27 de setembro de 1810, durante a Terceira Invasão Francesa, colocando frente a frente as forças luso-britânicas comandadas por Arthur Wellesley e o exército francês de André Masséna.

Os seus efeitos e movimentos militares ultrapassaram a área da atual Mata Nacional do Bussaco, deixando marcas nos três concelhos que agora procuram apresentar esse património de forma articulada.

A apresentação da Rota da Batalha do Bussaco, exatamente 216 anos depois da batalha e um ano após a assinatura do acordo entre os municípios e o Exército Português, representa assim uma nova etapa na valorização dessa memória.

Mais do que criar um novo percurso isolado, o projeto procura organizar uma narrativa comum sobre um território já atravessado por diferentes rotas, caminhos e lugares históricos, reforçando o papel de Penacova nessa rede patrimonial e turística.

A história da Batalha do Bussaco passa, desta forma, a ser apresentada não apenas como um acontecimento do passado, mas como um elemento capaz de ligar atualmente Penacova, Mealhada e Mortágua, contribuindo para a valorização cultural, turística e económica dos três territórios.

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