Forças Armadas mobilizam aeronaves, drones e helicóptero Black Hawk para reforçar a deteção precoce e o combate aos incêndios. Penacova integra uma das regiões sob vigilância reforçada.

Joe Campion Photo

O Governo decidiu reforçar a vigilância aérea na região Centro do país, incluindo o distrito de Coimbra, face ao agravamento das condições meteorológicas previsto para os próximos dias. A medida, anunciada pelos ministérios da Defesa Nacional e da Administração Interna, entra em vigor já este fim de semana e prevê o destacamento de meios aéreos militares para apoiar a deteção precoce e o combate a incêndios rurais, numa altura em que as temperaturas poderão aproximar-se ou ultrapassar os 40 graus Celsius em várias zonas do território continental.

A operação decorrerá na área de atuação do Comando Integrado de Prevenção e Operações (CIPO), abrangendo particularmente os 26 concelhos mais afetados pela tempestade Kristin, fenómeno meteorológico que provocou a queda de milhares de árvores e o aumento significativo da carga combustível existente nos terrenos florestais.

Embora Penacova não esteja incluída entre os concelhos mais atingidos pela tempestade, o concelho integra uma das regiões classificadas como especialmente vulneráveis aos incêndios rurais durante o verão, devido à sua vasta mancha florestal e ao histórico de ocorrências registadas nos últimos anos.

Base de Monte Real será centro operacional avançado

Durante o período de alerta, será ativado um Centro de Operações Permanente na Base Aérea n.º 5, em Monte Real, no concelho de Leiria. Esta estrutura funcionará como base avançada de apoio ao dispositivo de prevenção e combate, sob coordenação do Estado-Maior-General das Forças Armadas.

Segundo o comunicado conjunto dos dois ministérios, ficará concentrado em Monte Real um conjunto significativo de meios aéreos da Força Aérea Portuguesa e da Marinha, permitindo aumentar a capacidade de vigilância sobre as áreas consideradas de maior risco.

Entre os meios mobilizados encontram-se aeronaves P-3C CUP+, aviões EADS C-295M, sistemas aéreos não tripulados (drones) e um helicóptero UH-60L Black Hawk, capaz de realizar missões de reconhecimento e apoio ao combate inicial aos incêndios.

Temperaturas poderão ultrapassar os 40 graus

A decisão surge na sequência das previsões divulgadas pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), que apontam para uma subida significativa das temperaturas a partir de sábado, 20 de junho.

De acordo com a meteorologista Maria João Frada, os modelos meteorológicos têm vindo a convergir para um cenário de tempo muito quente e seco durante a próxima semana, com valores máximos que poderão atingir ou mesmo ultrapassar os 40 graus em algumas regiões do país.

Caso esta tendência se confirme, o IPMA deverá emitir avisos de tempo quente para vários distritos, podendo o alerta ser alargado progressivamente a todo o território continental.

As elevadas temperaturas, associadas à baixa humidade relativa do ar e ao vento, constituem fatores que aumentam significativamente o perigo de incêndio rural.

Apelo à responsabilidade da população

No comunicado divulgado esta quinta-feira, o Governo apelou à máxima responsabilidade dos cidadãos durante os próximos dias, recordando que qualquer comportamento negligente pode desencadear incêndios com consequências graves para pessoas, habitações, explorações agrícolas e património natural.

As autoridades recomendam que sejam evitadas queimadas, queimas de sobrantes agrícolas e outras atividades suscetíveis de provocar ignições, sobretudo nos períodos de maior calor.

Penacova mantém vigilância reforçada durante a época crítica

Recorde-se que o concelho de Penacova possui uma das maiores áreas florestais do distrito de Coimbra, sendo frequentemente abrangido pelos dispositivos especiais de prevenção e combate aos incêndios rurais.

Nos últimos anos, o município, os bombeiros voluntários, a GNR e as entidades de proteção civil têm vindo a reforçar ações de sensibilização junto da população, bem como operações de gestão de combustível e limpeza de faixas de proteção, numa estratégia destinada a reduzir o risco de grandes incêndios.

Com a entrada em mais um período de calor intenso, as autoridades renovam o apelo à adoção de comportamentos preventivos, fundamentais para proteger a floresta, as populações e os recursos naturais da região.

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