No Dia Mundial da Conservação da Natureza, parceiros científicos e ambientais reuniram-se em Coimbra e Montemor-o-Velho para lançar uma estratégia integrada de prevenção, controlo e recuperação ecológica dos ecossistemas aquáticos afetados pela Ludwigia spp.

A Região Metropolitana de Coimbra (RMC), enquanto entidade líder e coordenadora do projeto europeu LIFE LUDWIGIA, realizou esta segunda-feira, 28 de julho, a primeira reunião de arranque da iniciativa, assinalando o Dia Mundial da Conservação da Natureza. O encontro decorreu na área metropolitana de Coimbra e incluiu uma visita técnica ao concelho de Montemor-o-Velho, com o objetivo de preparar as primeiras ações de combate à Ludwigia spp., uma espécie invasora aquática que ameaça a biodiversidade e os habitats naturais da região.

Participaram na reunião representantes da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), da Universidade de Coimbra, do Instituto Politécnico de Coimbra (IPC) e da empresa DEX, parceira técnica do projeto. Foram apresentados os eixos científicos, operacionais e financeiros da candidatura, clarificadas as responsabilidades de cada entidade e definidos os procedimentos para o início das intervenções no terreno.

Uma ameaça crescente aos ecossistemas aquáticos

A Ludwigia spp., conhecida em Portugal como erva-do-brejo-americana ou ludvígia, é uma planta aquática invasora originária da América do Sul. A espécie tem vindo a expandir-se em linhas de água, lagoas, arrozais e zonas húmidas, formando tapetes densos que reduzem a luz disponível, alteram o equilíbrio ecológico e dificultam a circulação da água.

Segundo o ICNF, as invasões por Ludwigia podem provocar perda de biodiversidade, degradação da qualidade da água e impactos relevantes na agricultura, na pesca e nas atividades de recreio associadas aos rios e zonas húmidas.

Projeto europeu com abordagem integrada

O LIFE LUDWIGIA pretende desenvolver uma resposta articulada e de longo prazo à presença da espécie invasora. Entre as ações previstas estão:

  • Prevenção e sensibilização pública;
  • Deteção precoce de novos focos;
  • Controlo e remoção da planta invasora;
  • Restauro ecológico das áreas intervencionadas;
  • Monitorização científica contínua;
  • Envolvimento das comunidades locais e utilizadores dos ecossistemas aquáticos.

A coordenação metropolitana pretende articular conhecimento científico, capacidade operacional e governação territorial, criando um modelo de intervenção que possa ser replicado noutros territórios portugueses afetados por espécies invasoras aquáticas.

Visita técnica a Montemor-o-Velho

Após a reunião de trabalho, os parceiros deslocaram-se a áreas afetadas no concelho de Montemor-o-Velho, onde observaram a extensão da invasão e avaliaram diferentes metodologias de intervenção.

A visita permitiu identificar prioridades de atuação, analisar condições de acesso e remoção da biomassa vegetal e antecipar necessidades logísticas, de monitorização e de recuperação ecológica dos habitats após as intervenções.

Importância para a região de Coimbra e para Penacova

A iniciativa assume particular relevância para os concelhos integrados na Região Metropolitana de Coimbra, incluindo Penacova, cujo território é fortemente marcado pelos rios Mondego e Alva e por várias zonas ribeirinhas de elevado valor ecológico e turístico.

Nos últimos anos, Penacova tem participado em diferentes projetos de valorização ambiental, monitorização da qualidade da água e promoção da conservação dos ecossistemas associados às praias fluviais e corredores ripícolas. A criação de mecanismos de deteção precoce e de resposta coordenada a espécies invasoras é considerada essencial para proteger estes recursos naturais.

Financiamento LIFE e estratégia europeia

O programa LIFE é o principal instrumento financeiro da União Europeia dedicado ao ambiente e à ação climática. Os projetos apoiados visam testar soluções inovadoras, promover boas práticas e reforçar a implementação das políticas ambientais europeias, incluindo a Estratégia da UE para a Biodiversidade 2030 e o regulamento relativo às espécies exóticas invasoras.

Ao liderar o LIFE LUDWIGIA, a Região Metropolitana de Coimbra reforça o seu papel na coordenação de políticas ambientais de escala supramunicipal, procurando responder a um problema que ultrapassa fronteiras administrativas e exige cooperação entre autarquias, ciência e entidades de gestão ambiental.

A mensagem deixada pelos parceiros no arranque do projeto é clara: proteger a biodiversidade implica agir hoje para garantir o futuro dos rios, zonas húmidas e ecossistemas aquáticos da região.

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