Penacova surge em destaque no recém-lançado “Atlas das Criaturas Mágicas de Portugal”, editado este mês pela Penguin Random House, através da figura lendária do Gigante Monderigon, uma entidade ancestral ligada ao rio Mondego e à tradição oral da região Centro. A obra, dirigida especialmente ao público mais jovem, ganha particular simbolismo no Dia Mundial da Criança que hoje se celebra.

A obra, da autoria de Samuel F. Pimenta com ilustrações de Helena Soares, reúne cerca de 70 criaturas do imaginário popular português, numa viagem visual e literária que percorre o continente, os Açores e a Madeira. O objetivo é claro: preservar e divulgar o património cultural imaterial junto das novas gerações, dando corpo a duendes, dragões, mouras encantadas e monstros de rios e montanhas.
Entre todas estas figuras, o Gigante Monderigon destaca-se como um dos símbolos mais emblemáticos do Centro do país. Segundo a tradição popular recuperada na publicação, Monderigon terá dado nome ao rio Mondego e encontra-se enterrado de pé em Penacova, numa narrativa lendária que atravessou séculos através da oralidade e da memória coletiva das populações locais.
Livro nasce da ligação entre mapas, território e magia

Numa entrevista divulgada pela Penguin Livros, Samuel F. Pimenta revela que a ideia para o atlas surgiu após descobrir um mapa escocês de criaturas lendárias, despertando-lhe a vontade de criar um equivalente português. O autor sublinha que muitas destas criaturas “são indissociáveis do território”, refletindo antigas crenças populares ligadas a rios, montanhas, lagoas e locais considerados sagrados.
“Atlas das Criaturas Mágicas de Portugal” apresenta-se como uma viagem visual pelo património lendário português. O livro está organizado por regiões e combina ilustrações coloridas com pequenos textos descritivos sobre cada criatura.
Além do Gigante Monderigon, o atlas inclui figuras como os Trasgos, tradicionalmente associados ao universo dos duendes portugueses, a Coca de Monção, descrita como um dragão ligado ao rio Minho, as Tágides do Tejo, o Homem das Sete Dentaduras da Fuseta ou as Mouras Encantadas do Algarve.
O autor, Samuel F. Pimenta, explica na introdução que muitas destas criaturas sobreviveram graças à tradição oral, passando de geração em geração em aldeias, vilas e cidades portuguesas.
A publicação procura igualmente despertar nos leitores mais jovens o interesse pelo património cultural, pelas lendas regionais e pela riqueza narrativa existente em Portugal.
Dia Mundial da Criança: um presente para a imaginação

Celebra-se hoje, 1 de junho, o Dia Mundial da Criança, uma data que recorda a importância de garantir aos mais novos não apenas direitos fundamentais, mas também o acesso à cultura, à fantasia e ao conhecimento das suas raízes. O “Atlas das Criaturas Mágicas de Portugal” surge como um presente precioso nesse contexto: um livro que convida miúdos e graúdos a viajar pelo país através do olhar encantado das lendas, estimulando a curiosidade, a leitura e a descoberta do património imaterial português.
Num tempo em que os ecrãs dominam grande parte do tempo livre das crianças, obras como esta recordam o poder transformador da narrativa oral e da ilustração, oferecendo às famílias uma oportunidade de se reunirem em torno de histórias que moldaram a identidade de territórios inteiros — como Penacova e o seu gigante enterrado de pé.
Esta visibilidade poderá igualmente contribuir para despertar interesse turístico e cultural em torno das lendas locais, num momento em que várias regiões do país procuram recuperar tradições orais e elementos identitários da memória coletiva.
Os autores e as próximas apresentações
Samuel F. Pimenta, licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa, é autor de várias obras de poesia e romance, entre as quais “Ágora”, “Iluminações de Uma Mulher Livre” e “Ophiussa”. Helena Soares, ilustradora e designer gráfica, é conhecida pelo trabalho em projetos editoriais ilustrados, incluindo “António Variações, uma biografia”, em parceria com Bruno Horta.
O livro encontra-se já disponível nas livrarias de todo o país, com sessões de apresentação agendadas na Feira do Livro de Lisboa a 04 de junho (apresentação+autógrafos) e na Livraria Aqui Há Gato, em Lisboa (a 20 de junho).
Para além do atlas: Penacova, terra de histórias e mistérios
A inclusão do Gigante Monderigon nesta obra insere-se num fértil ecossistema de tradição oral que, em Penacova, tem sido particularmente bem preservado e divulgado. Ao longo dos últimos anos, David Almeida, autor de várias crónicas publicadas tanto no jornal digital Penacova Actual como no blogue Penacova Online, tem vindo a resgatar um notável acervo de lendas e narrativas do concelho.
Entre as histórias que David Almeida tem trazido a público contam-se as lendas das bruxas no Reconquilho, a misteriosa cobra gerada a partir de um cabelo de mulher, os gigantes de Figueira de Lorvão e o fascinante “geomonumento” da Livraria do Mondego — local de visita obrigatória para quem quiser sentir a força telúrica que inspirou estas narrativas.
Estas e outras crónicas demonstram que Penacova é, por direito próprio, uma terra de histórias e mistérios, onde o Gigante Monderigon — agora imortalizado no “Atlas das Criaturas Mágicas de Portugal” — faz companhia a um imaginário riquíssimo que merece continuar a ser contado e partilhado.










