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Após três meses de trabalhos intensivos na sequência da rotura do dique de Casais, o sistema hidráulico do Mondego voltou a operar em pleno, assegurando o abastecimento de água à agricultura, indústria e consumo público no Baixo Mondego.

Ministra do Ambiente e Energia na reabertura do canal condutor geral do dique de Casais, Mondego (MAEN/Sara Matos)

O Canal Condutor Geral do Mondego retomou o funcionamento integral na passada quinta-feira, 15 de maio, após a conclusão das obras de reparação conduzidas pela Agência Portuguesa do Ambiente no dique de Casais, junto à autoestrada A1, em Coimbra. A reabertura das comportas do Açude-Ponte foi assinalada pela ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, numa intervenção considerada decisiva para garantir a campanha agrícola no Baixo Mondego, depois das cheias de fevereiro terem provocado graves danos no sistema hidráulico da região.

Sistema hidráulico recuperado após cheias de fevereiro

A rotura do dique de Casais ocorreu a 11 de fevereiro, na margem direita do leito central do rio Mondego, junto à A1, na zona de Coimbra. O incidente provocou inundações em terrenos agrícolas e afetou diretamente o funcionamento do Canal Condutor Geral, infraestrutura essencial para o fornecimento de água aos campos agrícolas do Baixo Mondego.

Segundo o Ministério do Ambiente e Energia, os trabalhos agora concluídos permitiram reconstruir o troço destruído do canal, reabilitar o revestimento em betão armado e restabelecer a operacionalidade do sistema antes do período crítico das sementeiras.

Durante a cerimónia de reabertura das comportas, Maria da Graça Carvalho destacou que “a operacionalidade total do canal de rega está assegurada”, sublinhando igualmente que a intervenção foi executada dentro do prazo previsto pela APA.

Agricultura, indústria e abastecimento público beneficiados

O Canal Condutor Geral desempenha um papel estratégico em toda a região do Baixo Mondego, garantindo água para a agricultura, para unidades industriais e também para o abastecimento público, nomeadamente na Figueira da Foz.

A conclusão da empreitada foi recebida com alívio pelos agricultores do Vale do Mondego, numa altura em que as sementeiras já decorrem no terreno. João Grilo, presidente da Associação de Agricultores do Vale do Mondego, elogiou a rapidez da intervenção e a reposição da normalidade no sistema hidráulico.

A obra agora concluída representou um investimento de cerca de 3,6 milhões de euros. Contudo, o Governo prevê um conjunto mais vasto de intervenções na bacia hidrográfica do Mondego, que deverão atingir cerca de 20 milhões de euros até 2027.

Novas intervenções previstas no Mondego

Apesar da reposição do funcionamento do canal, o Executivo admite que subsistem problemas estruturais no sistema hidráulico do Mondego.

Entre as obras previstas encontram-se a reconstrução definitiva do dique, a reabilitação de descarregadores, a proteção de infraestruturas junto à A1 e futuras operações de limpeza e manutenção dos diques.

No mesmo dia da reabertura do canal, foi também entregue o relatório técnico sobre as cheias de 2026 na Bacia Hidrográfica do Mondego, desenvolvido em articulação entre a APA e a Ordem dos Engenheiros. O documento analisa as causas da rotura e propõe medidas de prevenção, adaptação às alterações climáticas e novos modelos de governança para o aproveitamento hidráulico do Baixo Mondego.

Mondego continua no centro das preocupações regionais

A recuperação do canal surge num contexto de crescente preocupação com a resiliência das infraestruturas hidráulicas do Mondego, após sucessivos episódios de cheias nos últimos anos.

Também os municípios da região, incluindo Coimbra e os concelhos do Baixo Mondego, têm vindo a defender maior investimento na manutenção preventiva e na modernização do sistema, considerado fundamental para a proteção das populações, da atividade agrícola e da economia regional.

Para concelhos do interior do distrito, como Penacova, a estabilidade do sistema hidráulico do Mondego assume igualmente relevância estratégica, tendo em conta a forte ligação territorial, ambiental e económica ao rio Mondego.

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