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Depois de quase três anos sem reuniões, a Comissão Regional de Gestão Integrada de Fogos Rurais do Centro voltou a reunir e aprovou um novo modelo de funcionamento, com encontros trimestrais e trabalho em subgrupos, para reforçar a coordenação entre as 42 entidades regionais envolvidas na prevenção e gestão de incêndios rurais.

Foto: José Ribau Esteves, Presidente da CCDR Centro, ladeado por Rui Xavier, da AGIF, e por Paulo Luís, do ICNF.

A Comissão Regional de Gestão Integrada de Fogos Rurais do Centro (CRGIFR Centro) retomou ontem a sua atividade regular na Região Centro, sob presidência de José Ribau Esteves, presidente da CCDR Centro. A reunião marcou o arranque de um novo ciclo de funcionamento deste órgão, que não reunia desde setembro de 2023, com o objetivo de reforçar a articulação institucional, melhorar a gestão integrada do território e contribuir para uma redução consistente da incidência de incêndios rurais. O novo modelo prevê reuniões quatro vezes por ano, conforme a lei e o regimento em vigor, estando já agendada a próxima sessão para 16 de setembro de 2026. A informação foi tornada pública pela CCDR Centro.

Novo ciclo de coordenação regional

A reunião assinalou uma nova etapa de funcionamento da CRGIFR Centro, com maior regularidade e uma dinâmica de trabalho mais operacional. Além das reuniões plenárias trimestrais, passam a existir subgrupos temáticos, orientados para matérias específicas ligadas à prevenção estrutural, ordenamento e gestão de combustíveis.

Segundo José Ribau Esteves, presidente da CCDR Centro desde fevereiro de 2026, o objetivo passa por fazer da comissão “um elemento positivo, que contribua para a melhoria da performance da Região Centro em matéria de fogos”.

O responsável sublinhou igualmente que uma das prioridades do seu mandato é o desenvolvimento de uma agenda especial para a floresta na Região Centro, defendendo uma visão que encare a floresta como ativo económico, ambiental, social e turístico, e não apenas como área de risco.

Revisão do Programa Regional de Ação

Entre as principais deliberações da reunião esteve a aprovação do início do processo de revisão do Programa Regional de Ação do Centro.

A proposta apresentada pela presidência da CCDR Centro pretende tornar este instrumento “mais realista e concretizável”, com maior sustentabilidade económico-financeira e uma estrutura mais funcional, que facilite a sua leitura, utilização e aplicação prática no território.

Perante questões colocadas por representantes municipais relativamente ao financiamento dos programas sub-regionais, Ribau Esteves defendeu que o documento deve assumir um caráter mensurável e operacional.

“O Programa Regional de Ação tem de conferir o realismo necessário a um instrumento que deve ser concretizável e servir verdadeiramente para operacionalizar e melhorar a gestão do território”, referiu.

Financiamento continua a condicionar programas sub-regionais

O financiamento foi apontado como um dos principais fatores que têm condicionado o avanço dos Programas Sub-Regionais de Ação de Fogos Rurais.

Na reunião de ontem, o programa sub-regional mais adiantado — o da Região de Aveiro — foi aprovado pela CRGIFR Centro. Em paralelo, foi apresentado um ponto de situação dos restantes programas em elaboração, que a comissão pretende ver concluídos ao longo de 2026.

A questão financeira foi destacada por vários representantes das comunidades intermunicipais, que assinalaram a necessidade de garantir recursos compatíveis com as metas e exigências de execução previstas nos documentos estratégicos.

Estrutura reúne 42 entidades da Região Centro

A CRGIFR Centro integra um total de 42 entidades regionais, reunindo representantes da CCDR Centro, da AGIF, das Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, das Forças Armadas, forças de segurança, comunidades intermunicipais, municípios, do ICNF e de outras entidades com intervenção na gestão integrada de fogos rurais.

Este modelo de governação territorial procura assegurar uma resposta articulada entre prevenção, planeamento, ordenamento florestal e proteção civil, numa região que historicamente concentra parte significativa da área ardida em Portugal.

Contexto regional

A retoma da atividade da comissão surge num momento em que a Região Centro continua a ser considerada uma das áreas mais sensíveis do país em matéria de incêndios rurais, devido à elevada continuidade de manchas florestais, despovoamento de zonas do interior e fragmentação da propriedade.

A estratégia agora assumida pela CRGIFR Centro insere-se no quadro nacional de gestão integrada de fogos rurais, criado após os incêndios de 2017, e procura reforçar a coordenação institucional, a prevenção estrutural e a capacidade de execução territorial.

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