Projeto LIFE LUDWIGIA vai vigiar 671 quilómetros de rios e ribeiros durante cinco anos. Penacova integra os 19 municípios abrangidos pela estratégia de prevenção, deteção e controlo de espécies aquáticas invasoras.

A Região Metropolitana de Coimbra vai investir 2,61 milhões de euros, ao longo de cinco anos, no combate à expansão de espécies invasoras do género Ludwigia nos seus rios, ribeiros e zonas húmidas. O projeto europeu LIFE LUDWIGIA, apresentado esta quinta-feira, 24 de setembro, na Praia Fluvial da Peneda, em Góis, envolve os 19 municípios da Região de Coimbra, incluindo Penacova, e pretende conjugar prevenção, deteção precoce, controlo e recuperação dos habitats afetados. Mais de 1,56 milhões de euros são assegurados pela União Europeia.
Penacova integra a área de intervenção
A inclusão de Penacova é particularmente relevante num concelho marcado pelos rios Mondego e Alva e por diversos espaços ribeirinhos associados à biodiversidade, ao turismo e ao lazer. No entanto, não foi confirmada, nas fontes consultadas, a presença atual da Ludwigia no concelho de Penacova.
Segundo a informação apresentada no lançamento do projeto, a presença da planta invasora está atualmente identificada em Figueira da Foz, Montemor-o-Velho, Arganil e Tábua. A estratégia regional pretende, precisamente, evitar que novos focos se estabeleçam e se expandam para outros cursos de água.
O que é a Ludwigia?

A Ludwigia grandiflora, uma das espécies abrangidas pelo projeto, é uma planta aquática invasora originária da América do Sul. Desenvolve-se em ambientes aquáticos e zonas húmidas, podendo apresentar caules rastejantes ou flutuantes e formar grandes manchas de vegetação. As suas flores amarelas são uma das características mais facilmente reconhecíveis.
O problema está na sua capacidade de expansão. As plantas do género Ludwigia podem formar densas coberturas sobre a água e junto às margens, competindo com a vegetação autóctone, alterando as condições dos habitats e afetando a biodiversidade. A sua presença pode também dificultar alguns usos recreativos e náuticos dos cursos de água.
A propagação vegetativa constitui outro fator de preocupação: os caules podem enraizar nos nós e pequenos fragmentos podem contribuir para a colonização de novos locais. Por isso, o controlo exige intervenções cuidadosas e acompanhamento continuado, e não apenas a remoção pontual das plantas.
O LIFE LUDWIGIA incide especificamente sobre duas espécies invasoras, Ludwigia grandiflora e Ludwigia peploides, ambas consideradas espécies exóticas invasoras de preocupação para a União Europeia.
671 quilómetros de rios sob vigilância
O projeto terá uma duração de 60 meses, entre junho de 2026 e maio de 2031, e prevê acompanhar cerca de 671 quilómetros de rios e ribeiros da Região de Coimbra.
Serão criadas três equipas territoriais permanentes, com bases em Soure, Tábua e Lousã, além de três unidades de biossegurança para apoiar a gestão da biomassa retirada e um viveiro de flora nativa em Montemor-o-Velho para a recuperação das áreas intervencionadas.
A estratégia combinará trabalho de campo com ferramentas como deteção remota, informação geoespacial, análise de ADN ambiental e ciência cidadã, procurando identificar novos focos numa fase inicial. O projeto estabelece, entre outras metas, a deteção precoce de novos focos, a proteção de espécies nativas e a recuperação de habitats afetados.
Uma resposta que ultrapassa fronteiras municipais

A presidente da Região Metropolitana de Coimbra, Helena Teodósio, defendeu, na apresentação em Góis, uma mudança de abordagem perante os problemas ambientais, apostando na antecipação, conhecimento, cooperação e intervenção no terreno.
O secretário executivo da RMC, Jorge Brito, destacou a continuidade de uma estratégia regional que vem sendo desenvolvida há vários anos e que agora passa a dispor de uma estrutura permanente de vigilância e intervenção.
O projeto reúne a Agência Portuguesa do Ambiente, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, a Universidade de Coimbra, o Instituto Politécnico de Coimbra e a entidade espanhola DEX, sob coordenação da Região Metropolitana de Coimbra. Foi o único projeto português aprovado na convocatória LIFE 2025 na área da Natureza e Biodiversidade, segundo os responsáveis pela iniciativa.
Para Penacova, a importância da iniciativa está sobretudo na prevenção. A continuidade dos sistemas fluviais significa que uma espécie invasora não fica limitada aos limites administrativos de um município. Proteger o Mondego, o Alva e os restantes cursos de água implica, por isso, uma resposta coordenada à escala da Região de Coimbra.












