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Regresso às aulas reforça atenção à segurança rodoviária, bullying, cyberbullying, violência no namoro e comportamentos de risco. Programa abrange mais de 4.400 estabelecimentos escolares e cerca de 670 mil alunos em todo o território continental.

A Guarda Nacional Republicana (GNR) inicia esta sexta-feira, 11 de setembro, a Campanha “Escola Segura” 2026/2027, uma operação de sensibilização dirigida a alunos, professores, encarregados de educação e restantes elementos da comunidade escolar, que abrange mais de 4.400 estabelecimentos de ensino e cerca de 670 mil alunos na área de responsabilidade da Guarda. A iniciativa pretende reforçar comportamentos de autoproteção, promover uma cultura de respeito e inclusão e prevenir situações de risco e comportamentos desviantes no meio escolar e na sua envolvente.

O regresso às aulas representa também um período de maior circulação de crianças e jovens nas estradas, nos transportes escolares e nas zonas envolventes aos estabelecimentos de ensino. Por esse motivo, a GNR dá particular atenção à segurança rodoviária, recordando a obrigatoriedade da utilização de cintos de segurança e dos sistemas de retenção adequados às crianças.

No concelho de Penacova, a campanha assume particular relevância perante uma rede escolar que inclui a Escola Básica e Secundária de Penacova, sede do Agrupamento de Escolas de Penacova, bem como escolas básicas em São Pedro de Alva, Aveleira, Joaquim Oliveira Marques, Lorvão, Penacova e Seixo. O Município identifica ainda jardins de infância em Aveleira e Espinheira.

Mais de 17 mil ações de sensibilização no último ano letivo

Os dados apresentados pela GNR relativos ao último ano letivo mostram a dimensão da intervenção do Programa Escola Segura. Segundo a informação divulgada pela Guarda, foram abrangidos 790.073 utentes da comunidade escolar, entre alunos, professores, auxiliares de educação e encarregados de educação, tendo sido realizadas 17.276 ações de sensibilização.

No mesmo período, a GNR registou 2.631 crimes em ambiente escolar. Entre as ocorrências mais frequentes surgem as ofensas à integridade física voluntárias simples, com 950 casos, as situações de ameaça e coação, com 388, o furto de oportunidade de objetos não guardados, com 137, e os casos de difamação, calúnia e injúria, que totalizaram 118 ocorrências.

Apesar de apresentarem números mais reduzidos, a GNR chama igualmente a atenção para crimes de maior gravidade pela natureza das vítimas e das condutas envolvidas. Entre estes encontram-se 61 casos de outros crimes contra a liberdade e autodeterminação sexual, 45 situações de maus-tratos ou sobrecarga de menores, 45 ocorrências relacionadas com posse ou tráfico de armas proibidas, 44 casos de tráfico de estupefacientes e 20 de abuso sexual de crianças, adolescentes e menores dependentes ou em situação vulnerável.

Foram ainda contabilizadas 748 ocorrências de natureza não criminal, incluindo 374 situações de perturbação das atividades escolares, 230 casos de abandono escolar e 84 relacionados com comportamentos aditivos.

Policiamento de proximidade é uma das prioridades

A intervenção da GNR no âmbito da Escola Segura não se limita ao patrulhamento junto das escolas. As Secções de Prevenção Criminal e Policiamento Comunitário (SPC), que integram mais de 400 militares em todo o território continental, desenvolvem ações de sensibilização, patrulhamento de proximidade, demonstrações de meios e capacidades e visitas às instalações da Guarda.

Estas equipas participam igualmente na sinalização e acompanhamento de crianças e jovens em situação de perigo, em articulação com as entidades competentes.

O próprio Município de Penacova mantém uma estrutura local de proteção das crianças e jovens através da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ), na qual participa também a GNR, juntamente com representantes de várias entidades públicas e da comunidade local. A CPCJ de Penacova tem como missão promover os direitos das crianças e jovens e prevenir ou pôr termo a situações suscetíveis de afetar a sua segurança, saúde, formação, educação ou desenvolvimento integral.

Bullying e cyberbullying entre os alertas da campanha

Entre os temas abordados pela GNR encontram-se o bullying e o cyberbullying, fenómenos que podem ultrapassar os limites físicos da escola e prolongar-se através das redes sociais e de outras plataformas digitais.

Aos estudantes é recomendado que não sejam cúmplices perante situações de bullying e que comuniquem os casos a um adulto de confiança. A Guarda aconselha ainda a evitar confrontos, permanecer acompanhado e procurar ajuda perante comportamentos intimidatórios.

Nos casos de cyberbullying, a orientação passa por guardar mensagens, imagens ou outros conteúdos ofensivos que possam servir como prova, não responder ao agressor e procurar o apoio de pais, encarregados de educação, professores ou outros adultos de confiança. A GNR recomenda também que quem testemunhe estas situações não partilhe os conteúdos ofensivos e incentive a vítima a pedir ajuda.

Segurança começa também em casa

A campanha coloca igualmente responsabilidades nos encarregados de educação. A GNR recomenda o acompanhamento regular da atividade escolar e digital dos filhos e alerta para a importância de estar atento a alterações comportamentais que possam indiciar situações de bullying ou cyberbullying.

Em caso de suspeita, os encarregados de educação devem preservar eventuais evidências e contactar rapidamente as autoridades. A Guarda sublinha, neste contexto, que a educação para a segurança começa também no contexto familiar.

A segurança digital constitui outro dos eixos da campanha. Entre os conselhos dirigidos aos jovens está a proteção das palavras-passe, a utilização criteriosa das redes sociais e a prudência na aceitação de pedidos de amizade ou no contacto com pessoas desconhecidas através da Internet.

Segurança no caminho para a escola

A GNR recomenda ainda que os estudantes adotem comportamentos simples que podem reduzir riscos no percurso entre casa e a escola. Entre eles estão a utilização das passadeiras, a deslocação acompanhada ou em grupo quando possível, evitando locais isolados ou pouco iluminados, e a manutenção de meios de contacto durante o trajeto.

A Guarda aconselha também os jovens a terem guardado no telemóvel o número do Posto da GNR local, de preferência numa tecla de marcação rápida.

Com o aumento do movimento rodoviário associado ao regresso às aulas, a sensibilização estende-se naturalmente aos condutores, sobretudo nas proximidades das escolas e nos horários de entrada e saída dos alunos. A utilização do cinto de segurança e dos sistemas de retenção para crianças permanece uma obrigação e uma das mensagens centrais da campanha.

Violência no namoro também integra a prevenção

A campanha “Escola Segura” aborda ainda a violência no namoro, procurando alertar os jovens para comportamentos que podem constituir sinais de controlo e violência numa relação.

Entre os sinais de alerta apontados estão o controlo excessivo, os ciúmes, os insultos, as humilhações e o isolamento social imposto pelo parceiro. Perante uma situação de risco, a recomendação é procurar imediatamente um local seguro ou contactar o 112 e partilhar a situação com familiares, professores ou outros adultos de confiança.

Escola Segura aposta numa cultura de prevenção

O Programa Escola Segura constitui uma das áreas de intervenção da GNR dedicadas à prevenção e segurança das comunidades escolares. A Guarda enquadra-o numa lógica de prevenção de comportamentos de risco, redução de situações que possam comprometer a segurança de alunos e profissionais e reforço da cidadania, do respeito e da responsabilidade entre os jovens.

A iniciativa ganha expressão concreta também no concelho de Penacova, onde a segurança das crianças e jovens envolve não apenas as forças de segurança, mas igualmente as escolas, famílias, Município, CPCJ e restantes entidades com responsabilidades na área da educação e proteção de menores.

Num novo ano letivo, a mensagem da campanha é, por isso, essencialmente preventiva: identificar riscos, agir antes que os problemas se agravem e reforçar a proximidade entre a comunidade escolar, as famílias e as entidades responsáveis pela segurança.

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