A cientista da NOVA FCT integra o restrito grupo de finalistas do Prémio Inventor Europeu 2026 graças ao desenvolvimento de um anticorpo inovador capaz de distinguir células tumorais de tecido saudável, abrindo novas perspetivas para o diagnóstico e tratamento oncológico

A investigadora portuguesa Paula Videira, professora catedrática da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisboa (NOVA FCT) e diretora da unidade de investigação UCIBIO, foi uma das três finalistas da categoria Research (Investigação) do Prémio Inventor Europeu 2026, promovido pelo Instituto Europeu de Patentes (EPO). A distinção reconheceu o desenvolvimento do anticorpo L2A5, uma inovação biomédica capaz de identificar com elevada precisão células tumorais, abrindo novas perspetivas para o diagnóstico precoce e para terapias oncológicas mais seletivas. A cerimónia decorreu a 2 de julho, em Berlim, tendo o prémio da categoria sido atribuído ao investigador britânico Sir Adrian Hill pelo desenvolvimento de uma vacina contra a malária.
Um anticorpo que distingue células cancerígenas de tecido saudável
A invenção liderada por Paula Videira procura responder a um dos maiores desafios da oncologia moderna: identificar de forma precisa as células tumorais sem afetar os tecidos saudáveis.
O anticorpo L2A5 reconhece glicanos específicos — moléculas de açúcar presentes à superfície de determinadas células cancerígenas — permitindo distingui-las com um grau de precisão sem precedentes. Esta capacidade poderá traduzir-se em métodos de diagnóstico mais rigorosos e em tratamentos dirigidos, reduzindo os efeitos secundários normalmente associados às terapias convencionais.
Além da utilização em diagnóstico, a tecnologia poderá servir de base ao desenvolvimento de conjugados anticorpo-fármaco, transportando medicamentos diretamente para as células tumorais e aumentando a eficácia terapêutica.
Uma descoberta construída ao longo de vários anos
Ao contrário da ideia de uma descoberta súbita, Paula Videira explica que o desenvolvimento do L2A5 foi resultado de um longo percurso científico.
Segundo a investigadora, “não houve um momento ‘eureka'”. A inovação nasceu da acumulação de resultados experimentais e da validação sucessiva da capacidade do anticorpo para reconhecer exclusivamente os tecidos tumorais, reforçando progressivamente a confiança da equipa no seu potencial clínico.
A investigação envolveu especialistas de diferentes áreas e instituições, evidenciando a importância da colaboração multidisciplinar.
Como sublinha Paula Videira, “equipas fortes constroem-se não só com pessoas, mas também com instituições”, destacando que a partilha de conhecimento científico foi determinante para transformar investigação fundamental numa inovação com potencial aplicação clínica.
Ciência portuguesa reconhecida à escala europeia
A presença da investigadora portuguesa entre os três finalistas da categoria Investigação constitui um dos mais relevantes reconhecimentos internacionais atribuídos recentemente à ciência desenvolvida em Portugal.
O Prémio Inventor Europeu distingue anualmente inventores cujas descobertas apresentam impacto científico, económico e social significativo. Na categoria de Investigação, Paula Videira competiu com o físico finlandês Mikko Möttönen e com Sir Adrian Hill, investigador da Universidade de Oxford, que viria a conquistar o galardão graças ao desenvolvimento da vacina R21/Matrix-M contra a malária.
Potencial para transformar a medicina de precisão
Embora não tenha vencido a categoria, a nomeação representa um reconhecimento internacional da qualidade da investigação portuguesa na área da glicobiologia do cancro e da medicina de precisão.
O L2A5 encontra-se protegido por patente e poderá, no futuro, contribuir para o desenvolvimento de novas estratégias de diagnóstico e tratamento oncológico, respondendo a uma das maiores necessidades da medicina contemporânea: atacar exclusivamente as células malignas, preservando os tecidos saudáveis.
O reconhecimento internacional agora alcançado reforça igualmente o papel da NOVA FCT e da UCIBIO entre os centros de investigação europeus que desenvolvem soluções inovadoras para responder a alguns dos maiores desafios da saúde pública mundial.


