Associação alerta que muitos idosos vivem em casas difíceis de arrefecer e sem equipamentos adequados. Em Penacova e na Região de Coimbra, o envelhecimento da população torna o problema particularmente relevante durante os períodos de temperaturas extremas.

Os Médicos de Saúde Pública defenderam esta semana a criação de medidas de apoio ao acesso ao ar condicionado e à melhoria do isolamento das habitações, na sequência das ondas de calor registadas este verão em Portugal, que já terão provocado perto de 700 mortes acima do esperado para esta época do ano, segundo dados do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).
O alerta foi feito pela Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública (ANMSP), através do seu vice-presidente, João Paulo Magalhães, em declarações à Antena 1. A associação considera que muitas pessoas idosas vivem em habitações que acumulam calor durante o dia e não arrefecem suficientemente durante a noite, aumentando o risco de desidratação, agravamento de doenças crónicas e mortalidade associada ao calor extremo.
Permanecer em ambiente fresco é uma recomendação essencial
De acordo com João Paulo Magalhães, uma das recomendações habituais em situação de onda de calor é que as pessoas, sobretudo as mais vulneráveis, permaneçam pelo menos duas horas por dia num ambiente significativamente mais fresco.
A associação sublinha que, em muitos casos, os idosos não dispõem de ar condicionado ou de outras soluções eficazes de arrefecimento, e que as características térmicas de numerosas habitações portuguesas criam um “stress térmico” contínuo para o organismo.
Perante este cenário, os médicos defendem que o Estado, os municípios e outras entidades públicas estudem formas de apoio à aquisição de equipamentos de climatização e à melhoria do desempenho energético das casas.
Possíveis incentivos e apoio municipal
A ANMSP admite que possam ser criados incentivos financeiros para a compra de aparelhos de ar condicionado ou de materiais de isolamento térmico, considerando também a possibilidade de programas municipais dirigidos à população idosa mais vulnerável.
A associação entende que estas medidas podem contribuir para reduzir o número de vítimas durante episódios de calor extremo, cuja frequência e intensidade tendem a aumentar devido às alterações climáticas.
Dados do INSA apontam excesso de mortalidade
Os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge indicam que, até ao final de julho, Portugal registou três períodos de excesso de mortalidade, dois dos quais coincidiram com dias de temperaturas muito elevadas.
As pessoas com mais de 75 anos e com múltiplos problemas de saúde foram o grupo mais afetado, confirmando a maior vulnerabilidade da população idosa durante as ondas de calor.
Penacova e Região de Coimbra com população envelhecida
Embora não existam dados específicos para Penacova relativos a este episódio de excesso de mortalidade, o tema assume particular importância no concelho e na Região de Coimbra devido ao elevado índice de envelhecimento.
Muitas habitações nas freguesias do concelho, sobretudo em zonas rurais e em edifícios mais antigos, apresentam dificuldades de isolamento térmico, o que pode agravar o desconforto e o risco para pessoas idosas que vivem sozinhas.
As autoridades de saúde têm recomendado, nestas situações, medidas como manter a hidratação, evitar exposição ao sol nas horas de maior calor, fechar persianas e janelas durante o dia, ventilar a casa durante a noite e procurar locais climatizados sempre que possível.
Calor extremo deverá continuar a exigir adaptação
O debate sobre o acesso ao ar condicionado surge num contexto em que Portugal tem vindo a enfrentar episódios de calor mais prolongados e intensos. Especialistas em saúde pública e clima têm defendido que a adaptação das habitações, dos equipamentos sociais e dos espaços urbanos será uma das principais medidas para proteger a população vulnerável nas próximas décadas.
Para já, a Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública pede ao Governo e aos municípios que reforcem as políticas de prevenção e adaptação ao calor extremo, considerando que a proteção das pessoas idosas deve ser uma prioridade de saúde pública.



