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No X poema da série, Daniel Gomes Alves transforma o Mondego numa voz ambígua e inquieta. Entre a aparente calma da água e os silêncios dos pescadores, o poema lembra que o rio raramente é apenas aquilo que mostra à superfície.

X
O rio mente
Os pescadores na margem
sabem que o rio mente.
Diz que está calmo
enquanto roí a terra por baixo.
Diz que é sempre o mesmo
enquanto leva consigo o que encontra.
Diz que não tem pressa
enquanto foge para o mar.
Eles esticam a cana,
olham de lado,
e não dizem nada.
Também eles mentem:
dizem que pescam,
mas vão lá para ouvir o rio
Daniel Gomes Alves
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