As comemorações decorrem a 16 de agosto na freguesia de São Pedro de Alva, no concelho de Penacova, e incluem momentos institucionais, homenagem a antigos autarcas e um concerto acústico de Rita Guerra ao piano na Casa do Povo.

A vila de São Pedro de Alva, na União das Freguesias de São Pedro de Alva e São Paio de Mondego, concelho de Penacova, vai assinalar no próximo 16 de agosto de 2026 dois marcos de grande significado histórico e institucional: os 35 anos da elevação de São Pedro de Alva à categoria de vila e os 50 anos do poder local democrático em Portugal.
O programa inclui cerimónias oficiais, homenagem a antigos autarcas e um concerto acústico de Rita Guerra ao piano, na Casa do Povo de São Pedro de Alva, numa iniciativa que pretende envolver toda a comunidade e valorizar o percurso coletivo das localidades da freguesia.
A lei que elevou São Pedro de Alva a vila
São Pedro de Alva foi elevada à categoria de vila pela Lei n.º 99/91, de 16 de agosto, aprovada pela Assembleia da República e publicada em Diário da República nessa mesma data.
O diploma reconheceu a importância administrativa, social e económica da então freguesia de São Pedro de Alva, integrando um conjunto de elevações de povoações portuguesas ocorridas em 1991.
A escolha do 16 de agosto para as comemorações de 2026 coincide precisamente com a data da publicação da lei, reforçando o simbolismo institucional da celebração.
Uma terra com raízes medievais
A história de São Pedro de Alva é, porém, muito mais antiga do que o estatuto de vila.
Segundo a informação histórica disponibilizada pela União das Freguesias de São Pedro de Alva e São Paio de Mondego, as primeiras referências documentais à antiga São Pedro de Farinha Podre surgem nas Inquirições de D. Dinis, no início do século XIV.
O território integrou ainda as chamadas comendas novas da Ordem de Cristo, evidenciando a relevância administrativa e religiosa que esta região teve durante a Idade Média.
Antiga sede de concelho até 1853
Outro elemento que reforça a importância histórica da localidade é o facto de São Pedro de Farinha Podre ter sido sede de concelho até à reforma administrativa de 1853, conforme refere a informação institucional da Câmara Municipal de Penacova.
As reformas liberais do século XIX extinguiram vários pequenos municípios portugueses, integrando o território no atual concelho de Penacova.
A designação São Pedro de Alva foi adotada posteriormente, por decreto de 21 de fevereiro de 1889, substituindo o antigo topónimo Farinha Podre.
Entre o Alva e o Mondego
Localizada na zona leste do concelho de Penacova, entre os rios Alva e Mondego, São Pedro de Alva consolidou-se ao longo do século XX como um importante centro local de comércio, serviços, associativismo e vida comunitária.
A proximidade da albufeira da Aguieira e a ligação às povoações vizinhas contribuíram para a sua centralidade no território, mantendo um papel relevante na dinâmica da União de Freguesias.
A reforma de 2013 criou a atual União de Freguesias
A atual União das Freguesias de São Pedro de Alva e São Paio de Mondego resultou da reorganização administrativa aprovada pela Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro.
A sede da nova união de freguesias ficou estabelecida em São Pedro de Alva, preservando a centralidade administrativa da vila após a reforma territorial.
Cinquenta anos do poder local democrático
As comemorações evocam também os 50 anos do poder local democrático, processo iniciado após a Revolução de 25 de Abril de 1974 e consolidado com a Constituição de 1976.
As primeiras eleições autárquicas livres realizaram-se em 12 de dezembro de 1976, marcando o início das câmaras municipais e juntas de freguesia democraticamente eleitas em Portugal.
No interior do país, o poder local teve um papel decisivo na melhoria das infraestruturas, do abastecimento de água, do saneamento, dos equipamentos culturais e do apoio às associações e coletividades.
Programa das comemorações em São Pedro de Alva
De acordo com o programa divulgado pela União das Freguesias, as comemorações começam às 15h00, na sede da Junta de Freguesia, com a participação da cantora lírica Carolina Santos.
Às 15h30 realiza-se a cerimónia de descerramento das fotografias dos antigos presidentes da Junta, seguindo-se intervenções institucionais.
A organização apresenta esta homenagem como um reconhecimento do contributo das várias gerações de autarcas e cidadãos que ajudaram a construir e desenvolver as localidades que integram a atual União de Freguesias.
Rita Guerra encerra a tarde comemorativa

O momento cultural está marcado para as 18h00, com um concerto acústico de Rita Guerra ao piano, na Casa do Povo de São Pedro de Alva.
O espetáculo, anunciado como “Café Concerto”, constitui um dos principais pontos altos das comemorações e pretende proporcionar um momento de encontro e celebração para a população.
Memória, identidade e futuro no concelho de Penacova
Estas comemorações inserem-se num contexto mais amplo de valorização da memória coletiva, do património e da participação cívica nas freguesias do concelho de Penacova.
No caso de São Pedro de Alva, a coincidência entre os 35 anos da elevação a vila e os 50 anos do poder local democrático confere à iniciativa um significado particularmente forte: recordar um percurso histórico que atravessa séculos, homenagear quem serviu a comunidade e afirmar o papel da vila no presente e no futuro do território de Penacova.


