Dispositivo especial de combate a incêndios rurais entra na fase Delta entre julho e setembro, com mais meios terrestres, sete aeronaves e reforço tecnológico numa região marcada pelos estragos das tempestades de inverno.

A Região de Coimbra vai contar, entre 1 de julho e 30 de setembro, com um dispositivo de 775 operacionais, 178 veículos, sete meios aéreos e 16 máquinas de rasto para o combate aos incêndios rurais, no âmbito da fase Delta do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR 2026). A apresentação do plano decorreu esta semana pelo Comando Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil da Região de Coimbra, liderado pelo comandante Carlos Luís Tavares, que destacou a importância da deteção precoce e da rapidez de intervenção numa região particularmente vulnerável após as tempestades registadas no início do ano.
Região enfrenta verão com floresta fragilizada
Segundo o Comando Sub-Regional, os 19 municípios da Região de Coimbra possuem entre 50% e 55% de área florestal, circunstância que aumenta o risco de incêndio em períodos de calor extremo. A situação é agravada pelos danos provocados pelas intempéries de janeiro e fevereiro, sobretudo nos concelhos de Coimbra, Soure, Montemor-o-Velho, Miranda do Corvo, Penela e Pampilhosa da Serra.
Carlos Luís Tavares alertou que o estado da floresta “preocupa em termos de segurança”, nomeadamente para os operacionais no terreno, estando já em curso ações de reconhecimento, corte de árvores e limpeza de acessos florestais.
O responsável sublinhou ainda que “quanto mais cedo detetarmos e atuarmos, maior é a probabilidade de evitar incêndios de grande dimensão”, apontando a antecipação como um fator decisivo para o sucesso operacional.
Mais máquinas, tecnologia e formação operacional
Entre as novidades do DECIR 2026 está o reforço do número de máquinas de rasto, que passa de 12 para 16 equipamentos. As novas máquinas incluem meios colocados na Lousã, recursos da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra e do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, além de uma máquina atribuída aos Bombeiros Voluntários de Soure.
O comandante considerou este equipamento “fundamental em incêndios complexos”, permitindo abrir faixas de contenção, consolidar perímetros e aumentar a segurança das operações, além de reduzir o risco de reacendimentos.
O dispositivo incorpora também reforços tecnológicos, incluindo equipamentos de comunicação Starlink distribuídos pelos municípios, um drone operacional da CIM Região de Coimbra para monitorização e apoio tático, bem como melhorias no sistema SIRESP.
Na componente formativa, foram realizadas 41 ações especializadas em incêndios rurais dirigidas a 46 elementos de comando, além de exercícios operacionais ligados a operações aéreas, comunicações, apoio à decisão e socorro.
Fase Delta mobiliza bombeiros, GNR e meios aéreos
Atualmente em fase Bravo, o dispositivo evolui para a fase Charlie durante o mês de junho e entra na fase Delta entre julho e setembro, período considerado de maior perigosidade.
Nessa fase, estarão no terreno 175 equipas, 775 operacionais e 178 veículos. Os bombeiros constituem a principal força operacional, com 514 elementos permanentes e 121 viaturas, aos quais acresce uma capacidade mobilizável superior a 1.376 operacionais.
Entre os reforços destacados este ano encontra-se o veículo de Comando e Comunicações dos Bombeiros Voluntários de Penacova, apontado como um meio adicional importante no apoio aos teatros de operações.
Durante o período diurno estarão ainda ativos 204 sapadores florestais e 22 elementos da Afocelca. A GNR, através da Unidade de Emergência de Proteção e Socorro, assegura a presença de 27 operacionais.
O dispositivo aéreo inclui sete meios, entre os quais três helicópteros bombardeiros ligeiros estacionados na Lousã, Cernache e Pampilhosa da Serra, além de dois aviões bombardeiros médios colocados em Cernache. Os restantes meios destinam-se a missões de reconhecimento e avaliação.
“Primeiro está a vida”, sublinha comandante
Durante a apresentação do plano, Carlos Luís Tavares salientou que o sucesso operacional não depende apenas da quantidade de meios disponíveis, mas sobretudo da coordenação, rapidez de decisão, disciplina operacional e segurança.
“Queremos ter baixas zero”, afirmou o comandante, reforçando que a prioridade máxima do dispositivo continua a ser a proteção da vida humana, seguida da salvaguarda de bens e património florestal.
O conceito operacional definido para 2026 assenta na monitorização permanente do território, pré-posicionamento preventivo de meios, ataque inicial musculado e manutenção contínua da capacidade operacional.












