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Vários eleitos e membros do PS de Penacova reúnem-se sexta-feira com a Infraestruturas de Portugal para pedir respostas sobre a intervenção na estrada que liga o concelho a Coimbra. Município já tinha denunciado os atrasos e a falta de uma solução para a circulação.

ER110 continua encerrada entre Penacova e Coimbra, meses depois do deslizamento que levou à interrupção da circulação. Foto DR

Vários eleitos e membros do Partido Socialista (PS) de Penacova vão reunir-se esta sexta-feira, 25 de setembro, em Coimbra, com a Infraestruturas de Portugal (IP), para exigir esclarecimentos e um calendário concreto para a intervenção na Estrada Regional 110 (ER110), encerrada desde janeiro na sequência de um deslizamento de terras que atingiu a via na ligação entre Penacova e Coimbra. A iniciativa surge depois de meses de constrangimentos para moradores, trabalhadores, empresas e serviços de emergência, sem que tenha sido anunciada uma data para o início das obras.

O grupo integra, entre outros, o vereador do PS na oposição, Paulo Dias, e o presidente da Junta de Freguesia de Lorvão. O objetivo da reunião é obter da IP informação concreta sobre os procedimentos previstos, o calendário da intervenção e as condições necessárias para a reposição da circulação. A ER110 constitui uma ligação rodoviária relevante entre o concelho de Penacova e Coimbra e o seu encerramento obriga atualmente a recorrer a percursos alternativos, nomeadamente através da serra ou do IP3.

Um corte que se prolonga há oito meses

A situação arrasta-se desde 21 de janeiro, quando um deslizamento de talude ao quilómetro 12+635 levou ao corte total da ER110. Em fevereiro, a informação então transmitida pela Infraestruturas de Portugal indicava que ainda não estavam reunidas as condições de segurança para proceder à limpeza do material escorregado e que seria necessária uma nova avaliação técnica.

Na mesma altura, a IP informou que estava em curso um projeto para a estabilização do talude, cuja conclusão estava então prevista para o final do segundo trimestre de 2026. A intervenção tinha um investimento estimado em cerca de um milhão de euros e uma duração prevista entre seis e nove meses, ficando ainda por definir o calendário para o lançamento da empreitada.

Em agosto, o presidente da Câmara Municipal de Penacova, Álvaro Coimbra, revelou que o projeto de requalificação da ER110 tinha entretanto terminado em julho, mas que as obras continuavam sem avançar. O autarca voltou a colocar a situação na agenda política regional, defendendo uma intervenção mais rápida por parte da IP.

Moradores obrigados a fazer percursos mais longos

Para Paulo Dias, o prolongamento do encerramento está a ter consequências diretas na vida quotidiana das populações que utilizavam esta ligação para trabalhar ou deslocar-se para Coimbra.

De acordo com o vereador socialista, os percursos alternativos podem, em determinadas situações, mais do que duplicar a distância percorrida, aumentando o tempo de viagem e os custos suportados pelas famílias, numa altura em que as despesas de transporte continuam a pesar nos orçamentos domésticos.

O problema ultrapassa, contudo, a mobilidade dos residentes. O grupo socialista chama também a atenção para os efeitos sobre empresas ligadas às descidas do rio Mondego que utilizavam aquela via, bem como para as condições de acesso em situações de socorro.

A preocupação é particularmente relevante numa zona marcada pela presença de áreas florestais, uma vez que o encerramento da estrada pode condicionar a circulação de meios de emergência e de combate a incêndios. Esta questão já tinha sido levantada pelo presidente da Câmara de Penacova perante a IP.

Município já tinha pressionado a Infraestruturas de Portugal

A iniciativa do PS ocorre depois de o próprio Município de Penacova ter intensificado a pressão sobre a IP durante o verão.

Em 6 de agosto, Álvaro Coimbra criticou publicamente a ausência de soluções para duas estradas do concelho afetadas pelos acontecimentos meteorológicos de janeiro: a ER110 e a EN2, esta última na zona da Carvoeira, na freguesia de Penacova. A posição defendida pelo autarca foi posteriormente aprovada no Conselho Intermunicipal da Região de Coimbra, que exigiu respostas e soluções à Infraestruturas de Portugal.

No caso específico da ER110, o presidente da Câmara afirmou nessa ocasião que o projeto de requalificação já estava concluído, mas que os trabalhos ainda não tinham começado. Álvaro Coimbra revelou também que a IP tinha recusado a definição de um canal de emergência que pudesse ser utilizado em operações de combate a incêndios.

A posição municipal enquadra-se numa preocupação mais ampla com as acessibilidades do concelho de Penacova, que continua a enfrentar outros constrangimentos rodoviários desde o início do ano.

Assembleia Municipal aprovou ação contra a IP

A contestação política ao prolongamento do encerramento chegou também à Assembleia Municipal de Penacova.

Em 25 de junho, o PS apresentou uma proposta para que o executivo municipal avançasse com uma ação judicial contra a Infraestruturas de Portugal, tendo em vista reclamar indemnização pelos prejuízos decorrentes dos constrangimentos provocados pelo encerramento da estrada.

A proposta foi aprovada por unanimidade e, segundo a informação divulgada esta quarta-feira pela agência Lusa, o executivo municipal, liderado por Álvaro Coimbra, ficou mandatado para avançar com a ação no prazo de 90 dias.

O prazo definido pela Assembleia Municipal coloca agora a questão da eventual ação judicial também no centro da atenção política local, a par da reunião que o PS terá esta sexta-feira com a IP.

Região de Coimbra acompanha situação

A ER110 não é apenas uma ligação de interesse local. A estrada integra a rede regional e estabelece a ligação entre o território de Penacova e Coimbra, sendo utilizada diariamente por residentes, transportes e outros utilizadores.

O Plano Diretor Municipal de Penacova identifica a ER110 como estrada regional entre a ER2 e o limite do concelho de Coimbra.

A prolongada interrupção da circulação tem, por isso, uma dimensão que ultrapassa o próprio concelho, afetando a mobilidade entre Penacova e a Região de Coimbra e reforçando a dependência de itinerários alternativos.

Em agosto, a Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra associou-se à pressão sobre a IP, aprovando uma tomada de posição destinada a exigir respostas e soluções para as estradas afetadas.

Sexta-feira pode trazer respostas sobre as obras

É neste contexto que o grupo de eleitos e militantes socialistas de Penacova se deslocará sexta-feira a Coimbra para reunir com a Infraestruturas de Portugal.

A principal expectativa é obter uma calendarização concreta para a intervenção na ER110, esclarecendo quando poderá avançar a empreitada de estabilização e requalificação e em que condições poderá ser restabelecida a circulação.

A aproximação do período de maior precipitação acrescenta urgência à questão, segundo Paulo Dias, que considera necessário conhecer finalmente um calendário que permita às populações e às empresas saber quando poderá ser ultrapassado um constrangimento que se prolonga desde janeiro.

Até ao momento, e com base na informação pública consultada, não foi identificada uma data oficial da Infraestruturas de Portugal para o início da empreitada ou para a reabertura da ER110. A reunião de sexta-feira poderá, por isso, constituir um momento importante para esclarecer o calendário da intervenção numa das principais ligações rodoviárias entre Penacova e Coimbra.

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