Nova aliança reúne universidades, municípios, centros de inovação e empresas tecnológicas para duplicar a faturação do setor espacial e criar centenas de empregos qualificados na região.

Coimbra deu, no passado domingo, 29 de junho, um passo estratégico para afirmar a Região de Coimbra no setor aeroespacial com a assinatura do memorando de entendimento da Coimbra Supernova, uma aliança que junta instituições públicas, academia, centros de inovação e empresas tecnológicas. O acordo foi formalizado no Convento São Francisco, em Coimbra, com o objetivo de posicionar a região como uma referência nacional e europeia na economia do Espaço, através da atração de investimento, talento, inovação e projetos internacionais.

Uma estratégia conjunta para crescer na economia do Espaço

Ricardo Conde, presidente da Agência Espacial Portuguesa

A Coimbra Supernova nasce da união da Universidade de Coimbra (UC), da Câmara Municipal de Coimbra, do Instituto Pedro Nunes (IPN), do iParque, da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (CIM-RC), do Município da Pampilhosa da Serra e das empresas Active Space Technologies, Critical Software, Neuraspace, Open Cosmos e Spotlite.

A iniciativa pretende consolidar um ecossistema que já existe há vários anos na região, mas cuja dimensão e impacto permanecem pouco conhecidos fora dos círculos especializados.

A visão da nova plataforma passa por afirmar Coimbra como um território de excelência na economia espacial, promovendo uma estratégia comum de cooperação entre entidades públicas e privadas, valorização do conhecimento científico e tecnológico e desenvolvimento económico sustentável.

Durante a apresentação, foram definidas metas ambiciosas para 2030: aumentar a faturação agregada do cluster espacial regional dos atuais 25 milhões para 50 milhões de euros e elevar o número de postos de trabalho qualificados de cerca de 350 para 750.

Universidade de Coimbra reforça aposta no setor aeroespacial

O reitor da Universidade de Coimbra, Amílcar Falcão, sublinhou o compromisso da instituição com a nova aliança, destacando que a UC possui uma forte base científica ligada ao setor.

Segundo o responsável, cerca de metade dos centros de investigação da universidade desenvolvem trabalho relacionado, direta ou indiretamente, com o Espaço. O próximo ano letivo marcará ainda o arranque da nova licenciatura em Engenharia Aeroespacial, reforçando a oferta formativa numa área considerada estratégica para o futuro.

A aposta da academia surge em sintonia com o crescimento da indústria espacial portuguesa e europeia, num contexto em que as tecnologias associadas aos satélites, observação da Terra, telecomunicações e monitorização ambiental assumem cada vez maior relevância económica e social.

Coimbra quer liderar em Portugal e afirmar-se na Europa

Na cerimónia, a presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, destacou a importância da iniciativa para o posicionamento da região.

A autarca considerou que existe um objetivo claro e partilhado: transformar Coimbra numa referência incontornável no setor espacial em Portugal, com capacidade para competir à escala ibérica e europeia.

A criação da Coimbra Supernova surge também alinhada com estratégias nacionais de inovação e com o crescente protagonismo de Portugal na economia espacial, impulsionado pela atividade da Agência Espacial Portuguesa e pela crescente presença de empresas portuguesas em projetos internacionais.

Uma história que começou há mais de uma década

Apesar da formalização da nova aliança acontecer agora, o trabalho desenvolvido na região nesta área tem raízes mais antigas.

O presidente do Instituto Pedro Nunes, João Gabriel Silva, recordou que o IPN acolhe há cerca de 12 anos atividades ligadas à incubadora da Agência Espacial Europeia (ESA BIC Portugal), contribuindo para o surgimento de dezenas de empresas tecnológicas relacionadas com o setor.

Segundo o responsável, entre 60 e 70 empresas já passaram por este ecossistema de incubação, demonstrando que Coimbra possui uma trajetória consolidada no desenvolvimento de soluções espaciais, ainda que nem sempre reconhecida a nível nacional.

A Coimbra Supernova pretende precisamente reforçar essa visibilidade, promovendo uma marca comum capaz de projetar internacionalmente as competências científicas, tecnológicas e empresariais existentes na região.

Pampilhosa da Serra e a astronomia como ativo regional

Entre os parceiros fundadores encontra-se o Município da Pampilhosa da Serra, que nos últimos anos tem vindo a afirmar-se através do Cluster Espaço-Astronomia e da valorização dos céus escuros da serra do Açor.

A participação do concelho nesta aliança reforça a ligação entre ciência, tecnologia, observação astronómica e desenvolvimento territorial, contribuindo para uma estratégia regional mais abrangente.

A sessão contou ainda com intervenções do presidente da Câmara Municipal da Pampilhosa da Serra, Jorge Custódio, e da presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra, Helena Teodósio.

Empresas tecnológicas unem-se para acelerar crescimento

O coordenador da Coimbra Supernova, Carlos Sequeira, apresentou a estratégia da iniciativa e moderou um painel empresarial que reuniu representantes das empresas fundadoras.

Participaram Filipe Castanheira (Active Space Technologies), Mauro Gameiro (Critical Software), Miguel Gonçalves (Neuraspace), Tiago Rebelo (Open Cosmos) e Martino Correia (Spotlite), que partilharam a visão sobre os desafios e oportunidades da indústria espacial.

O encerramento da cerimónia esteve a cargo do presidente da Agência Espacial Portuguesa, Ricardo Conde, e do vice-presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Miguel Antunes.

A criação da Coimbra Supernova representa um dos mais ambiciosos projetos de cooperação regional dos últimos anos, procurando transformar conhecimento científico em desenvolvimento económico e posicionar a Região de Coimbra como um dos principais polos espaciais da Península Ibérica.

Fotos UC/Município de Coimbra

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