Apesar de Portugal entrar em agosto com níveis de água elevados na maioria das bacias hidrográficas, a do Mondego permanece ligeiramente abaixo do valor considerado normal para a época. Em Penacova, a situação da albufeira mantém-se estável e sem indicadores de escassez de água.

Barragem da Aguieira – Foto de Pedro Abranches Mateus

O Sistema Nacional de Informação dos Recursos Hídricos (SNIRH) revelou que, no final de julho de 2026, todas as bacias hidrográficas de Portugal continental apresentavam disponibilidades hídricas acima da média histórica, com exceção das bacias do Lima e do Mondego. A bacia do Mondego registava 74,3% do volume armazenado, abaixo do valor médio de referência para julho, fixado em 78,2%, enquanto a do Lima apresentava 51,9%, também abaixo do normal.

Os dados foram divulgados pelo SNIRH e analisados à escala nacional no arranque de agosto, permitindo avaliar o estado das reservas de água nas barragens e rios portugueses após um inverno e primavera relativamente favoráveis em grande parte do território.
Mondego abaixo da média, mas longe de uma situação crítica.

Embora a bacia do Mondego esteja entre as duas únicas abaixo da média histórica, os valores atuais não configuram uma situação de seca hidrológica. A diferença face ao valor normal é de cerca de quatro pontos percentuais, o que representa uma redução moderada das reservas disponíveis.

Na prática, a albufeira do Mondego — que influencia diretamente os concelhos de Penacova, Coimbra, Mortágua, Vila Nova de Poiares, Santa Comba Dão e outros municípios da região — continua com níveis confortáveis para o abastecimento público, produção hidroelétrica, regadio e atividades recreativas.

A situação contrasta com anos recentes em que algumas bacias do sul do país registaram níveis muito inferiores aos atuais.

Penacova mantém estabilidade na albufeira

Em Penacova, a albufeira da Aguieira e o sistema hídrico associado ao rio Mondego continuam a desempenhar um papel central no equilíbrio ambiental e económico do concelho.

A estabilidade dos níveis de armazenamento é particularmente relevante numa altura em que as praias fluviais do Reconquinho, Vimieiro e Cornicovo recebem grande afluência de visitantes e em que o rio é utilizado para atividades náuticas, pesca desportiva e turismo de natureza.

Nos últimos meses, o concelho enfrentou episódios de forte precipitação e cheias localizadas, mas também períodos prolongados de calor intenso, o que aumenta a importância da monitorização contínua das reservas de água.

Maioria das bacias nacionais com reservas elevadas

O boletim do SNIRH mostra que a situação nacional é globalmente favorável.
As bacias com maior percentagem de armazenamento eram:

  • Oeste: 100%
  • Mira: 94,3%
  • Barlavento: 86,7%

Por outro lado, as bacias com menores disponibilidades eram:

  • Lima: 51,9%
  • Ave: 66%
  • Douro: 71%
  • Mondego: 74,3%

Das 60 albufeiras monitorizadas em Portugal continental, 21 apresentavam volumes superiores a 80% da capacidade total e nenhuma estava abaixo dos 40%, um indicador considerado positivo pelas entidades de gestão da água.

Seca meteorológica não é o mesmo que seca hidrológica

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) tinha indicado no boletim climatológico de junho que 61,1% do território continental apresentava seca fraca e 2,7% seca moderada.

Contudo, os especialistas distinguem dois fenómenos diferentes:

  • Seca meteorológica: resulta da falta de precipitação e manifesta-se primeiro.
  • Seca hidrológica: surge mais tarde e afeta rios, barragens e aquíferos.

Assim, é possível existir seca meteorológica em parte do território sem que as barragens apresentem ainda níveis preocupantes.

O que esperar nas próximas semanas?

Com agosto a iniciar-se sob temperaturas elevadas e risco acrescido de incêndio rural, a evolução das reservas hídricas dependerá sobretudo do consumo e da ausência de precipitação significativa nas próximas semanas.

No caso do Mondego, os valores atuais oferecem uma margem de segurança, mas continuam a justificar acompanhamento, especialmente se o calor persistente se prolongar até setembro.

Para Penacova, onde o rio Mondego é um elemento estruturante da paisagem, do turismo e da qualidade de vida, a manutenção de níveis estáveis na albufeira é, para já, uma notícia moderadamente positiva: há menos água do que seria normal para o final de julho, mas não há sinais de escassez crítica nem de seca hidrológica instalada.

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