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Intervenção no concelho de Penacova reforça a proteção da aldeia face ao risco de incêndio rural, promove a biodiversidade e recupera património local. Município prepara agora novos projetos semelhantes noutras aldeias.

O Município de Penacova concluiu o Condomínio de Aldeia da Aguieira, na União das Freguesias de Oliveira do Mondego e Travanca do Mondego, uma intervenção financiada pelo Fundo Ambiental através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), com um investimento de 50 mil euros, destinada a aumentar a resiliência da população perante o risco de incêndios rurais e a valorizar o espaço envolvente à aldeia.

A intervenção incluiu a criação de uma faixa de gestão de combustível e de um anel de segurança, a reconversão de parcelas de terreno com novas plantações, a instalação de um kit de primeira intervenção, a recuperação de um antigo fontanário e a criação de espaços de lazer.

Mais proteção para a aldeia

Na visita à intervenção da Aguieira estiveram presentes, o presidente do município, Álvaro Coimbra, Carolina Rojais, presidente da União das Freguesias de Oliveira do Mondego e Travanca do Mondego, o vereador Vítor Cordeiro e Horácio Ferreira, coordenador municipal de Proteção Civil

Durante a visita ao espaço, o presidente da Câmara Municipal de Penacova, Álvaro Coimbra, destacou a importância da intervenção para a segurança da população e para a valorização ambiental e patrimonial da Aguieira.

Segundo o autarca, o projeto permite criar uma maior proteção da aldeia perante o risco de incêndio, ao mesmo tempo que introduz novas espécies vegetais e recupera elementos do património local, com destaque para o antigo fontanário.

A plantação de oliveiras constitui uma das componentes da reconversão das parcelas, contribuindo para alterar a ocupação do solo na envolvente do aglomerado e para reduzir a continuidade de vegetação suscetível de alimentar um incêndio.

Projeto financiado pelo PRR

O projeto está integrado na medida “Condomínio de Aldeia – Programa Integrado de Apoio às Aldeias Localizadas em Territórios de Floresta”, enquadrada no investimento do PRR destinado à transformação da paisagem dos territórios de floresta vulneráveis.

De acordo com a informação oficial disponível no portal da Transparência, o Condomínio de Aldeia da Aguieira teve um valor total de 50 mil euros, correspondente ao financiamento não reembolsável atribuído ao projeto. A operação teve início em 2 de outubro de 2023 e apresentava como data de conclusão 31 de março de 2025.

O Fundo Ambiental explica que este tipo de intervenção pretende atuar na envolvente das áreas edificadas, promovendo alterações na ocupação do solo e a interrupção da continuidade horizontal e vertical dos combustíveis, de forma a tornar as aldeias menos vulneráveis aos incêndios rurais. A medida procura também fomentar a biodiversidade e a utilização de terrenos para fins agrícolas, silvopastoris ou de recreio e lazer.

Aguieira integra uma freguesia marcada pelo território florestal e pelo Mondego

A Aguieira é uma localidade da União das Freguesias de Oliveira do Mondego e Travanca do Mondego, no concelho de Penacova, distrito de Coimbra. A autarquia confirma que esta união de freguesias, criada na sequência da reorganização administrativa de 2013, integra, entre outras localidades, Aguieira, Oliveira do Mondego, Travanca do Mondego, Coiço, Porto da Raiva e Cunhedo.

A localização da aldeia numa zona marcada pela presença de áreas florestais e pela proximidade da albufeira da Aguieira reforça a importância de intervenções destinadas à gestão da paisagem e à proteção dos aglomerados populacionais.

O próprio projeto aprovado identifica, entre os desafios que justificaram a intervenção, o abandono de terrenos e de práticas agrícolas, associado à evolução demográfica das aldeias e ao envelhecimento da população.

Proteção, biodiversidade e valorização do património

O conceito de Condomínio de Aldeia procura precisamente conjugar diferentes objetivos: reduzir a exposição das populações aos incêndios rurais, promover uma utilização estratégica dos terrenos envolventes aos aglomerados, recuperar espaços e estruturas existentes e criar condições para uma gestão mais sustentável da paisagem.

Na Aguieira, essa abordagem traduziu-se numa intervenção que combina gestão de combustível, agricultura, biodiversidade, proteção civil, património e lazer.

A recuperação do fontanário constitui, neste contexto, uma componente de valorização do património local, enquanto a instalação do equipamento de primeira intervenção acrescenta uma dimensão de preparação para uma eventual ocorrência de incêndio.

Município prepara novas intervenções

A conclusão do projeto da Aguieira não deverá constituir uma intervenção isolada no concelho de Penacova.

O Município indica que o modelo deverá ser alargado a outras aldeias, dando continuidade à aposta na transformação da paisagem e no reforço da proteção dos aglomerados populacionais situados em territórios vulneráveis.

Esta orientação surge num contexto em que a Região de Coimbra tem vindo igualmente a desenvolver projetos relacionados com a transformação da paisagem e a gestão dos territórios florestais. No caso de Penacova, a Região de Coimbra identifica, por exemplo, uma intervenção de Condomínio de Aldeia na aldeia do Chaínho, na freguesia de Penacova, com uma área de intervenção de 5,61 hectares.

A estratégia procura, assim, passar de intervenções pontuais de limpeza de terrenos para uma gestão mais estruturada da paisagem na proximidade das populações, uma das linhas centrais dos programas nacionais de prevenção e adaptação aos incêndios rurais.

A conclusão deste primeiro projeto representa mais uma intervenção do Município de Penacova na prevenção estrutural do risco de incêndio, procurando simultaneamente recuperar e dar novos usos a espaços da paisagem rural e preservar elementos do património das aldeias do concelho.

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