Projeto de investigação quer perceber como a prática regular de mindfulness influencia o cérebro, a cognição e a saúde mental.
Uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra está a recrutar voluntários para um estudo que pretende aprofundar o conhecimento sobre os efeitos da prática de mindfulness no cérebro, no funcionamento cognitivo, na saúde mental e no bem-estar. O projeto, denominado MindfulBrain+, decorre em 2026 e procura participantes entre os 18 e os 65 anos, fluentes em português e com experiência consistente nesta prática.
Um estudo para compreender melhor o cérebro
O projeto MindfulBrain+ é liderado por investigadores da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra e procura esclarecer de que forma a prática regular de mindfulness influencia processos como a atenção, o controlo cognitivo e a regulação fisiológica do organismo.
A investigação pretende ainda analisar os efeitos da combinação entre mindfulness e estimulação transcraniana por corrente contínua (tDCS), uma técnica não invasiva que permite modular a atividade de determinadas áreas cerebrais através de correntes elétricas de baixa intensidade.
Segundo a coordenadora do projeto, Ana Ganho Ávila, apesar de vários estudos apontarem para benefícios da prática de mindfulness ao nível da atenção, da autorregulação emocional e da gestão do stress, continuam por esclarecer as razões que levam algumas pessoas a beneficiar mais do que outras.
Resultados anteriores apontam para redução da resposta ao stress
A equipa já publicou, em 2025, um estudo envolvendo 107 adultos sem experiência prévia em mindfulness. Os resultados mostraram que uma sessão única realizada em ambiente de realidade virtual não produziu melhorias significativas no desempenho cognitivo.
Contudo, os investigadores identificaram alterações na ativação autonómica, associadas a uma menor resposta fisiológica ao stress. Estes resultados sugerem que mesmo uma experiência pontual poderá influenciar mecanismos relacionados com o equilíbrio fisiológico do organismo.
A nova fase da investigação pretende agora aprofundar esta análise em praticantes regulares de mindfulness, permitindo avaliar impactos mais consistentes e duradouros.
Tecnologia para medir cérebro e corpo em simultâneo
Uma das particularidades do projeto é a utilização de diferentes ferramentas de monitorização para estudar a ligação entre cérebro, corpo e cognição.
Os investigadores irão recorrer à espectroscopia funcional de infravermelho próximo, uma tecnologia que permite acompanhar a atividade cerebral de forma não invasiva, combinando essa informação com indicadores fisiológicos como a atividade cardíaca e a resposta autonómica.
A comparação entre os efeitos do mindfulness, da estimulação cerebral e da combinação das duas abordagens poderá ajudar a identificar mecanismos biológicos associados à regulação emocional e ao funcionamento cognitivo.
Potencial impacto na saúde mental
A equipa acredita que os resultados poderão contribuir para o desenvolvimento de estratégias mais personalizadas de promoção da saúde mental.
O objetivo passa por compreender melhor processos relacionados com a regulação emocional e sintomas frequentemente associados a perturbações como a ansiedade e a depressão, áreas que têm vindo a assumir crescente relevância na investigação científica e nos sistemas de saúde.
Para uma região como Penacova, onde muitas pessoas conciliam exigências profissionais, familiares e desafios ligados ao envelhecimento da população, estudos centrados no bem-estar psicológico e na prevenção dos problemas de saúde mental podem assumir particular interesse para a comunidade.
Quem pode participar
O recrutamento encontra-se aberto a adultos com idades entre os 18 e os 65 anos, fluentes em português e com experiência consistente na prática de mindfulness.
O projeto é financiado pela Fundação BIAL e envolve uma colaboração internacional entre a Universidade de Coimbra, o Laboratório de Estimulação Cerebral Não Invasiva da Universidade de Göttingen, o Instituto de Biofísica e Engenharia Biomédica da Universidade de Lisboa e a REACH – Clínica de Saúde Mental.
Os interessados poderão obter mais informações através dos canais oficiais da Universidade de Coimbra e das equipas envolvidas no projeto.

