Com temperaturas acima dos 40 graus previstas para os próximos dias, a Federação Portuguesa de Nadadores-Salvadores apela à adoção de comportamentos seguros junto da água e pede que o risco de afogamento seja incluído nas campanhas de alerta às ondas de calor.

A Federação Portuguesa de Nadadores-Salvadores (Fepons) lançou esta semana um alerta à população para o aumento do risco de afogamento associado ao período de calor extremo previsto para Portugal continental, apelando à escolha de zonas balneares vigiadas e à adoção de medidas de prevenção. O aviso surge numa altura em que o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) prevê temperaturas máximas entre os 40 e os 43 graus em várias regiões do país, incluindo distritos do Centro, a partir de quarta-feira. O objetivo é reduzir o número de acidentes em rios, barragens, praias e piscinas, sobretudo em locais sem vigilância.

Onda de calor aumenta procura por zonas de banho

Segundo a Fepons, a experiência registada noutros países europeus demonstra que os episódios de calor intenso levam milhares de pessoas a procurar locais para se refrescarem, aumentando significativamente a exposição ao risco de afogamento.

A federação alerta que muitos destes acidentes ocorrem em rios, barragens, lagoas e outras zonas sem vigilância, onde as características do fundo, as correntes ou a profundidade da água podem representar perigos difíceis de identificar.

Face a este cenário, a recomendação principal passa por privilegiar praias marítimas, fluviais e piscinas com vigilância permanente de nadadores-salvadores.

Crianças exigem vigilância constante

Entre os conselhos divulgados, a Fepons destaca a necessidade de manter as crianças sempre sob supervisão direta de um adulto, defendendo que estas permaneçam “à distância de um braço” sempre que estejam próximas da água.

A federação aconselha igualmente a evitar mergulhos em locais desconhecidos, a não entrar na água sozinho e a não consumir bebidas alcoólicas antes ou durante atividades aquáticas.

Os especialistas sublinham que o calor extremo pode provocar fadiga, desidratação e alterações físicas que aumentam a probabilidade de acidentes, razão pela qual a prevenção deve começar ainda antes da entrada na água.

Portugal mantém números preocupantes

Os dados mais recentes do Observatório do Afogamento da Fepons revelam que 57 pessoas morreram afogadas em Portugal até 31 de maio deste ano. O valor é praticamente idêntico ao registado no mesmo período de 2024, quando foram contabilizadas 58 vítimas mortais.

A comparação ganha particular relevância porque 2024 ficou marcado como o pior período homólogo desde o início da série histórica do observatório, em 2017.

A federação considera que estes números demonstram a necessidade de reforçar a sensibilização pública, sobretudo durante os meses de verão e em períodos de temperaturas excecionalmente elevadas.

Exemplo de França reforça preocupação

Como exemplo do impacto das ondas de calor na segurança aquática, a Fepons refere que a atual vaga de calor em França já esteve associada a mais de meia centena de mortes por afogamento.

A entidade entende que estes episódios devem servir de alerta para Portugal, numa altura em que as condições meteorológicas previstas apontam para vários dias consecutivos de calor intenso.

Distritos sob aviso devido ao calor

De acordo com as previsões do IPMA, Portugal continental atravessa um período prolongado de tempo muito quente e seco, com temperaturas que poderão ultrapassar os 40 graus em diversas regiões.

Na sequência destas previsões, vários distritos encontram-se sob aviso amarelo, estando prevista a ativação de aviso laranja para zonas do Alentejo e, posteriormente, para os distritos de Lisboa, Setúbal, Santarém e Leiria.

Embora o distrito de Coimbra não esteja entre os territórios inicialmente abrangidos pelos níveis mais elevados de aviso, as temperaturas elevadas previstas para a região Centro deverão levar muitas pessoas a procurar praias fluviais, piscinas e zonas balneares do concelho de Penacova, conhecido pela sua forte ligação ao rio Mondego.

Apelo às autoridades

A Fepons defende que o risco de afogamento deve passar a integrar de forma sistemática as campanhas públicas de proteção civil e saúde durante os períodos de calor extremo, à semelhança dos alertas relativos à hidratação, exposição solar ou risco de incêndio rural.

A federação considera que a sensibilização precoce e a adoção de comportamentos responsáveis continuam a ser as medidas mais eficazes para evitar tragédias.

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