António José Seguro destacou o papel da comunicação social local na democracia, na transparência e no desenvolvimento das comunidades, alertando para os riscos da desinformação, das plataformas digitais e da inteligência artificial para a sustentabilidade do setor.

O Presidente da República, António José Seguro, defendeu esta segunda-feira, em Braga, a importância da imprensa regional como um dos pilares da democracia portuguesa, considerando que os jornais locais e regionais desempenham um papel insubstituível na informação dos cidadãos, na fiscalização do poder e na valorização das comunidades. A posição foi assumida durante a gala comemorativa do centenário do jornal Correio do Minho, onde o chefe de Estado alertou ainda para os desafios colocados pela transformação digital, pelas plataformas globais e pelos sistemas de inteligência artificial no consumo de notícias.
Imprensa regional vista como garante da democracia local
Na intervenção realizada no Fórum Braga, António José Seguro sublinhou que a comunicação social regional vai muito além da simples divulgação de notícias, assumindo um papel determinante na construção de comunidades mais informadas e participativas.
Segundo o Presidente da República, é através dos órgãos de comunicação locais que os cidadãos acompanham as decisões dos seus municípios e freguesias, conhecem os problemas que afetam os seus territórios e participam de forma mais consciente na vida pública.
O chefe de Estado destacou igualmente a função fiscalizadora da imprensa regional, defendendo que esta contribui para a transparência das instituições e para o escrutínio democrático dos poderes locais, ao mesmo tempo que dá visibilidade a pessoas, projetos e realidades frequentemente ausentes dos grandes meios de comunicação nacionais.
“Defender a imprensa regional é defender a democracia”
Num contexto marcado pela proliferação de conteúdos nas redes sociais e pelo aumento da desinformação, António José Seguro considerou que o jornalismo regional continua a representar uma referência de proximidade, credibilidade e serviço público.
Para o Presidente da República, apoiar e proteger este setor significa reforçar a qualidade da democracia portuguesa e garantir que as comunidades dispõem de informação fiável e contextualizada sobre os assuntos que mais diretamente afetam o seu quotidiano.
A mensagem ganha especial significado num momento em que muitos órgãos de comunicação social locais enfrentam dificuldades económicas, redução de receitas publicitárias e desafios relacionados com a transição digital.
Inteligência artificial e plataformas digitais entre as maiores preocupações
Durante o discurso, António José Seguro manifestou preocupação com o impacto crescente das grandes plataformas tecnológicas e dos sistemas de inteligência artificial generativa no ecossistema mediático.
O Presidente alertou que os chamados “chatbots” de inteligência artificial estão a alterar a forma como os utilizadores acedem à informação, ao processarem conteúdos produzidos por terceiros sem conduzirem necessariamente os leitores aos meios que investem na produção jornalística.
Na sua perspetiva, esta realidade constitui mais um desafio para uma indústria que já enfrenta dificuldades estruturais relacionadas com a digitalização e com a concorrência das plataformas globais.
Seguro defendeu que o fenómeno deve merecer atenção das entidades públicas nacionais e europeias, considerando que estão em causa questões relacionadas com a sustentabilidade económica dos órgãos de comunicação social e com a preservação da diversidade informativa.
Centenário do Correio do Minho assinala resistência da imprensa regional
O discurso decorreu durante as comemorações dos 100 anos do Correio do Minho, uma das mais antigas publicações regionais portuguesas ainda em atividade.
António José Seguro destacou a capacidade de adaptação demonstrada pelo jornal ao longo do último século, referindo a coexistência das edições impressa e digital, a aposta em formatos multimédia e o desenvolvimento de estratégias de cooperação e aproximação à Galiza.
O Presidente recordou ainda a sua própria experiência ligada ao jornalismo local, revelando ter sido fundador e primeiro diretor de um jornal regional quando era mais jovem, experiência que afirmou ter contribuído para a sua compreensão da relevância da comunicação social de proximidade.
Um desafio que também diz respeito ao interior do país
As preocupações manifestadas pelo chefe de Estado encontram eco em muitas regiões do interior, incluindo o concelho de Penacova e a Região de Coimbra, onde os órgãos de comunicação locais desempenham um papel fundamental na cobertura da atualidade municipal, associativa, cultural, educativa e económica.
Num território marcado pela dispersão geográfica e pela necessidade de reforçar a coesão territorial, a existência de meios de comunicação próximos das populações continua a ser considerada essencial para garantir o acesso à informação e fortalecer a participação cívica.
A defesa da imprensa regional surge, assim, como uma questão que ultrapassa o setor dos media, estando diretamente ligada à qualidade da democracia, à valorização das identidades locais e ao desenvolvimento equilibrado dos territórios.








