Novo Inquérito Nacional de Saúde revela um retrato globalmente positivo da saúde infantil, mas expõe hábitos alimentares preocupantes e um aumento significativo da obesidade entre os 5 e os 14 anos.

Mais de 92% das crianças com menos de 15 anos em Portugal têm um estado de saúde considerado bom ou muito bom, segundo os resultados do Módulo das Crianças do Inquérito Nacional de Saúde 2025, divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e pelo Ministério da Saúde. Os dados, publicados esta semana a nível nacional, mostram uma perceção globalmente positiva da saúde infantil no país, mas alertam simultaneamente para problemas crescentes relacionados com a alimentação, o excesso de peso e o consumo frequente de produtos ultraprocessados. O inquérito foi realizado em todo o território nacional, com base nas respostas dos responsáveis parentais, com o objetivo de avaliar o estado de saúde, os hábitos e a utilização dos serviços de saúde pelas crianças portuguesas.
Saúde infantil mantém avaliação muito positiva
De acordo com o INE, 92,3% das crianças com menos de 15 anos foram avaliadas pelos pais ou encarregados de educação como tendo um estado de saúde bom ou muito bom. A proporção é ligeiramente superior nas raparigas (93,2%) e inferior nos rapazes (91,3%). O grupo etário dos 6 aos 9 anos apresenta os valores mais baixos, embora continue acima dos 89%.
Na análise regional, a Região Centro, onde se integra o concelho de Penacova, registou 91,5% de avaliações positivas, acima da barreira dos 90%, mas abaixo dos valores observados no Alentejo e Algarve, que ultrapassam os 94%. A Madeira foi a única região com um valor inferior a 90%.
O dado que mais preocupa os especialistas é o relacionado com o peso infantil. Entre as crianças dos 5 aos 14 anos, 22,6% apresentam excesso de peso e 12,9% obesidade, o que significa que 35,5% têm peso acima do recomendado para a idade. Em termos práticos, mais de uma em cada três crianças portuguesas enfrenta já um problema de excesso de peso ou obesidade.
Alimentação diária longe das recomendações
O inquérito revela também fragilidades importantes nos hábitos alimentares:
- 68,6% das crianças dos 6 aos 14 anos comem fruta diariamente;
- 44,4% consomem legumes e saladas todos os dias;
- 44,7% ingerem regularmente refeições de fast food ou alimentos ultraprocessados;
- 46,5% bebem refrigerantes açucarados com frequência.
Quase nove em cada dez crianças recorrem a cuidados preventivos
Outro indicador considerado positivo é o acesso aos cuidados de saúde. 87,3% das crianças com menos de 15 anos consultaram um profissional de saúde no período analisado e, entre estas, 83% fizeram-no pelo menos uma vez por motivos preventivos, como vigilância de saúde, vacinação ou acompanhamento do crescimento e desenvolvimento.
O inquérito indica ainda que 95,2% das crianças não apresentavam cegueira ou problemas de visão, embora cerca de 58 mil crianças tenham sido identificadas com dificuldades visuais.
O que significam estes dados para Penacova e a Região Centro?
Na Região Centro, os resultados reforçam a importância das políticas locais de promoção da alimentação saudável, da atividade física e da literacia em saúde. Em Penacova, iniciativas ligadas às escolas, às praias fluviais, ao desporto juvenil e às campanhas de educação alimentar ganham particular relevância num contexto em que os indicadores nacionais apontam para uma crescente pressão da obesidade infantil.
A Direção-Geral da Saúde tem sublinhado que a prevenção deve começar nos primeiros anos de vida, envolvendo famílias, escolas, autarquias e unidades de saúde. A redução do consumo de bebidas açucaradas e de alimentos ultraprocessados, bem como o aumento da atividade física diária, continuam entre as principais recomendações.
Um retrato positivo, mas com sinais de alerta
O novo Inquérito Nacional de Saúde traça, assim, um retrato dual da infância em Portugal: a grande maioria das crianças é percecionada como saudável e tem contacto regular com cuidados preventivos, mas os hábitos alimentares e o excesso de peso constituem um dos maiores desafios de saúde pública da próxima década.
Para os especialistas, o objetivo já não é apenas tratar a obesidade infantil, mas impedir que ela se instale. E isso exige uma intervenção continuada, próxima das famílias e das comunidades, incluindo os territórios do interior como Penacova.











