As plantas exóticas Ludwigia e erva-de-jacaré estão a ameaçar a biodiversidade ribeirinha, a qualidade da água e os habitats naturais. A iniciativa envolve monitorização, controlo e prevenção em vários concelhos da região, incluindo territórios ligados ao rio Alva e à bacia do Mondego.

A Região Metropolitana de Coimbra (RMC) apresentou esta terça-feira, 29 de julho, no Parque Verde do Mondego, em Coimbra, os projetos LudBye e AlternaOut, destinados ao combate de espécies exóticas invasoras aquáticas nos rios Mondego e Alva. A sessão decorreu no âmbito do Dia Mundial da Conservação da Natureza e reuniu representantes da Câmara Municipal de Coimbra, da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), da RMC e do Instituto Politécnico de Coimbra (IPC). O objetivo é proteger a biodiversidade, recuperar os habitats ribeirinhos e prevenir a propagação de plantas invasoras através de ações de monitorização, controlo e sensibilização pública.

Apresentação pública no Parque Verde do Mondego

A iniciativa contou com intervenções de Luís Filipe, vereador da Câmara Municipal de Coimbra, de Ricardo Cruz, vice-presidente da Região Metropolitana de Coimbra, e de Nuno Bravo, representante da Agência Portuguesa do Ambiente.

Os dois projetos foram apresentados pelo secretário executivo da RMC, seguindo-se uma explicação técnica sobre as espécies-alvo por Liliana Duarte e Francisco Nuñez, investigadores do Instituto Politécnico de Coimbra.

Em foco estão duas espécies com elevado potencial invasor:

  • Ludwigia spp. (conhecida por ludvígia ou jussie);
  • Alternanthera philoxeroides, vulgarmente designada erva-de-jacaré.

Rios Alva e Mondego sob vigilância

Segundo a Região Metropolitana de Coimbra, o LudBye e o AlternaOut pretendem monitorizar, controlar e prevenir a dispersão destas espécies exóticas invasoras ao longo dos rios Alva e Mondego, contribuindo para a preservação da flora autóctone e para a recuperação dos ecossistemas ribeirinhos.

A intervenção assume particular relevância para os municípios atravessados por estas linhas de água, incluindo concelhos da região de Coimbra e do vale do Alva, onde a presença destas plantas tem vindo a suscitar preocupação entre entidades ambientais e utilizadores dos espaços ribeirinhos.

Impactos ambientais e económicos

As espécies invasoras aquáticas podem formar tapetes densos à superfície da água, reduzindo a luz disponível, diminuindo o oxigénio dissolvido e afetando peixes, anfíbios e outras espécies nativas. Além dos impactos ecológicos, podem dificultar atividades como a pesca, a navegação, o lazer e a gestão hidráulica.

A Agência Portuguesa do Ambiente tem alertado para o aumento da pressão das invasoras em ecossistemas dulçaquícolas, fenómeno associado à alteração dos habitats, à circulação de materiais contaminados e às alterações climáticas.

Financiamento internacional

Os projetos são financiados pelo programa IUCN Save Our Species – EU Environment & Climate, uma iniciativa internacional de apoio à conservação da natureza e ao combate a ameaças à biodiversidade.

A RMC destaca que o financiamento permitirá desenvolver ações de campo, recolha de dados, avaliação da eficácia das medidas de controlo e iniciativas de sensibilização dirigidas à população.

Penacova e o contexto regional

O tema assume especial importância para Penacova, município fortemente ligado aos rios Mondego e Alva e onde a valorização dos ecossistemas ribeirinhos tem sido uma prioridade em projetos ambientais, turísticos e de educação para a sustentabilidade.

Recorde-se que, recentemente, a região tem desenvolvido várias iniciativas de conservação da natureza, controlo de espécies invasoras e promoção da biodiversidade, reforçando a articulação entre municípios, instituições científicas e entidades ambientais.

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