A posição foi aprovada no Conselho Intermunicipal da Região de Coimbra, que exige respostas urgentes da Infraestruturas de Portugal. O município alerta para impactos no turismo, na mobilidade e até na segurança em caso de incêndio.

O presidente da Câmara Municipal de Penacova, Álvaro Coimbra, criticou esta sexta-feira, 7 de agosto de 2026, a ausência de soluções por parte da Infraestruturas de Portugal (IP) para duas estradas que permanecem cortadas há cerca de seis meses no concelho: a Estrada Nacional 2 (EN2), na zona da Carvoeira, freguesia de Penacova, e a Estrada Regional 110 (ER110), entre Penacova e Coimbra.
A tomada de posição foi aprovada no Conselho Intermunicipal da Região de Coimbra, realizado em Cantanhede, onde os municípios exigiram respostas e medidas concretas da IP para acelerar a reposição da circulação.
EN2 continua sem reabertura provisória
No caso da EN2, o corte afeta um troço inferior a 300 metros na localidade da Carvoeira, freguesia de Penacova, atingido por um deslizamento de grande dimensão associado à tempestade Kristin.
Segundo Álvaro Coimbra, o movimento de terras teve também consequências no cemitério da Carvoeira, obrigando à realização de trasladações. O município solicitou ao Instituto de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico para a Construção (Itecons), da Universidade de Coimbra, uma avaliação técnica sobre a possibilidade de uma reabertura provisória da estrada.
O relatório apontou para a viabilidade de uma solução temporária com circulação alternada, mas a proposta foi rejeitada pela Infraestruturas de Portugal.
“Recebemos um rotundo não”, afirmou o autarca, defendendo que a situação está a causar prejuízos significativos ao concelho.
Turismo e economia local afetados
Álvaro Coimbra alertou para a quebra de atividade turística em Penacova, associando-a não só ao corte da EN2, uma das estradas mais emblemáticas do país, mas também à interrupção da ER110, principal ligação rodoviária entre Penacova e Coimbra.
O presidente da Câmara considerou necessário “pedir explicações à IP e fazer pressão para que as obras avancem o mais rapidamente possível”, sublinhando o impacto da situação na mobilidade de residentes, visitantes e empresas.
A EN2 atravessa o centro de Penacova e constitui um eixo importante para o turismo rodoviário, para o comércio local e para a ligação ao interior da Região Centro.
Projeto da ER110 concluído, mas obras não arrancam
Relativamente à ER110, Álvaro Coimbra lamentou que o projeto de requalificação tenha ficado concluído em julho, sem que os trabalhos tenham começado.
A estrada permanece encerrada ao trânsito desde os danos provocados pela tempestade, obrigando a percursos alternativos mais longos entre Penacova, Coimbra e outras localidades da Região de Coimbra.
O autarca revelou ainda que a Infraestruturas de Portugal recusou a criação de um canal de emergência que pudesse ser utilizado em operações de combate a incêndios, uma decisão que considera preocupante do ponto de vista da proteção civil.
Pressão política aumenta na Região de Coimbra
A aprovação da posição conjunta no Conselho Intermunicipal da Região de Coimbra representa um reforço da pressão política sobre a Infraestruturas de Portugal.
Os municípios da região pretendem obter um calendário claro para o início das obras, soluções temporárias sempre que tecnicamente possíveis e garantias de segurança para populações e utilizadores.
Em Penacova, a questão das acessibilidades tem sido apontada pelo executivo municipal como um dos principais problemas estruturais do concelho desde a passagem da tempestade Kristin, que provocou danos em estradas, taludes e outras infraestruturas.
Até ao momento, não foi anunciado pela Infraestruturas de Portugal um prazo oficial para a reabertura da EN2 na Carvoeira nem para o início das obras na ER110.











