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São Pedro de Alva vai ficar sem serviço durante 17 dias no Verão. Autarquia impedida de substituir funcionários por falta de acesso a plataformas da ULS.

O executivo da União das Freguesias de São Pedro de Alva e São Paio de Mondego anunciou ontem, 27 de maio, em comunicado oficial, que a extensão de saúde local irá encerrar de forma faseada durante o próximo Verão. A medida, confirmada pela Unidade de Saúde Familiar (USF) de Penacova, deve-se à escassez crítica de profissionais para assegurar o funcionamento seguro e contínuo do serviço entre meados de junho e o final de julho. O executivo da autarquia manifestou ainda “profunda solidariedade” para com a população, especialmente idosos e utentes com mobilidade reduzida, e revelou a impossibilidade da autarquia em substituir o pessoal administrativo ausente devido a restrições impostas pela Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra.

Calendário dos encerramentos

De acordo com a informação disponibilizada na página oficial da autarquia, a extensão de saúde de São Pedro de Alva suspenderá o atendimento ao público durante dois períodos distintos.

O primeiro encerramento ocorrerá já em meados de junho, entre os dias 15 e 19, totalizando cinco dias úteis. O segundo, e mais extenso, será no final de julho, abrangendo 12 dias consecutivos, de 20 a 31. No total, a população local ficará desprovida deste serviço de proximidade por 17 dias durante a época balnear, um dos períodos de maior pressão sobre os serviços de saúde devido ao aumento da população flutuante e às temperaturas elevadas.

Autarquia de mãos atadas perante falhas técnicas

Um dos pontos mais críticos revelados pela junta prende-se com a impossibilidade legal e técnica de a autarquia colmatar as ausências de pessoal. Em situações normais, o município poderia proceder à substituição de funcionários administrativos de férias ou doentes.

No entanto, a autarquia alega que a Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra não concede acesso às plataformas digitais de atendimento devido à sua natureza “altamente reservada”. A gestão de dados clínicos e o acesso aos sistemas informáticos do SNS estão vedados a pessoal não integrado na ULS, inviabilizando qualquer recurso humano externo fornecido pela câmara municipal ou junta de freguesia. “Acompanhamos com apreensão esta situação”, refere a nota oficial, sublinhando a impotência da autarquia para resolver o problema operacional.

Paradoxo da requalificação

O anúncio dos encerramentos surge num contexto de contradição com os investimentos recentemente anunciados para a região. No passado dia 24 de abril, o Governo, através da Ministra da Saúde Ana Paula Martins, inaugurou a requalificação da USF de Penacova, financiada integralmente pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) num investimento superior a um milhão de euros.

Na altura, a governante destacou que a reforma dos cuidados primários era prioritária e que a requalificação visava “garantir cobertura plena no território”. As obras incluíram a reabilitação do polo de São Pedro de Alva, focado na melhoria da eficiência energética e acessibilidades. Contudo, a modernização física das instalações não está a ser acompanhada pela capacidade de resposta humana durante os meses de verão, expondo a fragilidade estrutural do Serviço Nacional de Saúde (SNS) nas zonas do interior.

Compromisso e alerta à população

Perante a iminência dos encerramentos, a Junta de Freguesia de São Pedro de Alva afirmou ontem ter já manifestado “descontentamento junto das entidades competentes”, apelando a soluções que garantam a continuidade dos cuidados de proximidade. Apesar do tom de preocupação, a autarquia reafirmou o compromisso de defender os interesses da comunidade e manter a população devidamente informada sobre a evolução do processo.

Para os casos de urgência durante os períodos de encerramento, recomenda-se à população que recorra à USF de Penacova (sede) ou à Linha SNS 24 (808 24 24 24).

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