Num texto de reflexão, o autor assinala um percurso de 25 anos dedicado à investigação histórica e à publicação de 27 livros, destacando o trabalho desenvolvido sobre freguesias, instituições e personalidades. Defende ainda um maior investimento no estudo da história local como forma de preservar a identidade e valorizar o património material e imaterial das comunidades.

No presente ano comemoro 25 anos de investigação e publicação de obras de cariz Histórico, Memorialístico e Identitário. Ao longo desta caminhada, publiquei um conjunto de 27 livros, dando uma média de mais de uma obra por ano, sem contar com os que estão em fase de pré-publicação.
Tudo se iniciou em 2001, quando recém licenciado em História da Arte recebi o convite para investigar e publicar uma monografia sobre a Freguesia de Botão, terra natal de meu avô materno.
Nessa altura julguei que só publicaria um livro, continuando a minha vida profissional ao nível do curso de administração que já possuía. Porém, o interesse das freguesias da região no meu trabalho foi tão intenso, que acabei por aceitar o destino: seguir a vida de investigador.
E assim, com um punhado de autarcas sensíveis às causas culturais foi possível investigar e publicar parte substancial da História do Município de Coimbra, plasmada em monografias das suas freguesias. Depois de Botão, seguiu-se S. João do Campo, Eiras, Santa Cruz, Arzila, Souselas, S. Martinho do Bispo, Ribeira de Frades, Ameal, Taveiro e Torres do Mondego. Em fase de pré-publicação está a monografia das Freguesias de Coimbra, bem como a da Freguesia de S. Paulo de Frades O interesse neste tipo de trabalhos alcançou outros municípios, como Midões (Tábua), Anobra (Arzila) e Semide (Miranda do Corvo) que está em fase de paginação.
Dentro da esfera histórica, mas de componente mais técnica, tive a possibilidade de editar duas obras sobre forais manuelinos: Alfaiates (Sabugal) e Serpins (Lousã). Em 2021 lancei em parceria com o artista plástico Victor Costa, uma obra de âmbito regional, atinente ao património imaterial: O Lendário da Região de Coimbra, iniciativa da Fundação Inatel.
Mas também publiquei obras sobre instituições e coletividades: Arcil (Lousã), ACM-Coimbra, Centro de Cirurgia Cardiotorácica (HUC), Ninho dos Pequenitos, e O Despertar. A este nível está também em fase de pré-publicação o livro sobre a Tipografia Lousanense.
Da minha safra de investigador resultou, também, quatro livros de carácter biográfico: um sobre o jornalista Lino Vinhal, outro sobre o médico e cirurgião Linhares Furtado, e dois pequenos livros de bolso; um sobre a Rainha Santa Isabel e o outro sobre Pedro e Inês.
Quando fui investigador da Fundação Bissaya-Barreto e por ocasião dos 50 anos da instituição (2008), fui autor da Fotobiografia de Bissaya-Barreto. Também sobre esta personalidade veio a ser editada pela Almedina (2023) a minha tese de doutoramento: A atividade do médico e cirurgião Bissaya-Barreto no Hospital da Universidade de Coimbra, 1911-1956.
Ao partilhar estes dados de natureza curricular e profissional, pretendo agradecer a confiança que em mim tem sido depositada ao longo destes anos, no sentido de aprofundar os estudos sobre o Poder Local, Freguesias e Municipalismo. Um trabalho que conjuga a investigação em arquivos com a pesquisa bibliográfica nas bibliotecas.
Assim, e apesar das obras já editadas, salvaguardando desta forma a história das nossas comunidades, a verdade é que muito está por fazer. Nesse sentido, disponho duma base de dados de natureza histórica, fruto das recolhas que efetuei ao longo dos anos, a qual permite alargar o esforço de investigação não só à totalidade do município de Coimbra, mas também à região.
Muita desta informação está sinalizada mas não explorada, ou seja, é inédita, carecendo de investigação de pormenor, de forma a dar lugar a mais estudos e monografias locais. Para tal basta que os municípios e freguesias se interessem pela valorização do seu património material e imaterial, que não se circunscrevam a uma dimensão de cultura popular e festiva, mas também que apostem no estudo rigoroso do seu passado, de forma a não perderem a sua identidade, abrindo caminho para eventos diversificados, tais como: recriações históricas, homenagens a personalidades, recuperação de espaços com história, criação de rotas interpretativas e também a recuperação de categorias administrativas perdidas no tempo.
É tudo uma questão de equilíbrio. Como um dia me disse um carismático presidente de junta, o dinheiro existe, está é mal distribuído. Se pensarmos um pouco verificamos que tem razão. É preciso distribuir o investimento não só pela cultura popular e festiva, mas também pela técnica e científica.
Eu digo presente e manifesto disponibilidade para continuar o caminho, consubstanciado nos largos dias que tiveram 25 anos. Têm a palavra os poderes públicos e os decisores culturais.
Sobre o autor
João Pinho é historiador e investigador, licenciado em História da Arte e doutorado em História. Dedica-se há 25 anos ao estudo da história local, do municipalismo, das freguesias e do património cultural, desenvolvendo investigação em arquivos e bibliotecas. É autor de 27 livros sobre história, memória e identidade, com especial incidência na região de Coimbra, contribuindo para a preservação e valorização do património histórico e da memória das comunidades locais.


Professor João Pinho um tão grande legado era uma pena que não fosse devidamente e plorado e aproveitado. Bem haja
Professor.!Não pare.! Muitos de nós precisamos desse maravilhoso espólio para enriquecermos a nossa mente e muito especialmente nosso espirio. Obrigada pelo muito que tem feito em prol da cultura e Coimbra tem muito a agradecer
Pela minha parte o que dizer?
Obrigada e não pare para bem da cidade e de todo o concelho.