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Os incêndios florestais que assolam o sudoeste de França continuam a agravar-se e já obrigaram à evacuação de cerca de 220 mil pessoas, entre as quais aproximadamente 3.000 portugueses e lusodescendentes. Muitas destas famílias vivem há décadas na região da Gironda, uma das principais zonas de acolhimento da emigração portuguesa. Neste momento difícil, o Penacova Actual manifesta a sua solidariedade para com todos os conterrâneos afetados por esta tragédia.

A man rests at the Bordeaux-Lac Exhibition Centre, which has been turned into a shelter for people displaced by a wildfire burning nearby amid worsening drought conditions following a heatwave and water shortages across much of France, in Bordeaux, France, July 25, 2026. REUTERS/Manon Cruz

Cerca de 3.000 portugueses e lusodescendentes foram transferidos para centros de acolhimento devido aos incêndios de grandes dimensões que lavram desde quarta-feira na região da Baía de Arcachon, no departamento francês da Gironda, próximo de Bordéus. As evacuações intensificaram-se durante o fim de semana, numa operação que já retirou 220 mil pessoas das zonas de maior risco. Segundo o conselheiro das Comunidades Portuguesas, Filipe Dantas, não há, para já, registo de vítimas entre os portugueses, embora os prejuízos materiais ainda estejam por contabilizar. O Governo português e o Consulado-Geral de Portugal em Bordéus acompanham permanentemente a evolução da situação.

Comunidade portuguesa entre as mais afetadas

Grande parte dos portugueses evacuados reside em Le Porge, onde as chamas destruíram várias habitações, mas também foram retiradas famílias residentes em Arès, Marcheprime, Mios, Cestas, Biscarrosse, Le Haillan e Saint-Médard-en-Jalles.

Os cidadãos portugueses e lusodescendentes estão instalados, provisoriamente, no Centro de Exposições de Bordéus, onde recebem apoio das autoridades francesas e acompanhamento por parte dos serviços consulares portugueses.

Filipe Dantas explicou que o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, manteve contacto direto com o Conselho das Comunidades Portuguesas para acompanhar a situação, enquanto o Consulado português em Bordéus continua a monitorizar as necessidades da comunidade. Para já, a ajuda de emergência está a ser assegurada pelas autarquias francesas próximas dos centros de acolhimento, permanecendo Portugal disponível para reforçar esse apoio, caso venha a revelar-se necessário.

França enfrenta uma época de incêndios sem precedentes

Os incêndios que assolam o sudoeste francês são considerados dos mais graves das últimas décadas. O fogo teve origem na quarta-feira, na zona turística da Baía de Arcachon, favorecido por temperaturas muito elevadas, vento forte e vegetação extremamente seca.

Segundo as autoridades francesas, já arderam mais de 115 mil hectares em França desde o início do ano, um valor histórico que ultrapassa largamente a média anual. Só o incêndio da Gironda já consumiu dezenas de milhares de hectares e destruiu numerosas habitações, mantendo milhares de bombeiros, militares e meios aéreos envolvidos nas operações de combate.

Macron reúne célula de crise

Perante a dimensão da emergência, o Presidente francês, Emmanuel Macron, preside esta segunda-feira a uma célula interministerial de crise destinada a avaliar a evolução dos incêndios e coordenar novas medidas de proteção das populações.

As autoridades francesas continuam a considerar imprevisível a evolução do incêndio na Gironda, não estando, para já, prevista a autorização para o regresso das populações evacuadas às suas habitações.

Uma região onde vivem milhares de portugueses

A região de Bordéus e da Gironda acolhe, desde as décadas de 1960 e 1970, uma expressiva comunidade portuguesa. Muitos emigrantes oriundos de várias regiões de Portugal construíram ali a sua vida, trabalhando na construção civil, agricultura, floresta, comércio e serviços.

Embora Penacova não disponha de dados oficiais sobre o número de naturais do concelho residentes nesta região francesa, são conhecidas várias famílias penacovenses e do distrito de Coimbra que ali vivem há muitos anos, razão pela qual esta tragédia é acompanhada com especial preocupação por familiares e amigos em Portugal.

Penacova Actual manifesta solidariedade

Num momento particularmente difícil para milhares de famílias obrigadas a abandonar as suas casas sem saber quando poderão regressar, o Penacova Actual expressa a sua profunda solidariedade para com todos os portugueses e lusodescendentes afetados pelos incêndios em França.

A todos os nossos conterrâneos que vivem na Gironda e noutras zonas atingidas deixamos uma palavra de coragem, esperança e confiança no trabalho desenvolvido pelos bombeiros, forças de proteção civil e restantes equipas de emergência. Desejamos que todos possam regressar em segurança às suas casas e que os danos humanos e materiais sejam os menores possíveis.

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