Há zonas habitacionais no centro de Penacova onde os ecopontos existentes não são suficientes para servir adequadamente as famílias que deles dependem, numa altura em que a ERSUC reconhece constrangimentos na recolha seletiva em vários pontos da sua área de intervenção e anuncia medidas para reforçar o serviço.

A ERSUC reconheceu, esta sexta-feira, a existência de constrangimentos na recolha seletiva de resíduos em algumas zonas da sua área de intervenção e assegurou que está a reforçar a operação para corrigir situações de acumulação e melhorar a resposta. A posição da empresa surge num período em que o aumento da população sazonal e da produção de resíduos tem colocado maior pressão sobre os sistemas de recolha, incluindo na Região de Coimbra.
A empresa responsável pela recolha seletiva e tratamento de resíduos em 36 municípios dos distritos de Coimbra, Aveiro e Leiria diz ter colocado em marcha, desde o início de julho, um plano de reforço operacional, mas admite que persistem ocorrências que exigem intervenção e regularização.
A situação assume particular interesse em Penacova, onde a rede de ecopontos nem sempre parece acompanhar as necessidades de algumas zonas habitacionais, apesar de existirem equipamentos nas proximidades.
Ecopontos insuficientes em algumas zonas habitacionais
No concelho de Penacova existem atualmente 98 ecopontos e 28 vidrões, segundo informação disponibilizada pelo Município.
O número global, contudo, não significa que todas as zonas habitacionais estejam igualmente servidas. Existem no centro de Penacova conjuntos de edifícios residenciais que acolhem cerca de duas dezenas de famílias e onde os equipamentos existentes nas proximidades são considerados insuficientes para a população que os utiliza, levando a que o lixo que deve ser reciclado, seja tratado como lixo comum e colocado nos contentores sem qualquer separação.
A questão ganha particular relevância num momento em que a ERSUC reconhece dificuldades na operação e anuncia medidas para reforçar a recolha seletiva.
Para os moradores, o problema não se limita à frequência com que os resíduos são recolhidos. A capacidade e a localização dos equipamentos também condicionam a possibilidade de separar corretamente os resíduos produzidos em casa.
É precisamente aqui que surge um dos principais desafios da reciclagem: pedir aos cidadãos que separem papel e cartão, vidro, plástico e metal pressupõe que existam equipamentos suficientes e acessíveis para o fazer.
ERSUC admite que ainda há situações por corrigir
Na informação divulgada pela empresa, a ERSUC reconhece que o reforço operacional iniciado em julho não eliminou todos os problemas.
A empresa explica que o verão constitui tradicionalmente um período de maior pressão sobre os sistemas de gestão de resíduos, sobretudo nos territórios onde a população aumenta devido à presença de residentes temporários e visitantes.
O aumento da população traduz-se numa maior produção de resíduos e numa utilização mais intensa dos equipamentos de deposição seletiva.
Apesar do reforço efetuado, a ERSUC admite que continuam a existir situações que necessitam de intervenção, garantindo que está a reforçar as equipas e a implementar planos específicos para regularizar a operação e recuperar eventuais atrasos.
A empresa afirma também que pretende evitar que estes constrangimentos se repitam no futuro próximo.
Mais equipamentos previstos para 2027
A resposta anunciada pela ERSUC não passa apenas pela melhoria das rotas de recolha.
A empresa está a introduzir progressivamente rotas dinâmicas na recolha seletiva e a instalar sensores de enchimento em novos equipamentos, procurando adaptar a recolha à utilização efetiva dos contentores.
Está igualmente prevista para 2027 a aquisição de 1.000 ecopontos, correspondentes a 3.000 contentores, o que representa, segundo a ERSUC, um aumento de 15% face à rede existente.
A medida poderá assumir importância para municípios como Penacova, sobretudo nas zonas onde a capacidade dos equipamentos disponíveis se revela insuficiente face ao número de utilizadores.
A ERSUC não especificou, nesta comunicação, quantos dos novos equipamentos serão destinados ao concelho de Penacova.
O número de habitantes não é o único critério
A própria regulamentação do serviço da ERSUC estabelece que o dimensionamento dos equipamentos de deposição seletiva deve considerar vários fatores, entre os quais a população servida, a quantidade estimada de resíduos produzidos, a frequência da recolha e a capacidade dos equipamentos.
A localização deve ainda ser definida pela entidade gestora em articulação com os municípios, tendo em conta fatores como a densidade populacional e a otimização dos circuitos de recolha.
O regulamento estabelece também distâncias de referência aos prédios sempre que possível, diferenciando as áreas predominantemente rurais, medianamente urbanas e predominantemente urbanas.
Isto significa que a existência de ecopontos nas proximidades não é, por si só, suficiente para garantir que uma determinada zona esteja adequadamente servida. A capacidade dos contentores, a frequência da recolha e a população efetivamente utilizadora são igualmente relevantes.
Mais reciclagem, mas também melhores condições
A ERSUC afirma que, apesar das dificuldades registadas em determinados momentos e territórios, os resultados dos primeiros sete meses de 2026 mostram uma evolução positiva na quantidade de materiais encaminhados para reciclagem.
Segundo a empresa, a recolha de papel e cartão aumentou 5%, enquanto as embalagens de plástico e metal cresceram 4% face ao período homólogo.
Os números mostram que existe uma maior utilização do sistema de recolha seletiva, mas também tornam mais evidente a necessidade de adequar a capacidade dos equipamentos à procura.
Em Penacova, onde a separação dos resíduos domésticos depende em grande medida dos ecopontos distribuídos pelo território, a melhoria do serviço passa necessariamente por garantir que os equipamentos existentes têm capacidade suficiente para as comunidades que servem e que a recolha acompanha os níveis de utilização.
Um compromisso que terá de chegar ao terreno
A ERSUC afirma estar empenhada em melhorar o desempenho da recolha seletiva e a qualidade do serviço prestado, apostando na modernização da operação e em novas soluções tecnológicas.
A empresa anunciou ainda que iniciou, em conjunto com os municípios, um trabalho de identificação dos investimentos necessários para o período de 2028-2030.
Para Penacova, a questão mais imediata é, contudo, mais simples: garantir que os equipamentos existentes respondem às necessidades reais das populações que os utilizam e que as situações de insuficiência ou acumulação são corrigidas com rapidez.
A reciclagem depende da participação dos cidadãos, mas essa participação exige condições adequadas. A existência de ecopontos suficientes, acessíveis e regularmente esvaziados é uma dessas condições.












