A segunda e última ação de 2026 do projeto LIFE4LAMPREY decorreu no passado domingo, 4 de maio, em Vila Nova de Poiares. A operação encerra o ciclo iniciado em 2025 e reforça a estratégia regional de conservação da lampreia-marinha na bacia do Mondego.

A Região Metropolitana de Coimbra concluiu no dia 4 de maio a segunda e última ação de translocação de lampreia-marinha prevista para 2026, com a libertação de 32 exemplares no Louredo Natura Parque, em Vila Nova de Poiares. A iniciativa integrou o projeto LIFE4LAMPREY e foi coordenada pela Universidade de Évora, em articulação com a Região Metropolitana de Coimbra, municípios e entidades parceiras. O objetivo passa por transferir exemplares adultos para zonas a montante do rio Mondego, próximas de áreas favoráveis à desova, procurando aumentar as condições de reprodução natural da espécie.

Quatro ações desde 2025

Com a operação realizada no início desta semana, ascende a 120 o número total de lampreias-marinhas translocadas nas quatro ações desenvolvidas desde 2025.

Segundo a informação tornada pública, as intervenções têm consistido na captura de exemplares em zonas mais a jusante e na sua posterior libertação em locais selecionados a montante, definidos com base em critérios técnicos e científicos associados às condições ecológicas do habitat.

Cooperação institucional e dimensão regional

A ação de 4 de maio mobilizou vários parceiros institucionais e operacionais, entre os quais a Universidade de Évora, a Região Metropolitana de Coimbra, o MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, a GNR, o ICNF e municípios da bacia do Mondego.

Entre os concelhos envolvidos estão Penacova, Vila Nova de Poiares, Coimbra, Montemor-o-Velho e Figueira da Foz, numa articulação intermunicipal que visa a recuperação ecológica do rio.

No caso de Penacova, recorde-se que uma das primeiras ações de translocação realizadas em 2025 decorreu na zona da Rebordosa, reforçando a ligação do concelho a este esforço regional de conservação.

Espécie em declínio no rio Mondego

Dados técnicos divulgados por especialistas do projeto indicam que a população de lampreia-marinha no Mondego sofreu uma redução muito acentuada nos últimos anos.

Entre os principais fatores apontados estão as alterações climáticas, períodos de seca, obstáculos à migração, intervenções humanas no leito e margens do rio, pressão predatória em ambiente marinho e fenómenos de pesca furtiva.

Investigadores ligados ao projeto têm sublinhado que a recuperação será necessariamente lenta, uma vez que o ciclo de vida da lampreia-marinha se prolonga por vários anos entre o rio e o mar. A avaliação dos resultados das ações agora realizadas dependerá, por isso, de monitorização continuada ao longo da próxima década.

Projeto de conservação no rio Mondego

O LIFE4LAMPREY integra uma estratégia de conservação orientada para a recuperação da população de lampreia-marinha na bacia hidrográfica do Mondego.

A translocação é considerada uma medida de apoio à reprodução da espécie, num contexto em que investigadores e entidades gestoras têm vindo a assinalar a redução da sua presença no rio. Entre os fatores apontados encontram-se alterações hidrológicas, obstáculos à migração e pressões ecológicas acumuladas ao longo dos últimos anos.

O projeto insere-se num esforço de escala regional, articulando conservação da biodiversidade, valorização dos ecossistemas fluviais e proteção de um recurso natural historicamente ligado ao território do Mondego.

Biodiversidade e património

Além da dimensão ecológica, a preservação da lampreia-marinha mantém relevância patrimonial e cultural para a região de Coimbra.

As entidades promotoras sublinham que proteger esta espécie significa também salvaguardar um elemento associado à identidade local e ao património natural do vale do Mondego, num equilíbrio entre conservação ambiental e valorização territorial.

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