Seis meses após as tempestades do inverno, os presidentes das câmaras da Sertã e de Penacova denunciam prejuízos no turismo, na economia local e na mobilidade, enquanto a IP continua sem reabrir os troços encerrados.

O presidente da Câmara Municipal da Sertã, Carlos Miranda, classificou esta sexta-feira como “muito difícil” a situação provocada pelo corte da Estrada Nacional 2 (EN2) em Pedrógão Pequeno, no concelho da Sertã, alertando para os impactos negativos no turismo e na economia local. A via permanece encerrada há cerca de seis meses, desde os estragos causados pelas tempestades do último inverno.
Em declarações à agência Lusa, o autarca explicou que o encerramento do troço afetado desviou grande parte do tráfego para o IC8, reduzindo significativamente a passagem de visitantes por Pedrógão Pequeno, localidade da freguesia de Pedrógão Pequeno, no concelho da Sertã.
Turismo e economia local afetados
Segundo Carlos Miranda, o fluxo de turistas que utilizava habitualmente a EN2 era importante para a atividade económica da vila, incluindo restauração, comércio e serviços associados ao turismo.
A Câmara da Sertã criou um percurso alternativo em terra batida, destinado sobretudo a bicicletas e tratores, com cerca de dois a três quilómetros junto à albufeira. No entanto, o autarca considera que essa solução é apenas provisória e não garante condições adequadas de segurança, sobretudo durante a noite.
O município chegou também a propor à Infraestruturas de Portugal (IP) uma reabertura condicionada do troço, com circulação alternada controlada por semáforos, mas a proposta foi recusada pela empresa pública.
Concurso lançado, mas sem adjudicação conhecida
De acordo com informação publicada em Diário da República, a IP lançou em 1 de junho um concurso público para a estabilização de taludes num troço de 1.070 metros da EN2 em Pedrógão Pequeno. A empreitada inclui ainda uma intervenção semelhante na EN237, entre Cernache do Bonjardim, no concelho da Sertã, e Figueiró dos Vinhos, no distrito de Leiria.
O concurso tinha um valor base de 1,5 milhões de euros, acrescido de IVA, e um prazo de execução de 180 dias. O prazo para apresentação de propostas foi posteriormente prolongado até 14 de julho.
Segundo o portal Base, até à data não é conhecida qualquer adjudicação da obra.
A agência Lusa informou ainda que contactou a Infraestruturas de Portugal para obter esclarecimentos sobre a possibilidade de reabertura condicionada, a estabilidade da encosta e o calendário da intervenção, mas não recebeu resposta.
Penacova vive problema semelhante na EN2
A situação da Sertã surge num contexto regional mais amplo. Em Penacova, no distrito de Coimbra, a EN2 continua igualmente cortada há cerca de seis meses devido a um deslizamento de terras na zona da Carvoeira, na freguesia de Penacova.
Na quinta-feira, o presidente da Câmara Municipal de Penacova, Álvaro Coimbra, afirmou que o encerramento de um troço com menos de 300 metros está a provocar um “decréscimo grande da atividade turística”, agravado pelo facto de a Estrada Regional 110 também permanecer cortada ao trânsito.
O deslizamento afetou ainda o cemitério da Carvoeira, obrigando à realização de trasladações.
Relatório da Universidade de Coimbra aponta solução provisória
O município de Penacova apresentou à IP um relatório elaborado pelo Instituto de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico para a Construção (Itecons), da Universidade de Coimbra, que aponta para a possibilidade de uma reabertura provisória da EN2 com circulação alternada.
Contudo, segundo Álvaro Coimbra, a autarquia recebeu da Infraestruturas de Portugal uma recusa clara dessa solução.
O presidente da Câmara defende que é necessário acelerar os procedimentos para o arranque das obras e exigir explicações à IP sobre os atrasos verificados.
Impacto na Região Centro
Os cortes simultâneos na EN2 em Pedrógão Pequeno, no concelho da Sertã, e na Carvoeira, no concelho de Penacova, estão a afetar dois troços relevantes de uma das estradas mais emblemáticas do país, muito procurada por turistas nacionais e estrangeiros, motociclistas e praticantes de cicloturismo.
Na Região Centro, autarquias e agentes económicos têm vindo a alertar para os efeitos prolongados destes encerramentos na restauração, no alojamento, no comércio local e na atratividade turística dos territórios atravessados pela EN2.
Enquanto não forem adjudicadas e iniciadas as intervenções de estabilização das encostas, mantém-se a incerteza quanto à data de reabertura dos troços cortados tanto na Sertã como em Penacova.











