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Unidade de saúde da freguesia de Lorvão, no concelho de Penacova, está encerrada há quase dois meses, segundo a Junta de Freguesia, que reclama a reposição de cuidados médicos de proximidade e a recolocação de um dos médicos que anteriormente ali prestava serviço.

Mário João Rosa dos Santos Escada, eleito pelo PS, é presidente da junta da freguesia de Lorvão

A Junta de Freguesia de Lorvão voltou a manifestar publicamente a sua preocupação com o funcionamento da Extensão de Saúde de Lorvão e exige uma resposta imediata para a reposição do serviço, numa altura em que, segundo a posição agora divulgada pelo presidente da autarquia, Mário João Rosa dos Santos Escada, a unidade permanece encerrada há quase dois meses. A Junta considera particularmente grave o impacto da situação numa população envelhecida e reclama, no mínimo, o regresso de um dos médicos que anteriormente asseguravam consultas naquela extensão.

Encerramento prolongado preocupa Junta de Lorvão

A Extensão de Saúde localiza-se na vila de Lorvão, freguesia de Lorvão, no concelho de Penacova, e integra a rede de cuidados de saúde primários do território.

A situação não é nova. Em julho, a Câmara Municipal de Penacova e a Junta de Freguesia de Lorvão já tinham tornado pública a sua preocupação com os sucessivos constrangimentos e encerramentos da unidade, exigindo à Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra a reposição das condições regulares de funcionamento.

Na nova tomada de posição, a Junta de Lorvão considera que a situação se agravou e questiona se estará em curso um processo de redução progressiva da resposta prestada naquela extensão.

A afirmação é apresentada pela autarquia como uma preocupação e não como um facto comprovado. Não foi localizada, até ao momento, uma informação pública da ULS de Coimbra que confirme a existência de qualquer decisão de encerramento definitivo ou de redução estrutural da unidade.

De médico a tempo inteiro para uma presença cada vez mais reduzida

A Junta estabelece também uma comparação com a realidade existente há cerca de cinco anos.

Segundo o testemunho agora divulgado, nessa altura Lorvão dispunha de um médico a tempo inteiro e de outra médica que assegurava quatro dias de serviço por semana. Com a substituição desta última, a disponibilidade médica terá sido progressivamente reduzida, primeiro para dois dias semanais e posteriormente para apenas um.

A Junta entende que esta redução da oferta terá contribuído para que alguns utentes fossem encaminhados para a Unidade de Saúde Familiar (USF) de Penacova ou para o médico que permanecia a tempo inteiro, diminuindo gradualmente o número de pessoas acompanhadas na extensão de Lorvão.

Estes elementos são, nesta fase, dados apresentados pela Junta de Freguesia e não foram encontrados em fonte pública da ULS de Coimbra que permita confirmar autonomamente a evolução do quadro médico descrita.

População envelhecida aumenta impacto da falta de resposta

O principal argumento da autarquia prende-se com o perfil demográfico da freguesia e com a importância dos cuidados de proximidade.

A Junta sustenta que Lorvão tem uma população envelhecida, com muitos idosos que necessitam de acompanhamento médico e de enfermagem regular. Para estes utentes, a deslocação até Penacova pode representar uma dificuldade acrescida, sobretudo quando dependem de familiares, transportes ou de terceiros.

A questão ultrapassa, assim, a existência física de uma infraestrutura de saúde. Está em causa a capacidade efetiva de garantir acesso regular aos cuidados primários numa freguesia do concelho de Penacova.

A preocupação surge num território onde o Município tem vindo, simultaneamente, a investir na modernização da rede de saúde.

Mais de 600 mil euros em requalificações no concelho

Em maio, o Município de Penacova informou que estavam em curso as obras de requalificação das extensões de saúde de Figueira de Lorvão e Lorvão, intervenções financiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e integradas num investimento global superior a 600 mil euros.

No caso específico da Extensão de Saúde de Lorvão, a Câmara Municipal indicou anteriormente um investimento na ordem dos 300 mil euros.

A própria documentação municipal relativa ao projeto confirma a existência de uma empreitada de requalificação da Extensão de Saúde de Lorvão, situada no Largo do Mosteiro, em Lorvão.

O Município inaugurou também, em abril, a requalificação do Centro de Saúde de Penacova, numa intervenção superior a um milhão de euros, integrada numa estratégia mais ampla de modernização das infraestruturas de cuidados de saúde do concelho.

É neste contexto que a Junta de Lorvão considera particularmente preocupante que uma infraestrutura objeto de investimento público significativo esteja, segundo afirma, sem funcionamento regular.

Câmara e Junta já tinham alertado a ULS de Coimbra

A posição agora assumida pela Junta surge menos de dois meses depois do comunicado conjunto divulgado pela Câmara Municipal de Penacova e pela Junta de Freguesia de Lorvão.

Nesse documento, publicado em 8 de julho, as duas autarquias manifestaram descontentamento com os sucessivos constrangimentos e encerramentos da extensão e afirmaram ter transmitido a situação à ULS de Coimbra e à USF de Penacova.

As autarquias defenderam então a necessidade de garantir os profissionais indispensáveis ao funcionamento da unidade e a continuidade dos cuidados prestados à população.

A nova intervenção da Junta demonstra que, pelo menos do ponto de vista da autarquia local, a situação continua sem uma solução considerada satisfatória.

Junta exige regresso de um dos médicos

Perante este cenário, Mário João Rosa dos Santos Escada coloca uma exigência concreta: a recolocação de um dos médicos que anteriormente prestavam serviço em Lorvão.

A reivindicação é apresentada como uma medida mínima e imediata para recuperar a capacidade de resposta da extensão, enquanto permanece por esclarecer publicamente quando será retomado o funcionamento regular da unidade e em que moldes.

A Junta de Freguesia não anuncia qualquer encerramento definitivo. O que reclama é a reposição da prestação de cuidados de saúde de proximidade, considerando que a população de Lorvão não pode continuar sem uma resposta adequada.

Investimento nas instalações não resolve, por si só, a falta de profissionais

O caso de Lorvão coloca uma questão mais ampla sobre a eficácia dos investimentos em infraestruturas de saúde quando estes não são acompanhados por recursos humanos suficientes.

No concelho de Penacova estão em curso ou foram recentemente concluídas várias intervenções de modernização de equipamentos de saúde. A requalificação do Centro de Saúde de Penacova e das extensões de Lorvão, Figueira de Lorvão e São Pedro de Alva representa um esforço significativo de investimento público.

Para a população, contudo, a existência de instalações renovadas só produz plenamente os efeitos esperados quando existe capacidade clínica para assegurar consultas, enfermagem e acompanhamento continuado.

É essa diferença entre infraestrutura e resposta efetiva que a Junta de Freguesia de Lorvão volta agora a colocar no centro do debate.

O que está confirmado

Está documentado que a Câmara Municipal de Penacova e a Junta de Freguesia de Lorvão já manifestaram, em julho, preocupação com os sucessivos constrangimentos e encerramentos da Extensão de Saúde de Lorvão e exigiram à ULS de Coimbra a reposição do funcionamento regular.

Está igualmente confirmado pelo Município que a extensão está abrangida por uma intervenção de requalificação financiada pelo PRR.

Já a afirmação de que a unidade está atualmente encerrada há quase dois meses, bem como a evolução do número de dias de presença médica ao longo dos últimos anos, são informações constantes da posição agora divulgada pela Junta de Freguesia e não foram encontradas, até ao momento, em fonte oficial da ULS de Coimbra que permita uma confirmação independente.

A Extensão de Saúde de Lorvão mantém, contudo, uma referência institucional pública na Junta de Freguesia, com indicação de contactos e horário de funcionamento, o que não permite concluir, por si só, que o serviço esteja efetivamente aberto ou a funcionar nesses horários.

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