Gosto muito de ver pessoas felizes, que se entregam com toda a sua energia e criatividade para envolver outros à sua volta.
Foi assim na passada sexta-feira que o terreiro da Vila se iluminou através do brilho das roupas e das luzes, tendo como pano de fundo o brilho da boa vontade de tantos e tantas que, de uma ou outra forma, ali trouxeram uma beleza sem fim.
Oito marchas: duas de Coimbra, três da Figueira de Lorvão, duas de Penacova e uma de Travanca. Cada qual com o seu tema, o seu trabalho, a sua dedicação e todas com um brilho especial, a arte da boa disposição em cada rosto.
As duas marchas de crianças, da Escola Básica de Penacova e do ATL de Figueira de Lorvão, vieram reconhecer este espaço emblemático que sentiu e viveu, há 25 anos, pela primeira vez, a dança das marchas nos pés dos meninos e meninas (hoje homens e mulheres) que frequentavam o Centro de Acolhimento e, em junção com outras marchas, iniciaram esta história bonita em Penacova.
Esta história poderia ser mais atraente e, digamos, mais congregadora se a instituição da freguesia, a Santa Casa da Misericórdia, saísse do seu habitat e viesse para a rua mostrar que a sua vocação também é estar com a comunidade. Com as marchas ou qualquer outra atividade, é sim acolher e cuidar, mas também deverá ser divertir. A missão deverá ser constante e a massa humana não falta, com uma creche e um ATL. É a única estrutura física da freguesia de Penacova que tem o controlo social e isso permite-lhes ter todas as ferramentas nesta e noutras áreas. Há necessidade urgente de mudar mentalidades, de criar condições para outros mais novos se integrarem e desenvolverem novas ideias nesta comunidade de Penacova.
E a nossa Junta de Freguesia? Estiveram ali presentes duas Juntas de Freguesia em representação das marchas e do povo das suas aldeias. Senti tristeza porque, mais uma vez, até esta instituição pública fica no seu marasmo social e cultural. A mencionar que, em eventos como este, a política não pode nem deve ter cores.
E assim, ao longo dos anos, até décadas, a Vila de Penacova vai mergulhando num frágil esqueleto ósseo sem bases e, muitas vezes, sem qualquer identificação.
Vão-nos presenteando com novas dinâmicas muitas das nossas aldeias da freguesia e, recentemente, a Casa do Povo de Penacova, que com as suas juventudes e direções demonstram e tiram do emperramento as tradições esquecidas, e assim vão desbravando caminhos e tornando o mundo mais amado e unido.
Maria da Saudade Silva Fernandes Lopes nasceu a 22 de Abril de 1958. Em 1984 iniciou a actividade profissional como monitora de ATL. Durante 20 anos foi impulsionadora do Centro de Acolhimento de Penacova. Entre 1989 e 2004 fez parte da Associação de Pais e Encarregados de Educação do Ensino Preparatório e Secundário de Penacova. Colabora com a Liga Portuguesa contra o Cancro, tendo sido, durante onze anos, responsável pelas actividades no concelho. Com forte ligação à igreja, foi catequista e integrou a equipa do Curso de Preparação para o Matrimónio. Entre 2008 e 2013 exerceu funções de governanta da Casa de Repouso de Penacova a convite da diocese de Coimbra. Com forte actividade na vida da comunidade, pertenceu ao Coro Polifónico de Penacova, pertence ao Coro Divo Canto, desde 2016, e ao Grupo de Teatro e Variedades da Casa do Povo de Penacova desde 2023. Mulher, mãe e avó, sempre pronta a receber com amor e dedicação com o lema “onde comem seis, comem dez”, na sua casa de família acolheu crianças e jovens durante o período escolar e colónias de férias. Acolheu jovens franceses no âmbito das Jornadas Mundiais da Juventude, acolheu uma família ucraniana e acolheu elementos de grupos corais de outros países. Acolhe amigos e conhecidos e conhecidos dos conhecidos, sempre dedicada ao próximo e ao seu amado concelho de Penacova. Em 2024, Saudade Lopes foi distinguida com a Medalha de Mérito Cultural e Voluntariado municipal. É uma voz ativa em grupos culturais do concelho, como o coro, e esteve na liderança de projetos de voluntariado local.