Antigo Presidente da República foi distinguido no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, pelo contributo para a integração europeia e para o reforço da democracia na União Europeia.

O antigo primeiro-ministro e ex-Presidente da República portuguesa Aníbal Cavaco Silva defendeu esta terça-feira, no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, que a União Europeia representa “um ativo da maior importância” num contexto internacional marcado por instabilidade, conflitos armados e ameaças globais. O antigo chefe de Estado recebeu a Ordem Europeia do Mérito, distinção recentemente criada pelas instituições europeias para homenagear personalidades com contributos relevantes para a unidade europeia, a democracia e os valores fundamentais da União.
Distinção europeia reconhece percurso político de Cavaco Silva
Na cerimónia realizada no hemiciclo do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, Cavaco Silva integrou o grupo dos primeiros 20 laureados da nova Ordem Europeia do Mérito, criada para distinguir cidadãos que contribuíram de forma excecional para o projeto europeu.
Durante o discurso de aceitação, o antigo governante português sublinhou a relevância estratégica da União Europeia no atual cenário geopolítico.
“Num tempo de forte instabilidade e incerteza mundial, de conflitos armados e ameaças, em que a voz de cada país isoladamente pouco conta, a União Europeia é um ativo da maior importância para todos os Estados membros”, afirmou.
Cavaco Silva salientou ainda o papel histórico de Portugal no processo de integração europeia, defendendo que o país tem assumido uma postura de compromisso com os valores comunitários e com o aprofundamento da construção europeia.
Experiência europeia marcou mandatos como primeiro-ministro e Presidente
No discurso, o antigo Presidente da República recordou o período em que liderou o Governo português, entre 1985 e 1995, coincidindo com a entrada e consolidação de Portugal nas então Comunidades Europeias.
Referiu igualmente a sua participação em momentos decisivos da integração europeia, incluindo as negociações do Ato Único Europeu, do Tratado de Maastricht e, mais tarde, o acompanhamento do debate sobre reformas institucionais da União Europeia após a crise financeira internacional de 2008, já enquanto Presidente da República.
Cavaco Silva evocou também Jacques Delors, descrevendo-o como “um dos mais brilhantes europeístas” que conheceu, e recordando que Delors considerava Portugal um participante empenhado no projeto europeu “como se tivesse sido um dos seus fundadores”.
Ursula von der Leyen entregou medalha da distinção
A medalha da Ordem Europeia do Mérito foi entregue pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, enquanto o certificado oficial foi assinado pela presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola.
Na fundamentação da atribuição da distinção, lida por José Manuel Durão Barroso, destacou-se o papel desempenhado por Cavaco Silva “na liderança de Portugal durante as primeiras décadas de integração europeia”, bem como o contributo para o reforço da legitimidade democrática e para “uma Europa mais forte e mais unida”.
Ordem Europeia do Mérito distingue defensores da integração europeia
A Ordem Europeia do Mérito constitui a primeira distinção oficial atribuída diretamente pelas instituições europeias a cidadãos individuais, e não a organizações.
A distinção encontra-se dividida em três graus — membro, membro honorável e membro distinto — sendo que Cavaco Silva recebeu o grau de membro honorável.
Entre os distinguidos com o nível máximo da Ordem encontram-se Angela Merkel, Lech Walesa e Volodymyr Zelensky.
Na sessão solene, Roberta Metsola afirmou que o Parlamento Europeu homenageia “mulheres e homens notáveis” que escolheram construir a Europa “em todos os setores da vida”.
Cavaco Silva invoca Nobel da Paz atribuído à União Europeia
Na parte final da intervenção, Cavaco Silva recordou o Prémio Nobel da Paz atribuído à União Europeia em 2012, defendendo que esse reconhecimento deve servir de inspiração às novas gerações.
“Que o Prémio Nobel da Paz, com que a União Europeia foi laureada em 2012, nos inspire para mostrar às novas gerações que a União tem futuro”, concluiu.








