Portugal reforça esta quarta-feira, 1 de julho, o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais para o nível mais elevado da época crítica. A medida surge num contexto preocupante, com o número de incêndios e a área ardida a duplicarem face ao mesmo período do ano passado.

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) ativou esta quarta-feira, 1 de julho, o nível Delta do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) em todo o território nacional, colocando em prontidão máxima 15.149 operacionais, 3.463 viaturas e 81 meios aéreos. O reforço, que vigorará até 30 de setembro, surge devido ao aumento significativo do risco de incêndio durante os meses mais quentes do ano e numa altura em que Portugal já regista mais de 7.100 incêndios rurais e mais de 14 mil hectares ardidos em 2026, números que representam o dobro dos registados no mesmo período de 2025.
Dispositivo reforçado para enfrentar o período mais crítico
Com a entrada em vigor do nível Delta, o país passa a contar com a maior capacidade operacional prevista na Diretiva Operacional Nacional (DON) para 2026.
O dispositivo integra bombeiros voluntários, elementos da Força Especial de Proteção Civil, militares da Guarda Nacional Republicana (GNR), sapadores florestais e sapadores bombeiros florestais do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), além de outras entidades que integram o Sistema Integrado de Operações de Proteção e Socorro.
Entre os meios aéreos previstos destacam-se 81 aeronaves, incluindo os três helicópteros da AFOCELCA. Uma das novidades deste ano é a entrada em operação dos dois helicópteros Black Hawk da Força Aérea Portuguesa, reforçando a capacidade de ataque inicial e ampliado aos incêndios rurais.
Comparativamente ao dispositivo de 2025, verifica-se um ligeiro aumento no número de operacionais, equipas e viaturas mobilizáveis.
Mais meios com retardante para travar a propagação das chamas
Outra das principais alterações introduzidas em 2026 prende-se com o reforço da utilização de retardante químico nos meios aéreos.
Esta substância, amplamente utilizada em vários países com elevada incidência de incêndios florestais, permite reduzir a velocidade de propagação do fogo, criando linhas de contenção que facilitam o trabalho das equipas terrestres.
Segundo a ANEPC, no ano passado apenas um Centro de Meios Aéreos estava equipado para operar com retardante. Este ano, essa capacidade foi alargada para cinco centros, permitindo uma resposta mais rápida e eficaz em situações de grande dimensão.
Incêndios e área ardida duplicaram em relação a 2025
Os dados provisórios do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR) revelam um agravamento significativo da situação nacional.
Até ao final de junho foram registados 7.173 incêndios rurais, responsáveis por 14.173 hectares de área ardida. A região Norte concentra a maior parte das ocorrências, contabilizando 2.131 incêndios e cerca de 9.643 hectares consumidos pelas chamas.
Face ao mesmo período de 2025, tanto o número de ocorrências como a área ardida registam um aumento superior a 100%.
De acordo com os dados disponíveis, a área ardida acumulada em 2026 é a mais elevada desde 2017, enquanto o número de incêndios representa o valor mais alto desde 2022.
Governo antecipa verão difícil
O ministro da Administração Interna tem vindo a alertar para um verão particularmente exigente em matéria de incêndios rurais, apontando as elevadas temperaturas, a escassez de precipitação e o estado da vegetação como fatores de risco acrescido.
Uma das regiões que mereceu especial atenção no planeamento deste ano foi a de Leiria, fortemente afetada pela depressão Kristin no início do ano. A queda de milhares de árvores aumentou significativamente a carga combustível existente em várias áreas florestais.
Para mitigar esse risco, foi criado naquela zona um Comando Integrado de Prevenção e Operações (CIPO), responsável pela remoção de material combustível, limpeza de áreas críticas, reabertura de caminhos florestais e melhoria dos acessos para meios de combate.
Penacova mantém vigilância elevada durante os meses de verão
No concelho de Penacova, marcado por uma vasta mancha florestal e por um histórico de grandes incêndios rurais, a entrada na fase Delta assume particular relevância.
As corporações de bombeiros, as equipas de sapadores florestais e as autoridades locais mantêm-se em estado de elevada prontidão para responder a eventuais ocorrências durante os próximos meses, tradicionalmente os mais críticos do ano.
As autoridades continuam a apelar à população para evitar comportamentos de risco, cumprir as restrições legais em dias de perigo elevado ou máximo de incêndio rural e comunicar rapidamente qualquer foco de incêndio através do 112.












