País entra em período de risco máximo devido à onda de calor e ao agravamento das condições meteorológicas. Governo decreta situação de alerta entre sexta-feira e segunda-feira, mobilizando todos os agentes de proteção civil.

A Guarda Nacional Republicana (GNR) reforçou significativamente o dispositivo de vigilância e prevenção de incêndios rurais em todo o território nacional, incluindo o distrito de Coimbra e o concelho de Penacova, mobilizando 230 postos de vigia, 147 torres de videovigilância, até 350 patrulhas diárias e meios tecnológicos como drones. A medida surge numa altura de elevado risco de incêndio devido à onda de calor que afeta Portugal, levando o Governo a decretar a situação de alerta entre as 00h00 de sexta-feira e as 23h59 de segunda-feira. O reforço pretende aumentar a deteção precoce de ignições, prevenir comportamentos de risco e garantir uma resposta mais rápida às ocorrências.

Vigilância reforçada em todo o país

O dispositivo da GNR encontra-se atualmente em plena capacidade operacional, acompanhando a entrada na fase mais crítica da época de incêndios rurais.

Segundo explicou o coronel Ricardo Alves, da GNR, durante uma conferência de imprensa realizada na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), o número de patrulhas regulares diárias ronda as 280, podendo atingir as 350 quando são integradas outras valências da força de segurança.

Além dos militares destacados para a vigilância florestal, participam também elementos das áreas de trânsito, investigação criminal e da Unidade de Controlo Costeiro e Fronteiras.

A componente tecnológica tem igualmente um papel cada vez mais relevante. A GNR mantém entre três e quatro drones em operação permanente para monitorizar zonas onde existam suspeitas de incêndios provocados ou outras atividades ilícitas relacionadas com ignições.

Paralelamente, as 147 torres de videovigilância espalhadas pelo território permitem acompanhar em tempo real áreas consideradas críticas ou com histórico de elevado risco de incêndio.

Mil militares da GNR associados ao ataque inicial

Outra das missões atribuídas à GNR passa pelo apoio aos meios aéreos de combate aos incêndios.

A força de segurança assegura o guarnecimento dos meios helicotransportados dedicados ao ataque inicial, envolvendo cerca de mil militares em regime de escala.

Este dispositivo é considerado fundamental para garantir uma resposta rápida nas primeiras fases dos incêndios, período em que as probabilidades de sucesso na extinção dos fogos são significativamente maiores.

Forças Armadas também reforçam vigilância

As Forças Armadas encontram-se igualmente empenhadas nas ações de prevenção e vigilância.

Além das equipas terrestres que realizam ações de sensibilização junto das populações, vários meios aéreos militares estão a efetuar missões de reconhecimento e monitorização em diferentes regiões do país.

A cooperação entre os vários agentes de proteção civil tem sido uma das prioridades das autoridades perante as previsões meteorológicas particularmente adversas para os próximos dias.

Incêndio de Vouzela continua a mobilizar meios

Durante a mesma conferência de imprensa, o comandante nacional de Emergência e Proteção Civil, o segundo-comandante nacional Mário Silvestre, fez o ponto de situação dos incêndios em curso.

Entre a meia-noite e as 15h00 desta quinta-feira registaram-se 62 ocorrências em território nacional, algumas delas iniciadas ainda durante a madrugada.

No total, estiveram envolvidos no combate aos incêndios 1.995 operacionais, apoiados por 537 veículos terrestres e 61 meios aéreos.

O incêndio que lavra na zona de Vouzela continuava a merecer especial atenção das autoridades, devido à complexidade do terreno e às condições meteorológicas desfavoráveis. Dois helicópteros da Força Aérea encontram-se empenhados naquela ocorrência.

Noites deixam de ajudar no combate aos fogos

As previsões do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) apontam para temperaturas elevadas, baixa humidade relativa do ar e vento em algumas regiões, fatores que potenciam a propagação rápida dos incêndios.

Segundo Mário Silvestre, a habitual “janela de oportunidade” proporcionada pelas temperaturas mais baixas e maior humidade durante a noite será muito reduzida nas próximas madrugadas.

Esta situação preocupa as autoridades, uma vez que dificulta o trabalho dos operacionais e aumenta a probabilidade de reacendimentos.

Penacova sob vigilância reforçada

No concelho de Penacova, onde extensas áreas florestais ocupam grande parte do território e onde os incêndios rurais têm marcado diversos verões nas últimas décadas, o reforço da vigilância assume particular importância.

Nos últimos dias, as autoridades locais têm apelado ao cumprimento rigoroso das medidas de prevenção, numa fase em que o risco de incêndio rural se encontra elevado ou muito elevado em várias zonas da região Centro.

Recorde-se que o dispositivo especial de combate a incêndios rurais entrou recentemente na sua capacidade máxima, com reforço de bombeiros, equipas de sapadores florestais, meios aéreos e forças de segurança, numa estratégia nacional destinada a reduzir o número de ignições e limitar a dimensão dos incêndios.

Governo decreta situação de alerta

Face ao agravamento das condições meteorológicas e ao aumento significativo do risco de incêndio rural, o Governo decretou a situação de alerta para todo o território continental.

A medida vigora entre as 00h00 de sexta-feira e as 23h59 de segunda-feira e prevê o reforço da prontidão operacional dos agentes de proteção civil, bem como restrições a atividades suscetíveis de provocar incêndios.

As autoridades apelam à população para evitar queimadas, fogueiras, utilização de maquinaria que produza faíscas e outras ações de risco durante este período crítico.

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