Especialistas avisam que um único salto pode provocar paraplegia, tetraplegia ou mesmo a morte. A campanha “Há saltos que podem mudar a tua vida!” arranca esta terça-feira e pretende reforçar os cuidados em praias, piscinas e zonas balneares durante o verão.

A Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral (SPPCV) lançou esta terça-feira, 5 de agosto de 2026, em Lisboa, uma campanha nacional de prevenção de acidentes de mergulho, alertando que cerca de 100 portugueses sofrem todos os anos lesões na coluna vertebral associadas a mergulhos mal calculados. A iniciativa surge no pico da época balnear, quando aumenta a afluência a praias e piscinas, e pretende sensibilizar sobretudo os jovens para os riscos de mergulhar em locais desconhecidos ou em águas de pouca profundidade.

Segundo a SPPCV, estas lesões podem ter consequências permanentes e devastadoras. O presidente da sociedade científica e ortopedista, Nelson Carvalho, sublinha que um único mergulho pode resultar na paralisia das pernas (paraplegia), dos quatro membros (tetraplegia) ou, nos casos mais graves, na morte, quando a fratura ocorre na região mais superior da coluna vertebral.

Verão aumenta o risco de acidentes

Os especialistas explicam que a maioria destes acidentes ocorre entre maio e setembro, período em que praias, piscinas e zonas balneares recebem milhares de pessoas diariamente.

“Entre maio e setembro, a maior afluência a praias e piscinas torna essencial reforçar os cuidados e consciencializar a população para os perigos de mergulhar em locais desconhecidos ou em águas de pouca profundidade”, refere a sociedade científica em comunicado.

A campanha surge também num contexto de forte utilização das zonas balneares do concelho de Penacova, onde as praias fluviais do Reconquinho, Vimieiro e Cornicovo recebem um elevado número de visitantes durante o verão. As entidades responsáveis pela segurança balnear têm vindo a reforçar a importância do cumprimento da sinalização e das indicações dos nadadores-salvadores.

“São verdadeiras emergências médicas”

Nelson Carvalho alerta que estas situações exigem frequentemente intervenção cirúrgica urgente e que a ausência de sintomas graves imediatos não exclui uma lesão séria.

“Mesmo quando a dor é o único sintoma, a avaliação médica imediata é indispensável”, afirma o ortopedista.

As lesões cervicais, sobretudo quando provocadas por impacto da cabeça no fundo da água, são consideradas das mais graves e podem comprometer funções motoras e respiratórias.

Recomendações para evitar acidentes

A SPPCV deixa um conjunto de recomendações simples, mas consideradas essenciais para prevenir acidentes:

  • Verificar sempre a profundidade da água antes de mergulhar;

  • Evitar zonas rasas, rochosas ou com obstáculos submersos;

  • Respeitar a sinalização existente;

  • Permanecer em áreas supervisionadas por nadadores-salvadores;

  • Nunca mergulhar sob o efeito do álcool;

  • Não correr à volta da piscina;

  • Entrar no mar ou no rio sempre a andar, nunca de cabeça.

Estas recomendações são particularmente relevantes em praias fluviais, onde a profundidade pode variar rapidamente devido a correntes, sedimentos ou alterações do caudal.

O que fazer perante um acidente

A sociedade científica sublinha ainda que a forma como se age nos primeiros minutos pode ser decisiva.

Em caso de suspeita de lesão na coluna, deve ligar-se imediatamente para o 112 e não mover a vítima até à chegada dos meios de socorro. Qualquer movimento inadequado pode agravar irreversivelmente a lesão. As instruções transmitidas pelo operador do INEM devem ser seguidas até à chegada da ajuda especializada.

Campanha nas redes sociais e autarquias

A campanha “Há saltos que podem mudar a tua vida!” estará presente nas redes sociais da SPPCV e será difundida através dos suportes de comunicação de autarquias e entidades responsáveis pela supervisão de praias e piscinas durante a época balnear.

Os especialistas esperam que a iniciativa contribua para reduzir um tipo de acidente que, apesar de relativamente pouco frequente, tem um impacto humano, familiar e social muito elevado, afetando muitas vezes pessoas jovens e saudáveis.

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