Infraestruturas de Portugal indicam que 92% dos cortes já foram resolvidos, mas intervenções podem prolongar-se por mais de seis meses

Miguel Cruz, presidente da Infraestruturas de Portugal

A Infraestruturas de Portugal (IP) contabiliza atualmente 26 estradas com circulação cortada em todo o país, na sequência do mau tempo registado entre o final de janeiro e meados de fevereiro, mantendo-se uma dessas interrupções no concelho de Penacova, no distrito de Coimbra.

Corte rodoviário afeta Penacova

Entre as vias ainda encerradas, destaca-se a Estrada Regional (ER) 2, no concelho de Penacova, uma das cinco ocorrências registadas no distrito de Coimbra. Além desta, permanecem cortes na EN347 e no ex-IC3 (Penela), na ER110 (Coimbra) e na EN342 (Arganil).

A situação continua a condicionar a circulação rodoviária em vários pontos da região Centro, obrigando a desvios e aumentando os tempos de deslocação para residentes e utilizadores destas vias.

Mais de 300 cortes registados após tempestades

Segundo informação enviada à agência Lusa pela IP, chegaram a ser registados mais de 300 cortes totais na rede rodoviária sob sua gestão, tendo já sido resolvidos cerca de 92% dos casos.

No distrito de Lisboa subsistem dez estradas encerradas, enquanto há ainda ocorrências nos distritos de Viseu, Setúbal, Santarém, Guarda, Porto, Aveiro, Castelo Branco e Leiria.

Obras podem demorar mais de seis meses

O presidente da IP, Miguel Cruz, afirmou, durante o Conselho Intermunicipal da Região de Coimbra, realizado em Arganil, que a maioria das intervenções nas estradas afetadas não deverá estar concluída em menos de seis meses.

O responsável alertou para constrangimentos na capacidade de resposta, sobretudo ao nível dos projetistas, devido ao elevado número de intervenções em curso a nível nacional. Apesar de, para já, não se verificarem dificuldades significativas entre empreiteiros, não é excluída a possibilidade de atrasos adicionais.

Instabilidade de taludes e danos estruturais na origem dos cortes

De acordo com a IP, a maioria dos cortes resulta de instabilidade das plataformas rodoviárias e deslizamentos de taludes. As intervenções incluem trabalhos de estabilização de encostas, reforço de drenagens e reconstrução parcial ou total de infraestruturas.

Paralelamente, foram já realizadas cerca de 1.300 inspeções extraordinárias a pontes e outras estruturas, não tendo sido identificados problemas estruturais relevantes. Algumas inspeções continuam por concluir devido à falta de meios especializados, nomeadamente mergulhadores para avaliações subaquáticas.

Tempestades provocaram mortos e prejuízos avultados

O ciclo de tempestades que afetou Portugal — incluindo as depressões Depressão Kristin, Depressão Leonardo e Depressão Marta — provocou pelo menos 19 vítimas mortais entre o final de janeiro e o início de março.

Os fenómenos extremos causaram ainda danos significativos em habitações, empresas e infraestruturas, além de quedas de árvores, cortes de energia e comunicações, inundações e prejuízos avaliados em milhares de milhões de euros.

IP alerta para fenómenos climáticos mais intensos

Miguel Cruz sublinhou que os eventos climáticos tendem a tornar-se mais intensos e imprevisíveis, defendendo a necessidade de acelerar as intervenções em curso, com o objetivo de garantir maior resiliência da rede rodoviária até ao final de 2026.

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