Iniciativa do CLDS 5G Penacova juntou entidades locais, ensino superior e artesãos para mostrar como um saber tradicional pode gerar empreendedorismo e reforçar a identidade de Lorvão.

Na passada sexta-feira, o Centro Interpretativo do Palito, em Lorvão, acolheu a atividade “Palitos de Lorvão – Empreende-te”, promovida pelo CLDS 5G Penacova, em parceria com o Gabinete de Inserção Profissional (GIP) de Penacova, a ACIBA – Associação Comercial e Industrial da Bairrada e Aguieira e o Instituto Politécnico de Coimbra. A iniciativa procurou demonstrar que um dos mais emblemáticos saberes tradicionais do concelho pode continuar a criar oportunidades de desenvolvimento económico, inovação e valorização do património local.
Do património à criação de oportunidades

Ao longo da manhã, os participantes realizaram uma visita guiada ao Centro Interpretativo do Palito, conhecendo a evolução histórica da manufatura dos palitos de Lorvão, atividade que marcou profundamente a economia e a identidade da freguesia durante várias gerações.
O programa incluiu ainda um momento de reflexão sobre o potencial do artesanato enquanto área de empreendedorismo, dinamizado por uma start-up do distrito de Leiria, procurando aproximar os conhecimentos tradicionais das novas formas de criar valor económico e social.
Durante a tarde, a componente prática ficou a cargo da artesã Fátima Lopes, uma das principais detentoras deste saber-fazer em Penacova, que orientou um workshop de experimentação da arte de fabricar palitos, permitindo aos participantes contactar diretamente com uma técnica que exige destreza manual e um profundo conhecimento das madeiras utilizadas.
Um património que continua vivo em Lorvão
A manufatura dos palitos constitui um dos elementos mais distintivos do património cultural de Penacova. A tradição está historicamente ligada ao Mosteiro de Lorvão, onde as religiosas utilizavam pequenos palitos de madeira para decorar a doçaria conventual. Com a extinção das ordens religiosas, durante o século XIX, o conhecimento passou para a população, transformando-se numa importante atividade económica para centenas de famílias de Lorvão e das povoações vizinhas.
Durante décadas, milhares de palitos produzidos manualmente em Lorvão chegaram aos mercados nacionais e internacionais, tornando a freguesia conhecida como a “capital do palito”, expressão popularizada pelo etnógrafo Leite de Vasconcelos. Ainda hoje, este saber continua presente na memória coletiva da comunidade e integra o património cultural imaterial associado ao concelho.
Centro Interpretativo reforça valorização da tradição
A escolha do Centro Interpretativo do Palito para acolher esta iniciativa reforça o papel daquele equipamento cultural, inaugurado em 2024 na Casa do Monte, como espaço de preservação e divulgação desta herança.
O percurso expositivo apresenta a evolução da produção artesanal, os diferentes tipos de palitos, os utensílios utilizados, testemunhos de antigos produtores e a ligação desta atividade ao quotidiano das famílias de Lorvão, assumindo-se igualmente como um recurso turístico e educativo para quem visita o concelho.
Nos últimos anos, Penacova tem vindo a desenvolver diversas ações de valorização deste património, entre as quais os laboratórios do programa nacional Saber Fazer, exposições temáticas e iniciativas promovidas pelo Grupo Etnográfico de Lorvão, procurando assegurar a transmissão deste conhecimento às novas gerações.
Empreendedorismo assente na identidade local

A atividade “Palitos de Lorvão – Empreende-te” procurou precisamente demonstrar que a preservação das tradições pode caminhar lado a lado com a inovação.
Ao reunir entidades ligadas ao emprego, ao ensino superior, ao tecido empresarial e aos artesãos locais, a iniciativa mostrou aos participantes que o património cultural pode ser um fator diferenciador para a criação de novos projetos, produtos e experiências ligadas ao turismo, ao artesanato e à economia criativa.
O CLDS 5G Penacova agradeceu a colaboração do Instituto Politécnico de Coimbra, da Penaparque, do Grupo Etnográfico de Lorvão, da Junta de Freguesia de Lorvão, da artesã Fátima Lopes e de todos os participantes, sublinhando que o desenvolvimento local também passa pela valorização da identidade e da memória das comunidades.












