Mais de 500 operacionais continuam no terreno após uma noite de combate às chamas. Distrito de Coimbra está entre as regiões abrangidas pelo perigo máximo de incêndio rural num domingo marcado por calor e vento.

O incêndio que, desde sábado, atingiu os concelhos de Vila Nova de Poiares, Arganil e Góis, no distrito de Coimbra, entrou em fase de resolução durante a madrugada, mas mantém este domingo um dispositivo superior a 500 operacionais no terreno, depois de as chamas terem ameaçado habitações em Sabouga, freguesia de Lavegadas, em Vila Nova de Poiares. A ocorrência teve origem em três ignições e surge num contexto meteorológico particularmente adverso: segundo o IPMA, mais de 60 municípios de nove distritos, incluindo Coimbra, estão hoje em perigo máximo de incêndio rural, enquanto quase todo o território continental se encontra em perigo muito elevado.
Incêndio entrou em resolução durante a madrugada
A situação evoluiu favoravelmente durante a noite, depois de uma tarde marcada por várias frentes de fogo e pela aproximação das chamas a habitações.
O incêndio chegou a mobilizar 806 operacionais, 260 viaturas e 15 meios aéreos. Ao início da manhã permaneciam ainda no terreno mais de meio milhar de elementos, numa operação destinada a consolidar o perímetro, realizar o rescaldo e prevenir reacendimentos.
A dimensão do dispositivo demonstra a complexidade da ocorrência, que atravessou território de três concelhos da Região de Coimbra.
Três ignições em Arganil e Vila Nova de Poiares
O fogo teve origem em três ignições registadas durante a tarde de sábado.
Duas ocorreram na zona de Sabouga, freguesia de Lavegadas, concelho de Vila Nova de Poiares, enquanto uma terceira teve origem em Murganheira, localidade da freguesia de Pombeiro da Beira, no concelho de Arganil.
Os focos acabaram por convergir numa frente de maiores dimensões, com progressão em direção ao concelho de Góis.
A origem das ignições deverá ser investigada pelas autoridades. Não está, para já, confirmada a causa dos fogos.
Sabouga esteve na situação mais delicada
A aldeia de Sabouga, na freguesia de Lavegadas, viveu uma das fases mais críticas da ocorrência, quando as chamas se aproximaram das habitações.
A intervenção dos bombeiros permitiu evitar danos nas casas, apesar da intensidade do fogo e das condições meteorológicas adversas.
No concelho de Góis, também no distrito de Coimbra, Chapinheira e Vila Nova de Ceira, na freguesia de Vila Nova do Ceira, estiveram igualmente sob ameaça.
Por precaução, seis pessoas foram retiradas de três localidades do concelho de Góis, segundo informação do vice-presidente da Câmara Municipal, Nuno Bandeira, citada pela Lusa.
Três bombeiros ficaram feridos
A ocorrência provocou ferimentos em três bombeiros.
Entre os feridos está o comandante dos Bombeiros de Arganil, atingido por uma viatura da Guarda Nacional Republicana durante as operações de combate.
A informação disponível aponta para ferimentos ligeiros.
Mais de 60 concelhos em perigo máximo
A evolução deste incêndio ocorre num momento particularmente preocupante para o território nacional.
Segundo a informação divulgada este domingo pela Agência Lusa, através do Observador, o IPMA colocou mais de 60 municípios em perigo máximo de incêndio rural. Estão abrangidos concelhos dos distritos de Bragança, Guarda, Viseu, Castelo Branco, Coimbra, Leiria, Santarém, Portalegre e Faro.
Em perigo muito elevado encontra-se quase todo o território continental, enquanto cerca de 30 concelhos estão classificados em perigo elevado, distribuídos por vários distritos do Norte, Centro, Lisboa e Alentejo, além do Algarve.
O IPMA prevê que o perigo de incêndio rural se mantenha muito elevado em algumas regiões pelo menos até ao final da próxima semana.
Penacova ainda tem presente o incêndio da Serra da Atalhada
A situação assume particular relevância para Penacova, onde, há menos de três semanas, um incêndio na Serra da Atalhada, na União das Freguesias de Friúmes e Paradela, mobilizou mais de 200 operacionais e 13 meios aéreos.
O alerta para o incêndio foi dado às 17h06 de 1 de setembro, tendo o fogo sido dado como dominado e em resolução pelas 19h28, segundo informação do Comando Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil da Região de Coimbra citada pela Lusa. As chamas evoluíram numa zona de eucaliptal e mato, sem terem colocado em risco habitações ou pessoas.
A ocorrência constitui um antecedente recente no concelho, numa altura em que Penacova e os restantes municípios da Região de Coimbra voltam a enfrentar condições meteorológicas favoráveis à propagação de incêndios rurais.
A proximidade de Penacova aos concelhos de Vila Nova de Poiares, Arganil e Góis, agora afetados pelo incêndio, reforça a importância da prevenção e da vigilância no território penacovense, particularmente nas zonas de maior ocupação florestal.
Calor e vento agravam risco de incêndio
O IPMA explica que o perigo de incêndio rural é calculado tendo em conta fatores como a temperatura do ar, a humidade relativa, a velocidade do vento e a precipitação registada nas 24 horas anteriores. O sistema estabelece cinco níveis, de reduzido a máximo.
Para este domingo está ainda previsto vento forte nas terras altas do Centro e Sul, numa conjugação meteorológica particularmente desfavorável para o combate e para a prevenção de incêndios.
O instituto alargou entretanto os avisos de tempo quente a 11 distritos do continente. Coimbra encontra-se entre os distritos abrangidos pelo aviso amarelo devido à persistência de valores elevados da temperatura máxima.
O episódio de calor está associado, segundo o IPMA, à influência de um anticiclone localizado a norte dos Açores, que se estende em direção ao Golfo da Biscaia e favorece o transporte de uma massa de ar quente e seco sobre a Península Ibérica.
Vigilância mantém-se nas próximas horas
Com o incêndio entre Arganil, Vila Nova de Poiares e Góis em fase de resolução, o dispositivo mantém-se no terreno para garantir a consolidação das áreas afetadas e detetar eventuais reacendimentos.
A evolução meteorológica será determinante nas próximas horas.
Para Penacova e para os restantes concelhos da Região de Coimbra, o quadro aconselha uma especial atenção às regras de prevenção de incêndios rurais, num domingo em que o calor, a secura e o vento se conjugam para manter elevado o risco de propagação das chamas.












