No Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, António José Seguro define o jornalismo como um “contrapoder” essencial e alerta para o número recorde de 129 profissionais assassinados no último ano.

o seu primeiro Dia Mundial da Liberdade de Imprensa como Chefe de Estado, António José Seguro define o jornalismo como um “contrapoder” essencial e alerta para o número recorde de 129 profissionais assassinados no último ano.

O Presidente da República, António José Seguro, assinalou este domingo o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa com uma mensagem contundente em defesa do jornalismo independente. Naquela que é uma das suas intervenções de maior relevo desde que assumiu a magistratura suprema em março, o Chefe de Estado descreveu a imprensa livre como o “fundamento da democracia” e um “contrapoder” por definição.

O jornalismo como voz de escrutínio

Para António José Seguro, a liberdade de informar é uma das expressões mais exigentes da cidadania, sublinhando que a sua função não é o conforto do poder, mas sim o seu escrutínio. Na nota oficial publicada pelo Palácio de Belém, o Presidente reforça que uma voz jornalística fundamentada deve ser capaz de questionar as instituições sem se dobrar a pressões.

“Uma imprensa livre é uma voz que questiona, que investiga, que não se dobra ao poder nem se rende ao aplauso fácil”, afirmou o Presidente, reiterando que este papel é “insubstituível” para a manutenção de uma sociedade esclarecida e vigilante.

Um balanço trágico: 129 jornalistas mortos

A par do elogio à profissão, o Chefe de Estado deixou um alerta severo sobre a degradação da segurança dos profissionais da comunicação a nível global. Citando dados que marcam este ano de 2026, António José Seguro revelou que, nos últimos doze meses, 129 jornalistas e profissionais da comunicação social foram assassinados em todo o mundo.

“Não é uma estatística. É uma acusação”, vincou o Presidente, apontando que estes números representam um ataque direto à liberdade de expressão e um retrocesso que as democracias não podem ignorar.

O desafio da proximidade e a imprensa local

A mensagem presidencial surge num momento de reflexão sobre a sustentabilidade do setor em Portugal. Além das ameaças físicas, o Presidente chamou a atenção para a “asfixia económica” e a desinformação, que colocam em risco a pluralidade.

Este alerta ressoa de forma particular na imprensa regional e local — como é o caso do Penacova Actual e de outros títulos da Beira Litoral —, que enfrentam desafios estruturais para manter a sua missão de informar as comunidades de proximidade e escrutinar o poder local, combatendo o isolamento informativo das populações.

O Presidente concluiu a sua nota com um apelo à responsabilidade coletiva: “Defender a Liberdade de Imprensa é uma prioridade de cidadania. Porque quando uma voz jornalística se cala, perdemos todos.”

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