Publicidade

Agosto despede-se de Paredes e, com ele, partem as vozes, os encontros e a vida que regressou à aldeia durante o verão. No XI poema, Daniel Gomes Alves escreve sobre a saudade de quem parte e sobre a espera silenciosa de quem fica, guardando a certeza de um novo regresso.

XI
Quando agosto vai embora

Agosto vai embora devagar,
e Paredes começa a ficar mais silenciosa.
As malas aparecem junto às portas,
como quem já sabe o caminho de cor.

Nas ruas, ficam abraços demorados,
promessas de voltar no próximo verão.
Os carros descem a serra carregados
de saudade, presentes e recordações.

Durante semanas, a aldeia voltou a viver,
com vozes, crianças e janelas abertas.
Agora o silêncio regressa às casas,
e o tempo volta a andar mais devagar.

Lá fora, espera outra vida, outro país.
Aqui ficam os avós, o Alva e as memórias.
E quando a estrada leva os que partiram,
Paredes fica à espera de mais um agosto.

Daniel Gomes Alves

Publicidade
Artigo anteriorUso de telemóveis proibido até ao 9.º ano e novas regras para professores promulgados pelo Presidente
Próximo artigoVila Galé Collection Penacova abre em 2027 e vai devolver novo impulso turístico ao centro da vila

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui