Infraestruturas de Portugal mantém encerrado o troço afetado pelo deslizamento de terras e considera que ainda não existem condições de segurança para retomar a circulação, apesar da proposta apresentada pela Câmara de Penacova para uma reabertura provisória durante o verão.

A Infraestruturas de Portugal (IP) recusou a proposta apresentada pela Câmara Municipal de Penacova para reabrir, de forma temporária e condicionada, o troço da EN2 junto ao cemitério da Carvoeira, encerrado desde o final de janeiro na sequência dos graves danos provocados pelas tempestades que afetaram a região. A decisão prolonga a incerteza para milhares de utilizadores desta via estratégica e aumenta a preocupação da autarquia, que considera demasiado indefinido o calendário previsto para a reabilitação da EN2 e da ER110.
Câmara procurou uma solução provisória para o verão
Nos últimos meses, o Município de Penacova tem mantido contactos com o Governo, a Infraestruturas de Portugal, a Região Metropolitana de Coimbra e outras entidades, procurando acelerar a recuperação das duas principais ligações rodoviárias afetadas no concelho.
Perante os impactos sentidos pelas populações, empresas, transportes públicos e meios de socorro, a autarquia apresentou uma proposta técnica para permitir a reabertura parcial da EN2, no troço compreendido entre os quilómetros 238,240 e 238,450, na zona da Carvoeira.
A solução previa:
- circulação alternada através de semáforos;
- acesso exclusivo a veículos ligeiros;
- velocidade limitada a 30 km/h;
- reforço da drenagem superficial;
- execução de rampas em mistura betuminosa nas zonas fissuradas do pavimento;
- instalação da respetiva sinalização rodoviária.
O município assumia ainda a execução destas intervenções, procurando criar condições mínimas para restabelecer a circulação durante os meses de maior movimento.
Paralelamente, foram instalados alvos topográficos para monitorizar permanentemente a evolução do terreno e estão previstas novas sondagens geotécnicas. Segundo a Câmara, as leituras mais recentes apontam para uma estabilização da plataforma afetada.
IP mantém que segurança não está garantida
A proposta acabou, contudo, por ser rejeitada pela Infraestruturas de Portugal.
Na resposta enviada ao Município, a empresa pública considera que continuam por esclarecer aspetos fundamentais relacionados com a instabilidade do terreno.
Segundo a IP, “não estão reunidas condições para autorizar a circulação no troço afetado”, uma vez que permanecem desconhecidos “elementos essenciais sobre a evolução da instabilidade, designadamente a profundidade e espessura da massa de solo instabilizada”.
A empresa acrescenta ainda que os deslocamentos horizontais já observados no muro de contenção do cemitério, na ordem dos 30 centímetros, constituem “um sinal objetivo de instabilidade relevante”, não permitindo concluir que o trânsito possa ser retomado em segurança.
Relatório técnico sustenta posição da autarquia
A proposta da Câmara baseou-se num relatório técnico elaborado pelo Itecons, que identificou um conjunto de recomendações consideradas suficientes para uma reabertura condicionada.
Recorde-se que, logo após as tempestades que atingiram o concelho, o município realizou uma intervenção de emergência para estabilizar os muros do cemitério da Carvoeira, permitindo intervir nos talhões afetados. Está igualmente em curso a trasladação de algumas sepulturas, integrada nas medidas de segurança adotadas.
Apesar destes trabalhos, a decisão final continua a depender da Infraestruturas de Portugal, entidade responsável pela gestão da infraestrutura rodoviária.
Encerramento continua a penalizar mobilidade e economia
A manutenção do corte da EN2 soma-se ao encerramento da ER110 entre Coimbra e Penacova, provocando fortes constrangimentos na mobilidade de residentes, empresas e serviços essenciais.
O desvio do trânsito para percursos alternativos implica viagens mais longas, aumento dos custos de transporte e maiores tempos de resposta para diversas atividades económicas e serviços públicos.
Nos últimos meses, empresários da região têm vindo igualmente a reclamar um plano de ação urgente para a reabertura da EN2, alertando para os prejuízos acumulados e para os riscos acrescidos nas vias alternativas.
A Câmara Municipal de Penacova afirma olhar com “extrema preocupação” para o calendário atualmente perspetivado pela Infraestruturas de Portugal, considerando que tanto a EN2 como a ER110 permanecem sem uma previsão clara de reabertura, prolongando uma situação que continua a afetar diariamente a vida das populações do concelho e dos territórios vizinhos.











