Publicidade
Depois de tantas palavras dedicadas ao Mondego, às paisagens, às memórias e às emoções que atravessam o território de Penacova, Daniel Gomes Alves regressa à nossa página com a sua XII poesia. Em “Depois do Verão”, o poeta volta a olhar para a passagem do tempo e para aquilo que fica quando os dias longos e luminosos começam a dar lugar a uma nova estação.

XII
Depois do verão
O verão vai-se embora devagar,
e o Mondego fica mais silencioso.
As praias perdem as vozes,
e o rio retoma o seu passo vagaroso.
As toalhas já não ocupam as margens,
os guarda-sóis fecham-se ao fim do dia.
Paredes volta ao seu ritmo antigo,
feito de silêncio, trabalho e memória.
Os que vieram regressam às estradas,
levando na bagagem mais um verão.
Ficam os velhos à porta das casas,
guardando abraços dentro do coração.
E quando setembro chega à serra,
fica a saudade de quem partiu.
O verão acaba, mas não a promessa:
há sempre um regresso ao lugar que nos viu.
Publicidade












