Depois da translocação de 29 exemplares em Penacova em 2025, nova operação enfrenta cheias mas mantém meta de criar “santuários” para larvas

Trinta lampreias-marinhas foram transferidas para a praia fluvial de Palheiros e Zorro, em Coimbra, na primeira translocação de 2026, dando continuidade ao projeto Life4Lamprey que, em abril de 2025, havia transladado 29 exemplares para o Parque de Merendas da Rebordosa, em Penacova. A iniciativa, coordenada pela Região Metropolitana de Coimbra (RMC) – anteriormente Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (CIM-RC) –, visa travar o declínio acentuado da lampreia-marinha na bacia do Mondego, cujo efetivo mais baixo de sempre foi registado em 2024.
Cheias condicionam capturas em 2026
Num comunicado enviado esta segunda-feira à agência Lusa, a RMC revelou que as recentes cheias “condicionaram significativamente a campanha de captura” de 2026. Apesar das adversidades, já foram capturadas mais de 70 lampreias nas zonas de pesca profissional de jurisdição marítima e do Baixo Mondego, com o apoio de pescadores locais, estando previstas novas libertações nos próximos dias.
A operação deste ano é a terceira translocação no rio Mondego e sucede à ação realizada em 7 de abril de 2025, quando 29 lampreias foram devolvidas ao rio no Parque de Merendas da Rebordosa, em Penacova. Na altura, a CIM-RC explicou que o projeto prevê a translocação anual de 500 a 1000 lampreias adultas para pontos estratégicos, embora os números iniciais tenham ficado muito aquém dessa meta devido a constrangimentos operacionais.
Projeto europeu de 100 mil euros até 2027
O Life4Lamprey, cofinanciado por fundos europeus através do programa DALIA, representa um investimento de cerca de 100 mil euros e será implementado entre 2025 e 2027. O principal objetivo é reverter a queda populacional da lampreia-marinha (Petromyzon marinus), que atingiu o ponto mais baixo em 2024, com o menor número de exemplares registado no rio Mondego desde o início das observações.
O projeto assenta numa estratégia integrada que inclui captura, translocação, monitorização da espécie, identificação de áreas larvares prioritárias – designadas “santuários” –, ações de sensibilização pública e definição de orientações para uma gestão sustentável. Envolve ainda as comunidades locais, pescadores, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), forças de segurança e universidades.
“Precisamos de tempo para fazer as coisas de forma adequada”
Jorge Brito, secretário executivo da CIM-RC (atual RMC), destacou aquando da primeira translocação, em 2025, a importância de envolver diversos agentes no projeto: “Queremos que todos se sintam comprometidos com este processo”. Já o presidente da Câmara de Penacova, Álvaro Coimbra, sublinhou a necessidade de paciência e planeamento cuidadoso: “O ciclo de vida das lampreias é de sete anos, então precisamos de tempo para fazer as coisas de forma adequada”.
A RMC reitera que o objetivo passa por consolidar uma linha de intervenção consistente, capaz de reforçar a presença da espécie no rio Mondego e contribuir para a melhoria das condições ecológicas deste ecossistema, criando condições para que a população se recupere nos próximos anos e se preserve para as gerações futuras.












