Presidente da CCDR Centro defende cultura como “fator de diferenciação” e anfitriões destacam papel das comunidades na transmissão de tradições.

A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDR Centro), em parceria com o Património Cultural, I.P., promoveu hoje, no seu auditório em Coimbra, a primeira jornada do “Património Cultural Imaterial – Encontro na Região Centro”. O evento, que visa refletir e delinear estratégias de valorização e salvaguarda das tradições e saberes-fazer da região, contou com a presença de especialistas e agentes culturais . Amanhã, dia 30 de maio, a iniciativa prolonga-se no Pavilhão Centro de Portugal, numa sessão aberta ao público para mostrar tradições vivas.

A sessão de abertura, que decorreu esta manhã, serviu para enquadrar politicamente a importância do evento. José Ribau Esteves, presidente da CCDR Centro, sublinhou que a Cultura deve ser encarada como um “instrumental no desenvolvimento e na promoção turística de um território” e um “fator de diferenciação do território agregado a um povo” .

“Temos a obrigação de gerir bem a honra cultural que foi deixada pelas gerações que nos antecederam”, afirmou Ribau Esteves, destacando o papel dos cidadãos anónimos como “agentes de preservação e promoção da cultura”.

Rede e artesanato no centro do debate

A vice-presidente do Património Cultural, I.P., Ana Catarina Sousa, sublinhou a importância deste encontro para definir os caminhos de uma área que “ganhou importância nas políticas públicas e nas comunidades, pelo seu papel de coesão e identitário”. A responsável defendeu o trabalho em rede como essencial para a preservação das boas práticas.

Presente na mesa de abertura, o diretor-geral das Artes, Américo Rodrigues, destacou a dimensão sustentável da produção artesanal. Segundo o responsável, o saber-fazer dos artesãos é “vital para o presente e o futuro”, representando uma “resposta sustentável aos desafios da época: economia global, crises climáticas e a própria sustentabilidade do planeta” .

Saber-Fazer em prática

No sábado, dia 30 de maio, entre as 10h00 e as 12h30, o Pavilhão Centro de Portugal (localizado no Largo do Arnado) recebe o público para a iniciativa “Saber-Fazer: Património Cultural Imaterial em Prática”. A organização promete uma manhã de contacto direto com artesãos e mestres de várias tradições .

Estarão em destaque práticas como o Barrete de Lã, o Bordado de Castelo Branco, a Capucha de Vouzela, as Esteiras de Bunho de Arzila, a Tecelagem de Almalaguês, a Dieta Mediterrânica, a Manufatura de Palitos, a Louça Tradicional de Coimbra e o Barro Preto de Olho Marinho.

Música e apoio técnico

A componente musical ficará a cargo do “Canto a Vozes de Mulheres”, com a atuação do grupo “Coro das Mulheres da Fábrica” e “Segue-me à Capela”. Em paralelo, decorrerá o momento “Imaterial na Hora — Esclarecimento Técnico”, dedicado a esclarecer dúvidas sobre os processos de inventariação do património cultural imaterial para os agentes culturais e comunidade em geral.

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