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Medida pretende reduzir prejuízos agrícolas, aproximação de animais às povoações e acidentes rodoviários. Penacova conhece há vários anos os impactos da presença da espécie, com prejuízos agrícolas denunciados por produtores e reuniões entre autarquia, caçadores e ICNF.

O Governo vai iniciar, durante a época de caça de outubro, um projeto-piloto para controlar a população de javalis nas zonas consideradas mais problemáticas do país, anunciou esta sexta-feira, 25 de setembro, o secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira. A iniciativa pretende responder aos prejuízos agrícolas, à aproximação dos animais às povoações e ao risco de acidentes rodoviários, mas a lista dos territórios que integrarão a primeira fase ainda não foi divulgada.

Penacova conhece há anos os impactos da espécie

No concelho de Penacova, distrito de Coimbra, os problemas associados à presença de javalis têm sido sinalizados há vários anos, sobretudo pelos prejuízos causados nas culturas agrícolas. Em agosto de 2023, agricultores do concelho e da região denunciaram perdas em campos de milho, vinhas e árvores de fruto e promoveram uma concentração junto à Câmara Municipal de Penacova, defendendo medidas mais eficazes de controlo da densidade da espécie e mecanismos de compensação pelos prejuízos.

O problema voltou a ser discutido institucionalmente. Na Assembleia Municipal de Penacova, em fevereiro de 2025, o Município deu conta de uma reunião promovida pela autarquia que juntou caçadores e representantes do ICNF, na Casa das Artes Martins da Costa, precisamente para abordar a problemática do javali.

Assim, embora o Governo ainda não tenha divulgado quais os territórios que integrarão o novo projeto-piloto, a sua eventual aplicação em Penacova poderá assumir particular relevância para um problema que produtores, autarquia e entidades ligadas à gestão cinegética e ambiental já acompanham há vários anos.

Governo prepara intervenção mais direcionada

Segundo Rui Ladeira, o projeto-piloto deverá incidir sobre territórios previamente identificados pelas autoridades como mais preocupantes. A intenção é acompanhar as intervenções, avaliar os resultados e recolher informação que permita definir posteriormente uma estratégia de âmbito mais abrangente.

O projeto tinha sido anunciado pelo ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, que apontou para a criação de um mecanismo de incentivo ao abate de javalis em áreas onde seja identificada sobrepopulação.

O Governo ainda não revelou, contudo, quais os concelhos que serão abrangidos pela primeira fase, pelo que não é possível confirmar, nesta data, se Penacova integrará o projeto-piloto.

Controlo da espécie já é uma preocupação nacional

A nova iniciativa surge depois de vários anos de medidas destinadas a reduzir a densidade de javalis. O próprio ICNF publicou, em fevereiro de 2026, um edital para a realização de ações extraordinárias de correção da densidade da espécie, justificando-as com a necessidade de prevenir a peste suína africana, reduzir os danos em culturas agrícolas e florestais e diminuir os acidentes rodoviários provocados por javalis.

O calendário venatório atualmente em vigor contempla igualmente a caça ao javali e estabelece as regras aplicáveis às diferentes modalidades e terrenos cinegéticos na época 2026/2027.

Penacova no Interior Centro, uma das áreas sob pressão

A dimensão do problema foi também evidenciada pelo Plano Estratégico e de Ação do Javali, promovido pelo ICNF e desenvolvido por investigadores da Universidade de Aveiro. A primeira fase do estudo, baseada em dados de 2022, estimou a população nacional em cerca de 300 mil animais e identificou uma elevada presença da espécie em várias regiões do país.

Em dezembro de 2025, demos aqui conta de um mapa europeu de densidade do javali que colocava o Interior Centro entre as zonas portuguesas com maior concentração da espécie, enquadrando Penacova nesse contexto e relacionando a presença dos animais com os prejuízos agrícolas e outros impactos no território.

A evolução da situação levou entretanto à apresentação, em setembro de 2026, da segunda fase do Plano Estratégico e de Ação do Javali em Portugal, num encontro dedicado ao setor do milho e aos prejuízos provocados pela fauna selvagem.

Agricultura, segurança rodoviária e saúde animal

Para além dos danos nas culturas, o controlo da população de javalis é justificado pelas autoridades por razões de segurança rodoviária e de saúde animal. O ICNF inclui expressamente a prevenção da peste suína africana entre os objetivos das medidas de correção da densidade da espécie.

A responsabilidade pelos prejuízos causados por espécies cinegéticas está igualmente enquadrada na legislação. Uma informação oficial do Governo recorda que os titulares ou gestores das zonas de caça podem ser responsáveis pelos danos provocados pelas espécies cinegéticas nos terrenos abrangidos e nos terrenos vizinhos, nos termos previstos no artigo 114.º do Decreto-Lei n.º 202/2004.

 

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