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O balanço oficial da campanha “Taxa Zero ao Volante” revela 2.876 acidentes entre 18 e 24 de agosto. No Continente ocorreram 2.693 acidentes e morreram dez pessoas, enquanto as Regiões Autónomas registaram 183 acidentes e não contabilizaram vítimas mortais.

Dez pessoas morreram e 1.008 ficaram feridas em 2.876 acidentes rodoviários registados em Portugal entre 18 e 24 de agosto de 2026, segundo o balanço divulgado pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), pela Guarda Nacional Republicana (GNR) e pela Polícia de Segurança Pública (PSP). A sinistralidade ocorreu durante a oitava campanha do Plano Nacional de Fiscalização (PNF) de 2026, dedicada aos riscos da condução sob o efeito do álcool.

Do total nacional resultaram 60 feridos graves e 948 feridos leves. No território continental, onde se concentraram todas as vítimas mortais, foram registados 2.693 acidentes, enquanto os Açores e a Madeira contabilizaram 183 ocorrências.

Dez mortos no Continente

Os dados oficiais mostram que os 2.693 acidentes ocorridos no Continente representaram 94% do total nacional e provocaram dez mortos, 58 feridos graves e 905 feridos leves.

Nas Regiões Autónomas registaram-se 183 acidentes, correspondentes a 6% do total, dos quais resultaram dois feridos graves e 43 feridos leves.

Por área de atuação das forças de segurança, a GNR registou 1.854 acidentes, que provocaram sete mortos, 51 feridos graves e 650 feridos leves.

Na área sob jurisdição da PSP ocorreram 1.022 acidentes, com três mortos, nove feridos graves e 298 feridos leves.

Menos mortes, mas mais feridos graves

A comparação com o período homólogo de 2025 apresenta uma evolução desigual.

Entre 18 e 24 de agosto de 2026 registaram-se mais 115 acidentes, mas menos quatro vítimas mortais. Ao mesmo tempo, o número de feridos graves aumentou em 20 e o de feridos leves em 42.

Em termos percentuais, a ANSR, GNR e PSP apontam para uma redução de 28,6% das vítimas mortais, acompanhada por um aumento de 50% dos feridos graves e de 4,6% dos feridos leves.

Os números mostram, assim, que a redução da mortalidade não foi acompanhada por uma diminuição global da gravidade das consequências dos acidentes.

Mais de meio milhão de veículos fiscalizados

Durante a campanha, as forças de segurança fiscalizaram, presencialmente e através de radar, 507.355 veículos e condutores.

Foram realizados 37.196 testes de álcool, dos quais 788 apresentaram resultado positivo, correspondendo a uma taxa de infração de 2,1%.

Além da condução sob o efeito do álcool, a fiscalização incidiu sobre outras infrações consideradas relevantes para a segurança rodoviária, nomeadamente a ausência ou utilização incorreta de equipamentos de segurança, problemas relacionados com a documentação e as condições técnicas dos veículos, excesso de velocidade e utilização indevida do telemóvel durante a condução.

A campanha permitiu ainda sensibilizar diretamente 642 condutores.

Cascais e Oeiras também receberam ações

Apesar de a campanha ter tido como território principal de intervenção os distritos de Beja, Bragança e Leiria, o dispositivo foi reforçado na Área Metropolitana de Lisboa.

Na noite de 20 para 21 de agosto, ANSR, GNR e PSP realizaram duas ações de sensibilização e fiscalização em Cascais e Oeiras, que contaram com a presença do secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, e do presidente da ANSR, Pedro Clemente.

A iniciativa procurou reforçar a mensagem de que mesmo pequenas quantidades de álcool podem afetar a condução e aumentar o risco de acidente.

Entre as recomendações transmitidas aos condutores estiveram a escolha de um condutor designado, a utilização de transportes alternativos e o planeamento antecipado do regresso a casa.

Álcool continua a ser um fator de risco

A campanha “Taxa Zero ao Volante” teve como objetivo específico combater a condução sob o efeito do álcool, identificada pelas autoridades como um dos principais fatores de risco da sinistralidade rodoviária.

Os dados apresentados no balanço mostram que, em 2025, foram realizados cerca de 2,1 milhões de testes de álcool em Portugal, tendo 1,6% apresentado resultado positivo.

No mesmo ano, as infrações relacionadas com a condução sob o efeito do álcool representaram cerca de 2,4% do total das infrações rodoviárias registadas no país.

A mensagem central da campanha é, por isso, direta: se beber, não conduza.

Penacova: segurança rodoviária num território com vários constrangimentos

O balanço nacional não apresenta dados desagregados por município, pelo que não é possível determinar quantos acidentes ocorreram em Penacova entre 18 e 24 de agosto, nem estabelecer qualquer relação entre as vítimas contabilizadas nacionalmente e o concelho.

Ainda assim, a questão da segurança rodoviária assume particular importância para os habitantes de Penacova, num território onde persistem constrangimentos relevantes na rede viária.

A ER110, ligação entre Penacova e Coimbra, continua condicionada na sequência do deslizamento ocorrido no início do ano, obrigando à utilização de itinerários alternativos. Também a EN2, na zona da Carvoeira, freguesia de Penacova, esteve sujeita a condicionamentos decorrentes de um deslizamento de terras.

A estas situações juntam-se as intervenções e condicionamentos periódicos no IP3, uma das principais vias de ligação utilizadas por quem circula entre Penacova, Coimbra e a região Centro.

Neste contexto, a segurança rodoviária no concelho não depende apenas do comportamento individual dos condutores. As condições das vias, a sinalização, a manutenção das infraestruturas e a existência de alternativas de circulação seguras são igualmente determinantes.

Importa, contudo, sublinhar que os dados oficiais desta campanha não permitem retirar conclusões específicas sobre a sinistralidade em Penacova ou no distrito de Coimbra.

Oitava campanha do Plano Nacional de Fiscalização

A “Taxa Zero ao Volante” foi a oitava das 11 campanhas previstas no Plano Nacional de Fiscalização de 2026.

As campanhas são promovidas anualmente, desde 2020, pela ANSR, GNR e PSP e procuram atuar sobre os principais fatores de risco da sinistralidade rodoviária.

Em 2026, o plano mantém os temas trabalhados no ano anterior — velocidade, álcool, dispositivos de segurança, utilização do telemóvel e veículos de duas rodas a motor — e acrescenta um novo eixo dedicado aos utilizadores vulneráveis.

Até ao final do ano estão previstas mais três campanhas, combinando ações de sensibilização e fiscalização.

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